18 de out. de 2014
O Antes e o Depois do Resgate de Animais do Instituto Royal
O Resgate dos Beagles como ficou conhecido tornou-se um marco e um símbolo da Defesa dos Animais no Brasil.
Ocorrido na madrugada do dia 18 de Outubro de 2013 foi filmado, fotografado e noticiado pela imprensa nacional e internacional. Entretanto a grande maioria omitiu que as manifestações contra o Instituto Royal começaram muito antes, há anos, mas nunca houve o diálogo solicitado pelos ativistas, atendidos pelo Instituto Royal.
Em 2012 o evento ‘Comboio pela Vida’, já conclamava as pessoas a se reunirem no dia 19 de agosto no vão do Masp, para de lá seguir para São Roque. Centenas de pessoas atenderam ao chamado dos Ativistas e dos Protetores e seguiram em carreata até o Instituto Royal e de lá denunciavam a crueldade dos testes em animais. Alguns veículos de comunicação até chegaram a noticiar o fato, que na época não gerou comoção entre as autoridades ou a população.
Em 2013 o “Comboio pela Vida II’, novamente conclamou as pessoas para no dia 22 de Setembro, acompanhar a carreata”. E novamente centenas de pessoas se solidarizaram com o sofrimento dos animais e seguiram até o Instituto Royal, que recebeu as reinvindicações dos ativistas.
Com o passar dos dias, sem que nenhuma das reinvindicações fosse atendida, alguns ativistas resolveram se acorrentar aos portões do Instituto Royal, em pleno feriado do dia 12 de outubro de 2013.
A partir dessa data a ação começou a somar forças com a movimentação organizada pelas redes sociais. O site da empresa foi derrubado por grupos como os Black Blocs e o Anonymus, e o endereço do Royal (com mapa para chegar) e outras informações que eles tentavam esconder do público, foram divulgadas.
A INVASÃO
A invasão aconteceu porque os ativistas que permaneceram dia e noite a frente do portão, não estavam suportando ouvir os cães ganindo, chorando e latindo muito. Era insuportável ficar ali sem fazer nada, e a informação do que estava acontecendo foi sendo passada até chegar às redes sociais.
Por volta da 1h da madrugada do dia 18 de outubro de 2013, centenas de pessoas se dirigiam ao local e ouviam os lamentos dos animais. Foi quando gritos ecoaram “ENTRAMOS, ENTRAMOS”!
E todos começaram a entrar pelo buraco da cerca. Mas os canis tinham portas de alumínio e portões de ferro, que foram abertos pelos anjos mascarados. Os Black Blocs, os Anonymous e o grupo do ALF (Frente de Libertação Animal).
Assim que a primeira porta foi aberta, o cheiro que saiu de lá foi insuportável, um bafo fétido. Não era cheiro de canil, era um cheiro de coisa podre, um ar pesado. Algumas pessoas se afastaram, algumas vomitaram, enquanto outros organizaram uma corrente humana a fim de ser mais rápida a locomoção dos cães de dentro dos canis, algumas protetoras, alguns rapazes e os Black Blocs estourando as outras portas para que os protetores chegassem até os cães.
Ao adentrar os canis, qual não foi à surpresa de ver dezenas de beagles apinhados num espaço minúsculo coberto de urina e fezes. Muitos cães. Muitos.
Começamos a retirada, o plano foi: corrente humana até o topo da escada, e lá no alto as pessoas tinham que correr com os cães por uns 400 metros até chegar aos carros pra colocar os beagles em segurança. Cães assustados, paralisados de medo sendo carregados numa corrente humana até o alto da escada.
Muitos cães com mutilações e feridas abertas, alguns bem inchados com cortes que sangravam. Outros com lacerações nos olhos e mucosas, alguns com muita dificuldade de locomoção, muitas fêmeas prenhas com escaras nas costas. O manejo dos cães teve que ser cuidadoso apesar de rápido, porque muitos cães choravam de dor e a maioria defecava, vomitava e urinava de puro medo. O pelo deles também se desprendia com facilidade da pele ferida. Tufos de pelo caíam pelo chão já coberto de fezes. Alguns cães eram muito pesados ou estavam muito machucados e erguê-los pra passar por cima de um dos muros do canil era muito complicado, e esse trabalho foi quase todo feito por homens, muitos deles encapuzados.
Os mascarados, uns com máscaras, outros com capuzes ou lenços, saíam dos canis como todos os outros: cobertos de fezes e urina dos beagles, algumas pessoas com alguns hematomas e outros com algumas mordidas.
Os maus tratos eram evidentes. Visíveis. A impressão era a de que todos aqueles cães já tinham sido usados em experimentos e, depois de usados, foram descartados numa espécie de depósito de cães.
