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3 de fev. de 2015

Fumaça e Fogo no Circo com Animais de Cacá Diegues em Portugal

“Eu bati no elefante porque ele não queria fazer o exercício, e isso não nego. Não podemos deixar que um animal faça aquilo que quer, ou então não há respeito, e o domador não está ali a fazer nada”. Disse Victor Hugo Cardinali, dono do circo onde será rodado o filme ‘O Grande Circo Místico’ do cineasta brasileiro Cacá Diegues.


O incêndio que foi primeiramente percebido pelos defensores dos animais, não para de se alastrar em virtude das informações divulgadas em torno do filme a luz da realidade dos fatos.

O Grande Circo Místico tem tudo para ser o paradoxo de ‘Blackfish’. Durante a produção do filme ninguém pareceu se importar, mas ao receber a mensagem o mundo despertou, e hoje vários pessoas se mobilizam contra o SeaWorld e outros parques marinhos. O movimento mundial que luta pelo fim dos espetáculos circenses que utilizem animais mantendo-os em cativeiro forçado, sofrerá um duro golpe com um filme que ‘invoca’ a ‘ilusão dos animais nos circos’.

Cacá Diegues disse a Revista Época - “Vou filmar em Lisboa porque quando estava montando a produção descobri que no Brasil é proibido ter animais em circos. Como vou fazer um filme de circo sem um elefante, um macaco? Daí descobri que em Portugal existem ótimos circos”

Tentando dissipar a fumaça nas palavras do cineasta, fumaça essa que tentou encobrir a realidade, já que o Projeto de Lei que ‘Proíbe Animais em Circo no Brasil’, está há nove anos aguardando para ser aprovado. O PL 7291/2006, na forma de seu substitutivo, é a atual esperança para que os animais fiquem livres das torturas nos circos.
Onde Há Fumaça, Há Fogo

Curiosamente a ‘Proibição de Animais em Circo em todo o Brasil’, foi por várias vezes citada pelo cineasta a diversos outros veículos de comunicação junto da divulgação do filme ‘O Grande Circo Místico’, sem que nenhum desses fizesse qualquer questionamento ou observação sobre as primeiras das várias informações inverídicas que permeiam a produção do mesmo.


Tanto no Brasil como em Portugal, os defensores de animais se mobilizaram para dissuadir a produção de utilizar animais nas filmagens, em vão, já que o cineasta se declarou um fascinado por circos em sua coluna no Jornal O Globo, onde escreveu;
‘Sempre desconfiei da piedade escandalizada em relação aos animais de um circo. Eles têm casa, comida e roupa lavada, não precisam sair pela floresta correndo perigo e provocando a extinção dos outros, em busca de alimento. E, se por caso não se sentem satisfeitos, podem facilmente acabar com o domador e seus frágeis parceiros de espetáculo. A sobrevida dos circenses é a celebração dos animais.’ Slide29

Em outra matéria do Globo, Cacá Diegues diz - “Os fiscais não liberam nem para a gravação”. “Se ficarem sabendo, eles podem acabar interditando as filmagens”. E todas as cenas circenses — ou seja, boa parte do filme vai ser filmado em Portugal. “Não dá para fazer, sem bichos, um longa que se passa num circo, no início do século vinte”.

É um filme difícil de ser produzido e realizado, mas nunca estive tão excitado, relata o site do IG.


A produtora do filme Renata de Almeida Magalhães, que é também é esposa do cineasta, em comunicado enviado à Lusa, rejeitou, qualquer ideia de maltrato de animais e que estes serão utilizados em situações de um quotidiano de circo: "Não há nenhum motivo para que sejamos tratados como 'monstros-­que-maltratam-animais'". "A história do Circo Victor Hugo Cardinali assegura-nos que estamos trabalhando com uma das pessoas mais sérias do universo circense".

Os defensores dos animais em Portugal, tem uma definição bem diferente da produtora brasileira, e costumam se referir ao mesmo como o ‘confesso abusador de animais’. Depois de ter sido filmado espancando um elefante com o aguilhão, durante uma apresentação do circo que leva seu nome, Victor Hugo Cardinali tentou justificar seu ato a imprensa portuguesa. A confissão foi transmitida pela Rádio Clube Português.

