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23 de jun. de 2015

Jurassic World o Blackfish de Spielberg

Jurassic World pode ser um filme sobre seres humanos matando um monstro criado pelos próprios seres humanos, mas é também um filme que apresenta as verdades inegáveis, do mundo real sobre as relações entre os seres humanos e animais.

Mesmo com toda a ação e ficção, os cineastas sutilmente conseguiram levantar as mesmas questões morais da criação de animais em cativeiro para o entretenimento humano, e por esse motivo está sendo considerado como a paródia de Blackfish, o documentário que mostrou as pessoas a crueldade com os animais, que pode ser melhor explicado se os parques marinhos tivessem o nome de ‘circos marinhos’.

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O trailer do filme começa quando dois adolescentes embarcam em um avião, para conhecer um empreendimento que se utiliza de animais cativos amestrados para o entretenimento humano - uma clara referência ao SeaWorld, só que baseado em uma escala jurássica.

Vários parques temáticos tem sua entrada em forma de aeroporto para simular uma viagem ao desconhecido – e não por mera coincidência o mesmo ambiente de aeroporto e  avião, foi recriado pelo aquário de São Paulo, que também tenta recriar no Brasil os passos do SeaWorld, que durante muitos anos enganou o público com informações falsas sobre o tempo de vida, hábitos e tratamento dado aos animais cativos.

Já é sabido que os seres humanos tem uma propensão a se sentirem atraídos por animais gigantes. Tendo isso em mente os produtores de Jurassic World, apresentam na tela o Mosassauro gigante e o Indominus Rex, os animais são usados para recuperar a atenção dos frequentadores do parque, que estavam cansados das mesmas espécies.

Quando os seres humanos são desprezados, isso é chamado de desumanização, e quando isso acontece aos animais que é igualmente trágico mesmo que não seja nomeado - as pessoas estão tomando conhecimento dessa exploração.

Instituições como o SeaWorld onde os animais são mantidos isolados de seu ambiente natural em detrimento da sua saúde física e mental, não necessita de evidência científica para descrever os sintomas que os horrores do isolamento, podem causar a todo ser vivente, e que merecem mais do que a nossa compaixão para que possam ser libertados.

O isolamento é a falta de comunicação com todos os outros seres vivos. É torturante para os animais e reduz sua vida útil.

No filme o parque tem uma administradora focada somente nos lucros (como se existisse algum administrador de empresa que não tem o lucro como meta final).

E as semelhanças entre Jurassic World e Blackfish, ficam mais evidentes quando o mosassauro faz o truque de molhar sua plateia.

 

 

“Sim, há um pouco de vibração [de ‘Blackfish’] nesta história”, disse Colin Trevorrow, o diretor de “Jurassic World” . Ele diz que os estragos foram causados por uma criatura que cresceu em um ambiente igual ao do SeaWorld. “É  como se fosse a orca de Blackfish ficasse louca, por ter sido alimentada por um guindaste e por nunca saber quem foi sua mãe.”

O monstro transgênico que tem poderes desconhecidos de seus próprios criadores,  parece ter sido criado com algumas gotas de dna humano – já que depois acaba matando por puro esporte.

E porque o parque trata seus animais tão desumanamente, sem considerar suas necessidades, eles se rebelam para destruir tudo que está a seu alcance. É uma lição dura de aprender, que o parque somente será lacrado, depois que inúmeras vidas forem perdidas.

Uma outra questão interessante abordada pelo filme, acontece quando dois homens encontram um brontossauro morrendo no chão; o animal gemendo, sangrando e coberto de arranhões, e com os olhos mais tristes do mundo, conseguem comover os corações mais frios, e eles acabam por se solidarizar com o sofrimento do pobre animal.

E mesmo que não tenhamos a real noção de como era um som de um dinossauro, dessa vez

Os produtores do filme também optaram por se basear em sons reais de porcos, baleias, golfinhos e macacos para criar os efeitos sonoros vistos nos animais fictícios.