Além dos beagles, foram resgatados coelhos, e alguns poucos ratos. Informações anônimas de pessoas que se diziam funcionárias davam conta de que os ratos e vários cães já tinham sido mortos a sangue frio e colocados num porão.
Em 11 de novembro de 2013, o site Contas Abertas divulgou que o valor de R$ 5,2 milhões, repassados integralmente ao projeto do Instituto Royal pelo Governo Federal, sem apresentar resultados foi considerada sigilosa. A decisão 1420 foi tomada em 27 de outubro de 2010.
Infelizmente para os animais, a imprensa não noticiou o fato de que ao mesmo tempo em o governo investiu milhões nesse projeto desnecessário que visava somente torturar animais, deixou no mesmo período, faltar itens básicos que salvariam milhares de vidas humanas. Em 2013, hospitais e postos de saúde não recebiam seringas de insulina, e foram orientados a reutilizar as existentes por até oito vezes.
Em 22/10/2013, o Deputado Ricardo Izar apresentou o Projeto de Lei n. 6602/2013, que: "Altera a redação dos artigos 14, 17 e 18 da Lei nº 11.794, de 08 de outubro de 2008, para dispor sobre a vedação da utilização de animais em atividades de ensino, pesquisas e testes laboratoriais com substâncias para o desenvolvimento de produtos de uso cosmético em humanos e aumentar os valores de multa nos casos de violação de seus dispositivos”.
Em 11/12/2013, o deputado Estadual Feliciano Filho, encaminha Projeto de Lei que, proíbe a utilização de animais para desenvolvimento, experimentos e testes de produtos cosméticos, higiene pessoal, perfumes, e seus componentes, no Estado de São Paulo, que tramitou em carácter de urgência na Assembleia Legislativa, que o aprovou em dezembro.
Em Janeiro de 2014, ativistas permaneceram acampados do outro lado da rua em frente ao portão principal do Palácio dos Bandeirantes, por quase uma semana, reivindicando que o governador promulga-se a lei.
E na manhã que sancionou a Lei 777/2014, o governador do estado de São Paulo Geraldo Alckmin, quebrou o protocolo e se juntou aos ativistas acampados em frente à sede do governo parabenizando-os pelo empenho. A medida ainda será regulamentada.
Alckmin disse que o próximo passo agora é uma lei federal. Ele se mostrou favorável a uma iniciativa no Congresso Nacional para tornar os testes em animais para produtos cosméticos proibidos em todo país.
Na Câmara dos Deputados em Brasília, há 21 projetos em discussão que tratam do uso de animais em testes de cosméticos tramitando em conjunto.
Em Porto Alegre funciona uma prestadora de serviços do Instituto Royal, a Genotox Royal. A empresa fica em uma incubadora dentro do Centro de Biotecnologia (CBiot) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), no Campus do Vale.
Enquanto uma lei federal não proibir os cruéis testes em animais, milhões de reais, que poderiam ajudar seres humanos, serão desviados para que mais e mais animais continuem a sofrer nesses ditos ‘experimentos’.
7 de ago. de 2014
Brasil e o Uso de Animais em Experimentações Científicas
“O Brasil é o país que terá coragem para liderar o diálogo sobre o uso de animais em experimentações científicas”.
A afirmação é do neurocientista Philip Low, feita no III Congresso Brasileiro de Bioética e Bem-estar Animal, realizado em Curitiba; segundo a qual há evidências científicas (Declaração de Cambridge), suficientes para garantir que, assim como os seres humanos, os animais também possuem consciência. O pesquisador citou o episódio do resgates dos cães beagles, ratos e coelhos do Instituto Royal ano passado.
Para uma platéia que lotou o auditório do III Congresso Brasileiro de Bioética e Bem-estar Animal, realizado entre hoje e quinta-feira (7) em Curitiba, Low disse acreditar que o caso dos beagles foi importante porque fez o país acordar para a discussão. “Eu teria feito diferente. Ao invés de sair quebrando as coisas, eles (os ativistas) deveriam lutar para mudar as leis para que os cientistas tenham novos desafios”, afirmou o cientista em entrevista ao CFMV. Ele se refere, por exemplo, à adoção de tecnologias não invasivas já existentes no mercado.
Low, que trabalha no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) nos Estados Unidos, disse ver o Brasil como um país aberto ao diálogo. “Vim da Califórnia por acreditar que algo muito importante está acontecendo neste país. Acho que a maior parte dos cientistas quer ajudar. Se as leis permitirem que eles usem ferramentas diferentes, eles usarão”, opina.