As investigações sobre os maus-tratos ocorreram em vários circos portugueses, foram conduzidas pela Animal Defense Internacional – AID e pela ANIMAL ONG Portuguesa de Defesa dos Direitos dos Animais, que emitiu o relatório “Basta de Sofrimento nos Circos”, onde consta;

Durante a investigação da ADI-ANIMAL, haviam sete elefantes africanos no Circo Victor Hugo Cardinali, que eram mantidos acorrentados pelas pernas com correntes grandes e pesadas, sem serem almofadadas, durante todo o dia, até à hora do espetáculo, às 17 horas.

Tenho amigos em todo o lado disse Victor Hugo Cardinali em entrevista ao “i” . Conheço jornalistas, jogadores, treinadores, gente do teatro e do cinema, presidentes, advogados, engraxadores de sapatos, ladrões, prostitutas.

A última citação da imprensa portuguesa sobre o Circo Victor Hugo Cardinali, foi a da apreensão de nove leões pelo Comando Territorial de Lisboa no âmbito de uma ação de fiscalização feita em conjunto com o ICNF.

Tal como ocorre no Brasil a ‘apreensão’ foi reformulada. Os leões "ficaram confiados ao dono do circo, que é fiel depositário dos mesmos", mas que "não poderá utilizar os animais [nos espetáculos] enquanto decorre o processo no Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).
Em Portugal, a portaria Portaria n.º 1226/2009, proíbe a aquisição de novos animais, como elefantes, leões, macacos ou tigres, entre outros, e a reprodução dos que já existem nos circos. Por esta lógica, a lei apenas permite a exibição dos determinados animais existentes nos circos enquanto estes forem vivos, e sendo a reprodução proibida os animais deveriam ser esterilizados para que não gerem crias.

Cinco anos depois a Lusa foi perguntar aos dois principais circos que pelo Natal “desceram à cidade” como se estão a adaptar aos novos tempos. Apenas um deles, Miguel Chen, do circo com o mesmo nome, aceitou falar sobre o assunto. “Já mandei castrar todos os meus animais”, disse. O silêncio de Victor Hugo Cardinali não é de se estranhar – ele novamente teria que confessar o abuso, já que não castrou seus leões que continuam a exibir uma farta juba. (Após a castração os leões perdem a juba, já que esses ‘cabelos’ param de crescer).

Aqui sou rei, lá fora ninguém me conhece" disse Victor Hugo Cardinali recentemente ao Diário de Notícias.E é quase incontestável o ‘poder’ dele em Portugal – oriundo da conivência de políticos e de empresários que visam lucros independente da segurança das pessoas e do bem-estar dos animais. Apadrinhado pela TV e pela imprensa Portuguesa, que tenta conectar o circo a todo e qualquer tipo de espetáculo como o futebol – levou um leão a atravessar o estádio lotado de torcedores antes da partida.
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As investigações da ADI em diversos países levaram à conclusão de que o uso de violência no treino e condicionamento dos animais é uma ocorrência regular e faz parte da cultura do circo.

Envolto em labaredas de inverdades, a produção do filme ‘O Grande Circo Místico’ de Cacá Diegues, já deram início a vários capítulos enigmáticos, listados abaixo, de uma trama que pode se estender muito além do eixo Brasil-Portugal, e que irá prejudicar diversos animais pelo mundo com sua exibição que pretende enaltecer os circos com animais.

Em novembro do ano passado à Câmara Municipal de Lisboa, em votação aprovada por maioria, deliberou que não emitiria mais licenças a espetáculos circenses que incluam a exibição ou utilização de animais. A recomendação foi feita pelo PAN – Pessoas Animais Natureza, um partido político de Portugal, de inspiração ambientalista e fortemente voltado para a defesa dos direitos dos animais.

Se o filme ‘O Grande Circo Místico’, já tinha obtido uma licença para as filmagens com os animais no circo, essa informação foi omitida da notícia divulgada pela própria Câmara de Lisboa. O documento sobre as informações do ‘Filme Brasileiro filmado em Lisboa’, consta os locais das filmagens que ocorreram entre Janeiro e Março de 2015, e neste documento não aparece o nome do Circo Victor Hugo Cardinali e nem seu endereço. O documento também cita que haverá um apoio estimado da isenção de 9.957,41€, para o orçamento total de 4.500.000,00€, enquanto que no Brasil consta que o custo da produção seria de R$ 13.000.000,00.