A relação de Jurassic World com o documentário Blackfish é mais ainda mais perceptível – quando comparado ao  que o Seaworld faz em desserviço à ciência, e ao bem estar dos animais - pois essa imagem ERRADA, que durante muito tempo foi adorada - é agora absolutamente abominada e desprezada pelo público.

Sem querer ou querendo, Jurassic World abriu desde já, um importante espaço para a continuação da discussão iniciada pelo documentário Blackfish.

Isso sem contar que esse é o entretenimento correto, pois se utiliza de tecnologia e não de performances de animais. Visto em 3D, o filme promete surpreender dentro e fora do cinema, já que agora podemos usar do entretenimento imaginário para discutir os direitos dos animais.

Assista ao trailler.

 

18 de jun. de 2015

Irmãos da Orca Tilikum de Blackfisk e a vinda para o Brasil

No Brasil, não é proibido manter orcas em cativeiro. E mesmo que possa parecer que existam regras rígidas, como que só seria permitido manter um bicho em cativeiro se os avós e os pais dele também forem de cativeiro, também existe a possibilidade de exposição por outros fatores que o nosso IBAMA considerar ‘relevante’.

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E foi assim que nas águas geladas perto da Islândia, barcos navegaram com uma intenção malévola: capturar orcas, que foram apelidadas de `baleias assassinas´, para vendê-las a parques marinhos pelo mundo.

Quando uma família de orcas é encontrada, o procedimento de captura é cruel. Primeiro, jogam bombas na água, para assustar e encurralar as orcas - que depois são presas com uma rede e puxadas com uma espécie de gancho. A ordem é pegar os filhotes, que são mais dóceis e mais fáceis de transportar. As orcas adultas são liberadas, mas não fogem. Ficam lá, emitindo um som que parece um ganido de desespero. É uma cena medonha, de embrulhar o estômago. Em 1983 os baleeiros retiram do oceano três filhotes de orcas - Tilikum, Nandu e Samoa.

As três orcas ficaram um ano recebendo treinamento em um centro marinho da Islândia, para então seriam enviados aos parques marinhos recém abertos na América do Norte. Um dos machos, Tilikum foi vendido para um parque aquático no Canadá, e  por alguma ‘razão’, as outras duas orcas, foram enviados para um parque brasileiro.

Nandu o macho e sua irmã a fêmea Samoa, chegaram ao Brasil em 1984, mas ficaram escondidos durante vários meses. Os empresários brasileiros queriam que os animais copulassem, antes de  serem apresentados ao público diante de uma provável gravidez. A notícia do primeiro bebê orca genuinamente brasileiro renderia muitas manchetes, muito similar ao que que foi feito com Aurora e Peregrino, que chegaram em dezembro de 2014, mas que somente em Abril de 2015, os brasileiros tomaram ciência de havia um casal de ursos polares em São Paulo.

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E o fato de que cinco outros ncvos aquários estão sendo construídos pelo Brasil, durante a maior crise hidríca do país, sugere que esses empreendimentos não se destinam só a exposição de peixes.

Leia também:  Mundo Marino na Argentina impulsiona onda de Seaworld Latino

O show das orcas, incluía ainda golfinhos, que haviam chegado um ano antes, e todos eram obrigados a dividir os mesmos tanques.

O “Dolphin’s Show”, que foi importado de Miami, trazia golfinhos e focas, como chamariz para as férias de verão. As cinco focas eram obrigadas a se equilibrar, e equilibrar bolas e outros objetos.

Dentre os quatro golfinhos, um era considerado especial pelo parque de diversões, que dizia ao público que havia trazido o próprio Flipper para o Brasil, o golfinho que ficou conhecido pelo seriado na TV.

Os golfinhos eram obrigados a saltar obstáculos, inclusive através de arcos de fogo, além de outras demonstrações.  Susie, Kathy, Liberty, Patty e Sharky, os reais golfinhos que se revezaram para interpretar o verdadeiro Flipper no seriado morreram no cativeiro, depois que a série foi encerrada em 1968.