O neurocientista afirma que, embora tenha sido de muita utilidade, a experimentação animal apresenta diversas limitações. “Ela é feita por pessoas que querem ajudar a sociedade. Mas, por outro lado, há a a indústria de alimentos que mata animais sem nenhuma razão”, afirma. “O primeiro passo é fazer com que as pesquisas com os animais melhorem para que eles não sejam submetidos a sofrimentos. Acredito que, se fizermos os sacrifícios e os investimentos corretos, a experimentação animal poderá ser muito mais focada, limitada e ética”, avalia..
Com o rascunho original escrito a mão, Phip Low leu para o público presente a Declaração de Cambridge, manifesto publicado em 7 de julho de 2012 e assinado por outros 25 pesquisados de renome. O documento aponta evidências científicas suficientes para garantir que, assim como os seres humanos, os animais, como as aves, os mamíferos e certos invertebrados também possuem consciência.
Presente na palestra, o integrante da Comissão de Ética, Bioética e Bem-estar Animal (Cebea), do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), e professor da Universidade Federal de Pernambuco, o médico veterinário e PhD dr. Marcelo Teixeira afirma que Declaração de Cambridge é baseada em fatos irrefutáveis. “Ela não é baseada em teorias ou filosofias. A Declaração é ciência. E se a ciência mostra que há uma relação direta de similaridade entre a reação dos seres humanos e dos animais, isso tem que ser levado em consideração”, finaliza. As informações são da Assessoria de Comunicação do CFMV.
29 de jul. de 2014
Denúncia de Maus Tratos aos Animais no Hospital Veterinário do Piauí é Apurada pela OAB
A Comissão de Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Piauí, esteve reunida com o presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV), Antônio Auro e com a Coordenadora do Núcleo de Defesa dos Animais e também membro da Comissão Juliana Castelo Branco.
O encontro foi realizado na sede da Seccional para analisar as denúncias recebidas pela Comissão relativas às aulas práticas de Fisiologia do Curso de Medicina Veterinária da Universidade Federal do Piauí (UFPI) e instalações do laboratório do mesmo. Segundo as denúncias, os animais estariam sendo maltratados durante as aulas de Fisiologia e os laboratórios estariam, de acordo com a norma vigente, apresentando condições inadequadas em sua estrutura física, conforme publicado pela OAB/PI.
O vice-presidente da Comissão da OAB-PI, Esdras Nery, explicou que o primeiro passo é apurar a veracidade dos relatos, para isto, a Comissão encaminhou uma cópia formal das denúncias com representação para o Conselho Regional de Medicina Veterinária, Ministério Público Federal e Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Esdras Nery afirmou que em relação à possibilidade de maus tratos, cabe ao Conselho de Ética da UFPI, que já foi notificado, avaliar a metodologia utilizada nas aulas de Fisiologia.
Antônio Auro, presidente do CRMV, afirmou que irá apurar as instalações dos laboratórios do Curso de Medicina Veterinária da UFPI assim como as instalações do Hospital Veterinário da Instituição.
A ONG PEA – Projeto Esperança Animal, em sua página no facebook publicou as fotos e o texto abaixo;
Maus tratos e morte em Hospital Veterinário!
Professores de fisiologia do Hospital Veterinário do Piauí foram denunciados por usarem medicamentos vencidos e protocolo anestésico inadequado para a abertura de tórax, e, ao que tudo indica, cometerem um CRIME AMBIENTAL.
De acordo com a denúncia, o cão era sadio e o procedimento foi para simples demonstração. Além disso, o cão não estava entubado e nem cateterizado, tão pouco estava com pano de campo estéril. O professor e os alunos não estavam paramentados adequadamente (touca, máscara, luvas cirúrgicas, proteção para os pés, avental cirúrgico de manga longa). Os instrumentais estavam em cima da mesa e sem pano de campo estéril. Sem contar que o ambiente é de uma sala de aula e não de um centro cirúrgico.
O protocolo anestésico usado era inadequado para tal procedimento o que resultou em dor e sofrimento imensuráveis ao animal.
A prática desse professor levou o cão à uma morte lenta e dolorosa.
A denúncia está sendo investigada pela comissão da OAB-PI.
Veja o vídeo da crueldade cometida em sala de aula:
https://www.dropbox.com/s/38g2609r06y79qj/Tu%20matarás%20%281%29%20%282%29.wmv
Lute contra a crueldade: ASSINE A PETIÇÃO COBRANDO EXPLICAÇÕES E PUNIÇÃO AOS RESPONSÁVEIS!
https://secure.avaaz.org/po/petition/OAB_e_Ministerio_Publico_PI_Apuracao_e_punicao_dos_responsaveis_denuncia_do_Hospital_Veterinario_do_PI/?preview=live
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