Cita que no Brasil, a produção está em negociações com a Sony Pictures, que a TV Globo é parceira de mídia o que poderá proporcionar uma entrada forte no mercado. e que por último, preveem que este filme possa ser lançado no Festival Internacional de Cinema de Cannes em 2016 (festival onde o realizador exibiu grande parte dos seus filmes alguns em competição, para além de ter sido júri em todas as suas categorias).

O Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal (FNPDA), que é uma das maiores ONGs de proteção animal no Brasil, e que conta com mais de 100 afiliadas, em todas as regiões do país, enviou ofício para a equipe produtora do filme e recebeu uma resposta, que sugere que o cineasta e seus produtores não acreditam que estão cometendo um erro moral ao ilustrar o uso de animais em circo de forma positiva e que não irão ilustrar o sofrimento animal intrínseco ao uso de animais em circos.

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"Não estamos fazendo nada ilegal. E vou explicar porque também não estamos fazendo nada imoral", afirmou a equipe de produção do filme em resposta enviada ao FNPDA. As justificativas foram de que apenas cavalos, leões, elefantes e pôneis serão usados, e os animais foram adestrados e são atualmente usados nas apresentações do dito "renomado" circense português Victor Hugo Cardinali.


"Não posso entender no que isso implica em maltrato aos animais. Seria como considerar que um documentário sobre um circo que tenha animais configure em cumplicidade com suposto maltrato o que, definitivamente não é o caso", adicionou a equipe de produção de Diegues.
Com base na resposta da produção do filme, a alegação ‘não estamos fazendo nada ilegal’, não parece uma resposta apropriada para um filme que conforme divulgado por Cacá Diegues foi ‘proibido de ser filmado no Brasil’, enquanto que ao mesmo tempo é permitido que seja financiado por incentivos fiscais federais, já que é produzido com recursos ofertados pela Lei Brasileira do Audiovisual (LEI Nº 8685/93).

No Brasil a informação divulgada era que o custo de produção era de R$ 13.000.000,00, e que o filme será uma co-produção Brasil-França-Portugal. Em Portugal consta que apoio do Governo Português foi dado através do Instituto do Cinema e Audiovisual (cerca de 110.000 euros), e com isso também irritou os defensores dos animais.

A Associação Vida Animal de Portugal disse em um comunicado, que continuará a tentar chamar a atenção para a legislação desadequada e impedir que Portugal se torne o destino preferencial para quem pretenda explorar animais para entretenimento e não o possa fazer no seu país de origem".

Na sequência da petição pela retirada do apoio financeiro do governo português ao filme “O Grande Circo Místico”, a Associação Vida Animal, recebeu do Instituto do Cinema e do Audiovisual a seguinte resposta; ‘A entidade considera que não há fundamento para retirar o financiamento de 110.521,66 euros concedido ao projeto no âmbito do Protocolo Luso-Brasileiro e atribuiu-lhe entretanto outros 200.000 euros de apoio no âmbito do programa Coproduções Minoritárias’.

Assim, um projeto que não avançou no Brasil devido à ‘falsa-alegação’ de proibição de utilização de animais na produção, recebe agora 310.521,66 euros (dos quais 195.260,83 já foram pagos) dos cofres públicos portugueses, bem como a anuência das autoridades perante a exploração animal praticada nas filmagens e promovida e romantizada no filme.

- O Poema e suas Adaptações.
“O Grande Circo Místico”, poema de Jorge de Lima, está presente no livro ‘A túnica inconsútil’ foi escrito em 1938. Esse poema, originou diversas interpretações ao longo dos anos, como o balé, musicais, e até enredo de escola de samba, que foram adaptadas para a os espetáculos de mesmo nome, e que retrata a saga da ‘real’ família austríaca proprietária do Circo Knie.


Além de se dedicar ao desenho, à pintura e à escultura, foi o primeiro artista brasileiro a produzir fotomontagens. Em entrevistas, o autor declarou sua admiração pelo trabalho de Max Ernst, que lhe serviu de inspiração. O artista alemão alcançou a fama no período da Alemanha nazista.