Com o sucesso do seriado, o preço de um golfinho era por volta de 220.000 dólares, e o treinamento apenas 400 dólares. Quem tinha dinheiro para construir uma piscina queria ter um Flipper. E foi assim que o Sea Aquarium de Miami, se converteu no principal caçador, treinador e exportador de golfinhos.

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A piscina construída inicialmente para os golfinhos, se compunha de uma piscina com capacidade de 1,5 milhão de litros de água, uma piscina de apoio com 300 mil litros de água e mais uma piscina para as focas, com 200 mil litros de água. No total eram 2 milhões de litros de água, mais um cenário que imitava um porto antigo, com a réplica de um barco, e a arquibancada tinha capacidade para 5 mil pessoas.

Na época não havia exigência de biólogos ou veterinários para os animais, que ficavam a cargo dos  treinadores Paulo César Cirilo e Oscar Cardoso, que  tentavam andar por sobre a barriga e as costas da orca Samoa,  enquanto ela nadava girando sobre si mesma. Durante o treino perante os repórteres, os treinadores brasileiros davam tapinhas e beijinhos em sua cabeça.

Os animais haviam sido adestrados na costa do México antes de chegarem ao Brasil. Richard O´Barry, na época um treinador de golfinhos escreveu textualmente: "depois de dois dias sem comer, não há nada que um golfinho não faça por um bom pescado".

E no Brasil não foi diferente , os golfinhos-nariz-de-garrafa e os leões marinhos também foram forçados a trabalhar em troca de alimento no Playcenter até 1990.

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Em 1970, o treinador Ric O´Barry, foi detido por tentar libertar um golfinho do cativeiro. Desde então se dedica a libertar golfinhos, orcas e outros cetáceos que estejam presos em todo o mundo. Em 2003 muito antes de ficar conhecido pelo documentário ‘The Cove’, Richard O’Barry retratou a comovente história da Orca Lolita – A Escrava pelo Entretenimento.

Após quase 4 anos no cativeiro do parque de diversões brasileiro, a orca macho Nandu foi achado morto, em seu tanque dentro do PlayCenter, e Samoa estava paralisada ao seu lado. Ele tinha 4 metros de comprimento e sua idade não foi estimada.

O Playcenter não divulgou ao público a morte do animal, e fechou a atração durante uma semana, enquanto que o corpo de Nandu foi enviado à faculdade de medicina veterinária da USP onde sua autopsia revelou que depois de dele ter comido três bolas de basquete e todo o plástico que revestia a piscina internamente, ele veio a óbito devido a uma úlcera e um tumor localizado no fígado.

O parque de diversões não deve ter sido afetado pela morte de Nandu, já que na época de sua chegada, foi uma companhia de seguros que vazou a informação de que havia feito uma apólice para duas orcas do Playcenter.

E a orca Samoa passou a ter a companhia somente dos quatro golfinhos existentes, até março de 1989, quando então ela foi vendida para o parque marinho americano SeaWorld.

Para o veterinário Milton Marcondes, diretor de pesquisa do Instituto Baleia Jubarte, o que se ganha em conhecimento sobre as orcas não justifica o sofrimento que elas passam sendo mantidas em cativeiro. Ele explica que a falta de espaço tem consequências físicas e psicológicas para as orcas. Por exemplo, na vida selvagem, apenas 1% dos machos tem a barbatana dorsal caída, sinal de estresse.

Na natureza as orcas formam sociedades matriarcais, com grupos de até cinquenta baleias, e onde nenhum órfão é rejeitado, e elas são dóceis e protetoras com todos os membros da família.

Em abril de 1989 Samoa foi vendida pelo Playcenter para o SeaWorld de Ohio, para fazer companhia a Kalina (a primeira orca a nascer e sobreviver em cativeiro, e que morreu em 2010 com 25 anos de vida), durante o verão, época que os parques receberem muitos visitantes.