- O Circo Knie foi fundado em 1803 pela família Knie e tem existido em sua forma atual desde 1919, quando se mudou de uma arena aberta para uma tenda coberta. O circo é famoso por apresentar números com diversos animais como; ursos polares, leões-marinhos, girafas, rinocerontes, camelos, avestruzes, orangotangos e pinguins – como também elefantes, leões, tigres, macacos, cavalos, lhamas e outros seus animais, e também há algum tempo agora opera um zoológico (Kinderzoo de Knie) e um museu em Rapperswil. Em 1999, Franco Knie foi nomeado Melhor Domador de Animais no Festival Internacional de Circo de Monte-Carlo . Atualmente o circo é uma empresa de capital aberto na bolsa de valores, operados por Fredy e Franco Knie em parceria com a companhia de seguros Swiss Life.

A Elefante Patma, nascida em 1961 é um dos animais mais idosos a continuar viva e trabalhando em espetáculos circenses. O Knie Zoo é famoso por oferecer aos visitantes contato direto com os animais. Elefantes, carregam de 4 a 6 pessoas em suas costas, Também é possível montar nos camelos, ou conhecer o Zoo, sentado em um vagão de trem que é puxado por um único cavalo! E no Zoo Knie os animais comem toda vez que alguém paga para alimenta-los. E consta que na Europa eles são considerados como um ‘exemplo’ de ‘bem-estar’ aos animais.
Slide16 - Os Animais e o Circo
- "Como fazer para conseguir a atenção de um elefante de 5 toneladas? Surre-o. Eis como". (Saul Kitchener, diretor do San Francisco Zoological Gardens)
Os “tratadores” dos animais de circo usam o método de Pavlov, ou seja, treinam-os usando o reflexo condicionado, através da dor e da privação de alimentos.

Os leões são chicoteados nas pontas dos dedos e no lombo até executarem a tarefa pretendida pelo domador. Durante o circo, o domador não chicoteia o leão, apenas usa o barulho do chicote, que animal reconhece e por condicionamento (através da dor) intimida-se e cede à vontade do domador.
Os macacos, por exemplo, são pontapeados e apanham estalos enquanto são treinados.
Os ursos são obrigados a pisar chapas de metal quentes ao som de determinada música. Durante o “espetáculo” os ursos ouvem a música que foi usada enquanto foram torturados e por reflexo movimentam-se, levantando as patas.
Não há muito tempo, nos Estados Unidos, a PETA levou a cabo uma investigação secreta nos bastidores do circo Ringling Brothers, um dos mais antigos do mundo, onde filmaram elefantes vitimas de maus tratos brutais. Os animais eram, e possivelmente ainda são, acorrentados e agredidos com aparelhos de eletrochoque e com ganchos de metal nas trombas, pernas e orelhas.

O posicionamento das pessoas contra a exibição dos animais no circo, advém principalmente das inúmeras denúncias e comprovações de que os animais são torturados, explorados e sobrevivem engaiolados, contrariando seus instintos e sua própria natureza.

O pensamento que os animais nasceram no circo, e apreciam executar ‘truques’ totalmente em desacordo de como viveriam na natureza – advém da forma deturpada como a mídia divulga a questão.
Cada animal utilizado em circo significa um emprego a menos, um artista desempregado, um malabarista no farol das grandes cidades, e um animal escravizado e condenado a viver pelo resto da vida enjaulado e sendo obrigado a desempenhar um papel completamente incompatível com sua natureza.

Ao proibir o uso de animais em circos, mais oportunidades de empregos para artistas humanos de talento inquestionável serão criadas. A diversão continua garantida e a sociedade será mais justa, visto que o exemplo dado às crianças será de esforço e superação humana, e não mais de exploração e dominação pela força.

Substituir animais por arte é uma tendência mundial e irreversível. Demonstra claramente a existência de civilidade que deve ser institucionalizada e valorizada.

Animais silvestres, nativos ou exóticos não foram concebidos para viverem em celas, jaulas, correntes, mas para harmonizarem-se com a natureza da qual fazem parte essencial; nem mesmo para viverem cativos no meio antrópico, nas cidades, fazendas, sítios, ou qualquer outro reduto que não o natural.

Muitos foram capturados na natureza e para isso, seus pais foram mortos.

Circos e similares que mantém animais em suas apresentações, utilizam-se de animais sofridos, maltratados, doentes, subnutridos, causando com isso posturas depressivas e até agressivas. Muitos tornam-se neuróticos, enlouquecem.
f6ca60b057a5b936a171f7f1e990ba47_jpg_290x478_upscale_q90 - O Big Brother Circense na TV de Portugal e o Circo Victor Hugo Cardinali

O ‘Big Brother Circense’, foi transmitido na televisão pela rede portuguesa TVI, no qual o Circo de Victor Hugo Cardinali foi convidado para integrar a produção do Reality Show. Foi criado pela Endemol a mesma produtora de televisão, que inventou inúmeros outros reality shows, que hoje se repetem pelo mundo. O “Circo das Celebridades”, levou um grupo de caras conhecidas da televisão portuguesa a viver e a participar nos espetáculos do circo com animais.

A verdadeira intenção do reality que pretendia manter a ilusão do circo com animais, através de sua mensagem subliminar, o qual poderia ter sido ‘vendido' nas joint ventures, nos 23 países, mantidos pela rede de entretenimento ano após ano, foi ‘suspenso’ após a divulgação do vídeo que mostrou Victor Hugo Cardinali a espancar repetidamente um de seus elefantes durante um espetáculo com o aguilhão. O que a maioria das pessoas desconhece é que apesar de ser um pequeno espeto de ferro - em relação ao tamanho do elefante, as espetadas abrem feridas na pele, que se transformam em doloridos abscessos.

Sem ter como negar a crueldade, e pressionado pela imprensa Victor Hugo Cardinali confessou no programa de rádio bater nos animais do circo como forma de obter respeito subjugando os animais pela dor. Os patrocinadores do Circo das Celebridades receberam milhares de e-mails dos portugueses contra o reality-show e contra o abusador confesso de animais.

A Associação Animal emitiu um comunicado onde citou; “A TVI está a tentar subestimar a inteligência do público, o que é de uma arrogância extrema. A verdade é que as empresas já não estão disponíveis para se associar a este formato”.

Em Portugal a lei que criminaliza os maus tratos aos animais, e que prevê multas e até penas de prisão para quem maltrate ou abandone é restrita aos ‘animais de companhia’, ou seja os animais maltratados nas touradas e nos circos não possuem nenhuma lei que os proteja, e seus agressores jamais são punidos.

A criminalização dos maus-tratos "não abrange os animais utilizados em exploração agrícola, pecuária ou agro-industrial, assim como os utilizados para fins de espetáculo comercial ou outros fins legalmente previstos". A lei limita o crime aos "animais de companhia". Significa que quem quiser matar um elefante à paulada no circo, ou espetar bandarilhas até a morte do touro, não pagará multa e nem será preso. Slide63

Tanto a TV como os jornais portugueses há muito apadrinharam os circos do país tanto que chegam a omitir o ‘nome’ do circo quando a notícia depõe contra esses. Quando 2 tigres fugiram após uma distração do tratador ao lavar a jaula e um deles foi para o rio nadar acompanhado por um cachorro era uma atração – o nome do circo que estava na cidade de Régua nunca foi mencionado.

Durante a investigação da ADI-ANIMAL, haviam sete elefantes africanos no Circo Victor Hugo Cardinali, que eram mantidos acorrentados pelas pernas com correntes grandes e pesadas, sem serem almofadadas, durante todo o dia, até à hora do espetáculo, às 17 horas.
A violência documentada vai desde os elefantes serem agredidos com ganchos e aguilhões de metal, e a serem espancados e agredidos na zona da cabeça; aos póneis serem chicoteados em todo o seu corpo e na face durante o treino, entre outros abusos que fazem com que vários animais reproduzam comportamentos perturbados e repetitivos.

Os elefantes eram vítimas de abuso físico perpetrado com um “gancho-aguilhão de elefantes”, sendo constantemente agredidos, assim forçados a formarem uma linha. Depois destas atuações, eles tinham direito a um exercício mínimo num espaço com cerca de 39 metros por 26.5 metros. Os elefantes não tinham acesso livre à água; em vez disso, era-lhes dada água em certos momentos.