Quando o verão acabou, ela foi enviada para o Sea World do Texas enquanto Kalina foi enviada para o Sea World da Califórnia. As duas orcas viriam a se reencontrarem novamente somente em 1991.

No SeaWorld do Texas,  Samoa, engravidou ou foi engravidada artificialmente três anos depois de sua chegada, e em 14 de março de 1992 ela entrou em trabalho de parto.

Depois de quatro horas de intenso sofrimento, quando finalmente ela conseguiu expelir o bebê, percebeu-se que era uma fêmea que havia nascido morta.

Após poucas horas parto, Samoa também morreria em sua piscina.

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De acordo com o relatório feito pelo Marine Mammal Inventory Report, e que foi tornado público quase dez anos após sua morte, Samoa morreu devido à uma infecção gravíssima causada por fungos. Na verdade ela não teve um parto, mas sim um aborto, com pelo menos 2 meses antes da data prevista para o nascimento. O mesmo fungo que matou sua bebê, levando Samoa a um estágio avançado da doença que a matou. A idade de Samoa no momento de sua morte foi estimada entre 12-14 anos de idade.

Quando os seres humanos são afetados pelo mesmo tipo de fungo que afetou Samoa (o que é raro e só ocorre com indivíduos com sistema imunológico extremamente debilitado) e não são tratados de forma adequada e logo no início do problema, acabam tendo o mesmo destino que ela.

Foi a primeira morte relatada pelo Seaworld, de uma orca depois de abortar um filhote.

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Meses antes de sua morte visitantes já tinham relatado que ficaram horrorizados com os movimentos estranhos de Samoa, que lançavam seu corpo no ar e caia de barriga para baixo por sobre o parapeito duro da piscina e depois repetia por diversas vezes o mesmo movimento. Hoje percebe-se que ela tentava pressionar seu ventre, na tentativa de expelir o feto morto.

Durante os 10 anos seguintes, outra orca, dois golfinhos brancos, e também dois golfinhos nariz de garrafa que viviam no SeaWorld do Texas, foram infectadas com fungos, e a morte dos animais ocorreram no prazo de 23 dias após os sinais clínicos iniciais.

As orcas podem viver até 90 anos quando livres e na natureza. Mas em cativeiro elas vivem em média 5 vezes menos"(Cetacean Society International).

Além de terem sido roubadas de seu habitat e sua família, sofreram com a artificialidade do transporte, da água, do alimento, do convívio humano e do confinamento em si, que, através de suas paredes de concreto e vidro. Esta artificialidade jamais poderá ser mensurada pelos seres humanos gananciosos e tolos que destroem vidas em troca de entretenimento e lucro financeiro.

A admiração que teoricamente sentimos por eles quando os conhecemos dentro de num cativeiro, não nos deixa ver a verdadeira história de sofrimento, que eles sofrem e pelo qual devemos recordar as novas gerações do porque não devemos permitir que se mantenham animais em cativeiro. 

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16 de jun. de 2015

Mundo Marino na Argentina impulsiona onda de Seaworld Latino

Você sabia que no Brasil, não é proibido manter orcas em cativeiro. Se os avós e os pais dele também forem de cativeiro (ou se inventarem que são), os vários aquários e parques marinhos que estão sendo construídos por aqui, vão depois de prontos revelar de onde vem a inspiração.

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Como aprender biologia em locais que atentam contra a vida animal? Que coerência pode haver em profissionais supostamente comprometidos com o bem-estar animal e que no entanto trabalham em cumplicidade com as mesmas pessoas que obrigam os animais a permanecer em cativeiro o que inevitavelmente faz com que fiquem doentes. Consideramos que por vocação um veterinário, não deveria aprender com esses cativeiros, mas durante as práticas em campo.

Não precisamos de ‘tocar’ em um cetáceo cativo para aprender mais do assunto. E é nos parques aquáticos que querem fazer aulas práticas de biologia. É isso que querem aprender? A pergunta é do Prof.Dr. Pablo Meyer, veterinário, Docente Pós Graduado do Hospital Escola da Universidade de Buenos Aires, e que há mais de 20 anos faz palestras internacionais sobre cirurgia e anestesia em animais.

A questão que muitos não sabem, é que os zoológicos, parques marinhos e aquários que mantém animais para o entretenimento, também aprenderam a ganhar dinheiro ministrando cursos para veterinários, biólogos, tratadores, e quaisquer outras profissões que envolva os animais.

Além dos parques temáticos eles criam fundações ou institutos com o intuito de resgatar, tratar, estudar e reintroduzir os animais a seus habitats. E os animais que por algum motivo não puderem ser reintroduzidos na natureza, acabam por receberem asilo em seus parques.

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Fotos: Facebook/SinZooArgentina

A ideia começou com o Seaworld através do HUBBS-SEAWORLD RESEARCH INSTITUTE, quando o parque marinho começou a oferecer uma plataforma para realização de pesquisas, resgates e reabilitações de animais marinhos. A equipe de resgate de animais do SEAWORLD fica disponível 24 horas por dia e já ajudou milhares de golfinhos, manatis, baleias e tartarugas doentes ou machucadas. O programa de resgate do parque é o maior do mundo. Os animais são cuidados e, se preciso, operados no moderno centro de reabilitação. Mas só os que se recuperam são devolvidos a natureza.

Depois que o filme Blackfish expôs a triste realidade da orca tilikum em cativeiro; o Seaworld começou a declinar, além dos cantores conhecidos cancelarem seus shows dentro do parque, ninguém em seu juízo perfeito quer frequentar o torturador de animais marinhos. Em resposta o Seaworld publicou uma  carta aberta , que entre outras coisas dizia;

As baleias que estão sob o nossos cuidados beneficiam os animais que estão na vida selvagem. Trabalhamos com universidades, órgãos governamentais e ONGs para aumentar o corpo de conhecimento e a compreensão sobre as orcas - desde sua anatomia e biologia reprodutiva até suas habilidades auditivas.

O SeaWorld é líder mundial em resgate de animais. As milhares de pessoas que visitam nossos parques todos os anos tornam possível o SeaWorld ocupar a posição de instituição mundialmente renomada no que se refere a resgate, reabilitação e soltura de animais.

E eles não estavam mentindo, o próprio governo dos Estados Unidos, e o Fundo Internacional para o Bem Estar Animal – IFAW, que é a maior organização internacional criada pela ONU para o bem-estar dos animais, mantém contratos com o Seaworld,  para o resgate e reabilitação de animais, o que na prática significa que fecham os olhos para o entretenimento e aprisionamento de animais.

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Fotos: Facebook/SinZooArgentina

E não esquecendo que apesar dos inúmeros nomes que o Seaworld pode ter, e mesmo que você nunca tenha ido em alguns de seus parques, e mesmo que você não concorde que eles adestrem e mantenham animais marinhos para entretenimento humano, lembre-se também de nunca tomar a cerveja Budweiser. Em 1989, a cervejaria Anheuser-Busch, produtora da cerveja Budweiser, comprou todas as unidades do Seaworld.

E se isso acontece lá nos EUA, nem precisa imaginar o que acontece na América Latina.

Na Argentina existe o Mundo Marino, que se diz ser o maior oceanário da América do Sul (‘não era o aquário de São Paulo?’), na cidade de San Clemente del Tuyú, a apenas três horas e meia de Buenos Aires.

Para a realização de seus shows, eles possuem 20 piscinas com mais de 50 mamíferos marinhos cativos, entre  golfinhos, lobos marinhos, e a orca macho Kshamenk, que dá em torno de 500 voltas por hora em sua pequena piscina.