Todos os elefantes do Circo Victor Hugo Cardinali reproduziam algum tipo de comportamento estereotípico. Em alguns momentos, todos os sete elefantes exibiam ao mesmo tempo este comportamento anormal. Mais uma vez, destacamos que estes movimentos repetitivos e sem sentido não são observados na natureza, de modo que, se sete elefantes num mesmo circo estão tão psicologicamente assustados e emocionalmente afetados de uma forma tão profunda, fica claro quão inapropriado é o ambiente dos circos para estes animais.

E era exatamente assim com os animais de todas as outras espécies que observámos. E ainda pior é o fato de que muitos animais nos circos nunca chegam a sair das suas jaulas e vagões de transporte para atuarem. Vários circos viajaram com animais que não atuaram. Foi o caso de dois macacos, um urso, um leão da montanha, um tigre e dois leões do Circo Roberto Cardinali e de seis tigres do Circo Victor Hugo Cardinali. Estes animais vivem em zoos móveis e completamente abaixo dos padrões mínimos aceitáveis.

Os tigres brancos do Circo Victor Hugo Cardinali desfilavam em espetáculos de circo sem qualquer grade a separá-los do público. No Circo Roberto Cardinali, as crianças podiam dar aos macacos garrafas de plástico, pão e pedaços de cartão. No Circo Victor Hugo Cardinali, não havia quaisquer sinais de aviso e o portão estava sempre aberto. Era possível a qualquer pessoa aproximar-se dos setes elefantes africanos, que estavam sem qualquer supervisão, cita o relatório, que pode ser lido na íntegra aqui.

Em outra ocasião, nove leões do circo Victor Hugo Cardinali, foram apreendidos pela Guarda Nacional Republicana - GNR, em Lisboa, por estes não terem registo ao abrigo da convenção sobre comércio internacional de animais selvagens – CITES.
images (10) - A Europa e os Circos

O lobby circense é tão forte na Europa, que o Parlamento Europeu fez uma proposta de resolução que reconheceria o circo como parte integrante da cultura da Europa. Ao mesmo tempo que a Diretiva 2010/63/UE do Parlamento Europeu, estabeleceu uma total proibição para a utilização de primatas superiores, como chimpanzés, gorilas e orangotangos, para fins científicos.

A Federação Mundial do Circo, tem como presidente honorária a Princesa de Mônaco – que há anos largou a realeza – pegou os filhos pequenos e foi viver no circo – o caso de amor coincidentemente foi com o dono do Circo Knie, que era domador de elefantes, e que colocou a filha da Princesa Stéphanie de Mônaco - Pauline aos 7 anos de idade, para atuar ao lado e em cima dos elefantes.

O Governo Português que tentou dar um passo para o fim dos circos com animais em Portugal, foi processado pela Associação Europeia de Circos, depois de a Comissão Europeia ter esclarecido que o uso de animais em circos era uma questão nacional.

As companhias de circo portuguesas que usam animais e a Associação Europeia de Circos – o lobby europeu dos circos com animais – anunciaram que iriam avançar com uma ação judicial, contra o Estado Português pelo fato do Governo ter decidido implementar legislação contra o uso de animais selvagens em circos.

A Associação Europeia de Circos alegou que a proibição implementada pelo Governo Português, assim como a proibição do uso de animais selvagens em circos implementada, em 2005, pelo Estado Austríaco, violam o artigo 49 do Tratado Europeu, no sentido em que, supostamente, estas normas violariam as regras do mercado livre e comum.

O único aparente avanço em Portugal foi a portaria publicada em Outubro de 2009, que proíbe a aquisição de novos animais, como elefantes, leões, macacos ou tigres, entre outros, e a reprodução dos que já existem nos circos. Por esta lógica, a lei apenas permite a exibição dos determinados animais existentes nos circos enquanto estes forem vivos.

A portaria 1226/2009, que “proíbe a detenção de espécimes vivos da família dos felídeos e não permite que se utilizem nestes espetáculos animais que tenham sido adquiridos ou reproduzidos após 90 dias da sua entrada em vigor em outubro de 2009”, parecia não ter validade no Circo Chen, que em 2011 foi denunciado pela venda das selfies entre criança e filhotes de tigres “com apenas alguns meses”, ilegalmente adquiridos e\ou reproduzidos.
Slide12 - O Circo no Brasil

A utilização de animais em circos já é proibida em onze estados brasileiros por constatações de maus-tratos, mas o Projeto de Lei para que a proibição seja ampliada para todo o país está há nove anos aguardando para ser aprovado. O PL 7291/2006, na forma de seu substitutivo (leia aqui), é a atual esperança para que os animais fiquem livres das torturas nos circos.