Os shows com animais são proibidos pela Portaria nº 2904 - Anexo 1 - Decreto nª112 - 2006 – no município de La Costa, onde fica o Mundo Marino na Província de Buenos Aires.

No entanto o parque criou a Fundação Mundo Marino, que da mesma forma que o  Seaworld criou um Instituto, fez também vários contratos com o IFAW e com o governo argentino; para resgatar, tratar, e reintroduz os animais que considera que podem ser reintroduzidos, e os que não podem são enviados para o oceanário.

De acordo com a Whale and Dolphin Conservation (WDC), o Mundo Marino obteve uma autorização do governo argentino para a exportação de sêmen da orca Kshamenk , para os Estados Unidos, e assim conseguiu confina-lo dentro de um programa de colaboração científica com o SeaWorld. Como resultado deste programa consta o registro do nascimento de duas orcas fêmeas, pertencentes ao SeaWorld.

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Assim a orca Kshamenk é exposta no Mundo Marino em parceria com o Sea World, não só nos shows, mas também para a comercialização de seus sêmen extraído por eletro ejaculação, o método de reprodução das orcas em cativeiro. Quando às autoridades recusaram uma permissão para deslocar Kshamenk para um aquário nos EUA, para reprodução assistida, foi somente permitido exportar seu sémen, embora a prole obtida a partir dele são uma continuação dos bens públicos que constituem Kshamenk como sendo da Argentina, e sobre o qual o SeaWorld não pode dizer que tem o direito de sua propriedade ou de seu lucro.

Desde 1992, quando Kshamenk foi capturado devido a um encalhe forçado pelo SeaWorld. Quatro orcas foram arrastados para a praia pelos barcos do SeaWorld, com uma rede estendida entre eles. As orcas encalhadas na areia permaneceram lá por muitas horas. Uma foi devolvido ao mar por ser demasiada grande. Um segundo morreu em trânsito e o terceiro colidiu contra as paredes da piscina em que foi introduzida, tentando sair, e morreu. O único sobrevivente das quatro orcas foi Kshamenk. Que por um tempo compartilhou de sua pequena piscina com a orca fêmea Belém, que morreu em fevereiro de 2000, deixando Kshamenk sozinho em seu cativeiro.

Se fosse libertado, ele viajaria grandes distâncias, mas a ganância comercial e o egoísmo humano transformado a sua identidade em um produto de mercado selvagem.

Kshamenk, como é mais um, entre os muitos animais infelizes prisioneiros de todos os aquários do mundo, e visto e tratado como um brinquedo público, sujeitos a exploração, que impunemente violam seus corpos e seus espíritos, onde as performances só são alcançadas depois de esmagar a vontade do animal através da punição corporal, o confinamento e a fome.

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Grande parte da comunidade científica, incluindo biólogos e veterinários, mantém uma posição muito crítica em relação à manutenção de orcas em cativeiro - especialmente para fins de entretenimento. "Não é só o Tilikum, todas as baleias em cativeiro são psicologicamente traumatizadas", diz no documentário a neurocientista Lori Marino, doutora em comportamento animal.

No Brasil, não é proibido manter orcas em cativeiro. Mas as regras são tão rígidas que inviabilizam shows em parques aquáticos. Só é permitido manter um bicho em cativeiro se os avós e os pais dele também forem de cativeiro, disse o Dr. Mario Rollo, doutor em ecologia de mamíferos marinhos e professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Para o veterinário Milton Marcondes, diretor de pesquisa do Instituto Baleia Jubarte, o que se ganha em conhecimento sobre as orcas não justifica o sofrimento que elas passam sendo mantidas em cativeiro. Ele explica que a falta de espaço tem consequências físicas e psicológicas para as orcas. Por exemplo, na vida selvagem, apenas 1% dos machos tem a barbatana dorsal caída, sinal de estresse. Já nos parques, praticamente todos os machos têm esse sintoma. O tempo de vida das orcas em cativeiro, no máximo 30 anos, é muito menor que sua média na natureza: 60 a 80 anos. E o convívio forçado entre elas é uma fonte constante de brigas. "Na natureza, se surge algum conflito, as orcas podem simplesmente nadar para lados opostos. No aquário, elas são obrigadas a conviver", explica Marcondes.

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Além do parque Aquário de São Paulo, existem aquários nas cidades de Santos, Ubatuba e Guarujá.

No Rio de Janeiro a construção do AquaRio diz que vai reunir 8 000 exemplares em uma área de 22 000 metros quadrados, já teve a construção embargada pela terceira vez.

No Pantanal o aquário com previsão de usar 1 milhão de litros de água, foi orçado em R$ 87 milhões, mas com o atraso das obras agora deve chegar a R$ 170 milhões, agora está sendo investigado pelo Ministério Público do Estado (MP-MS), que expediu ofício à Polícia Militar Ambiental (PMA), Instituto de Meio Ambiente do Mato Grosso do Sul (Imasul) e à Anambi, empresa responsável pelos peixes, solicitando informações para o inquérito civil dizendo que vai investigar o Aquário do Pantanal.

E da mesma forma que o Seaworld tem ligações com a cerveja Budweiser, a operação, manutenção e exploração do Aquário do Pantanal, será da empresa Cataratas do Iguaçu S/A, que venceu a licitação, e que já também administra o empreendimento turístico de Foz do Iguaçu, no Paraná, administra também outros pontos turísticos no Brasil. No Rio de Janeiro, o aquário em construção; em Pernambuco o Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha, e em São Paulo o Aquário do Guarujá.

Mas o fundo de investimentos Advent, que administra vários parques marinhos pelo mundo se tornou a acionista majoritário da empresa. Um dos parques do fundo é o Loro Park em Mallorca na Espanha, onde o grupo SOS Golfinhos conseguiu gravar um vídeo em que um tratador, agredia fisicamente e verbalmente os golfinhos.

Em Fortaleza, o Acquario Oceânico do Ceará, que promete esbanjar 15 milhões de litros de água, e está orçado em U$ 150 milhões, com a promessa de ser o terceiro maior do mundo, está com a construção paralisada devido a decisão da justiça.

Em Brasília alguns deputados já estão se mobilizando para criar a CPI dos aquários.

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Os cientistas envolvidos no campo do comportamento dos golfinhos sugerem que eles poderiam ser as criaturas mais inteligentes na terra, depois dos humanos, e mais do que os chimpanzés. Além disso, que eles devem como tal, ser tratados como "pessoas não-humanas", caso em que devem ter seus próprios direitos específicos e que eles iriam torná-lo moralmente e eticamente inaceitável para mante-los em cativeiro, ou essencialmente para matá-los, intencionalmente ou  captura-los.

Especialistas em filosofia, conservação e comportamento animal querem apoio para uma Declaração de Direitos de Cetáceos . Ele foi elaborado por um Grupo de Helsinque, após uma conferência em 2010 para os Direitos dos Cetáceos.

O projeto de lei estabelece que cada membro individual da ordem dos cetáceos (baleias, golfinhos e botos), tem o direito à vida e que ninguém tem o direito de possuí-los ou impor uma vida que compromete a sua liberdade, direitos ou normas. É um impulso para esses animais a serem protegidos sob a lei internacional. Os direitos juridicamente vinculativos que de uma só vez, faria com que os baleeiros, parques marinhos, aquários e outros locais de entretenimento, seriam impedidos de manter cetáceos em cativeiro.

"Onde há uma mente, existem sentimentos como dor, prazer e alegria. Nenhum ser senciente quer sentir dor, todos querem a felicidade"- Dalai Lama.

E vale a reflexão: Animais presos nos ensinam que na verdade eles devem ser livres!

Respondendo a chamada global para esvaziar os tanques, ativistas se reuniram a frente do Mundo Marino exigindo a libertação dos animais. 

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