Os circenses hoje têm se organizado em algumas cooperativas, especialmente na região Sudeste. A maioria defende o uso de animais e de crianças trabalhando no picadeiro. A União Brasileira do Circo estima a existência de 2.500 circos e 30 mil artistas em todo o Brasil.

A Rede de Apoio ao Circo, tem sua base em Minas Gerais, e a Associação Brasileira de Circo (Abracirco), entidade nacional, foi fundada em 1977. Atualmente a Abracirco está empenhada em aprovar no Congresso a Lei do Circo para que a atividade circense seja regulamentada como um dos bens do patrimônio cultural brasileiro.

- O Tráfico de Animais iniciou-se nos Circos

Escondida por sob a lona dos circos, mora também o tráfico de animais que movimenta rios de dinheiro. Um dinheiro ‘livre’ de impostos em todo o mundo, usado para corromper governantes e legislações. “Agora também se tornou público que os responsáveis por este circo estão envolvidos com o tráfico de espécies exóticas e protegidas, o que demonstra mais uma vez a falta de sensibilidade que seus trabalhadores demonstram com os animais”.
O fato dos circos se locomoverem de uma cidade para outra cidade, de cruzarem estados e países, sem uma efetiva fiscalização - já que os animais não possuem um passaporte clínico interligado a um microchip, faz do circo a maior rota para o tráfico de animais que são além de serem obrigados a aprenderem truques para as apresentações, são também obrigados a procriarem entre membros da mesma família.
A Endogamia e a  Onicectomia (Ablação das Unhas), é prática comum nos animais utilizados para servirem ao entretenimento como o Leão Ariel.
Sem um passaporte clínico, a pouca legislação existente confere aos fiscais o poder de verificar papeis, sem levar em conta os indícios de que um animal, passa fome, sente dores, ou se teve filhotes recentemente e qual o paradeiro de filhotes que podem ser vendidos facilmente por milhões no mercado negro de animais.
Se até mesmo crianças humanas são traficadas pelos circos, como ignorar o tráfico de animais pelos mesmos.
Agua-para-Elefantes-12 - As Segundas Intenções e as Mensagens Subliminares
O site filmeb, descreve a produtora Renata Almeida Magalhães (esposa de Cacá Diegues), como sendo graduada em Direito e especializada em legislação de incentivo fiscal para cultura. Já a outra produtora Paula Lavigne, disse a revista Veja: "Virei uma prostituta cultural para fazer filme. Eu ofereço sociedade às empresas, mostro as possibilidades de retorno. É troca de interesses".


Cacá Diegues também protagonizou a maior polêmica sobre a concessão de patrocínio por empresas estatais, como a Petrobrás que financiou vários de seus filmes.

O verdadeiro conceito sobre mensagens subliminares têm sido muito mal interpretado pela maioria da população, as mensagens subliminares possuem um poder muito mais poderoso de influência pelo fato de fazer isso de maneira sutil, pela conivência como determinada coisa por mais absurda que seja, passa a ser normal e então passa a ser mais fácil aceitar tal coisa ou situação. Inserida em histórias e nos filmes, preenchendo o cenário sem destacar sua presença, mas para sempre perpetuada pelo cérebro.

O roteiro foi escrito em 2009 por Cacá Diegues com George Moura , é citado pelo cineasta como um "velho sonho". Sob o título de ‘O Grande Circo Místico’, apresenta uma resenha tão inocente quanto a história infantil da Cinderela – um mocinho rico e uma mocinha pobre que se apaixonam mas que não podem viver esse amor em decorrência de tudo e de todos que estão a sua volta. Uma história contada e recontada pelo cinema em clássicos que vão de ‘Casablanca’ de 1942, ao sucesso da trilogia ‘Crepúsculo’. E o motivo das pessoas não perceberem que estão assistindo sempre a mesma ‘história’, é a mensagem que é inserida por trás da ‘história’.

O melodrama revivido entre mocinhos e mocinhas, torna-se ínfimo no filme ‘Água para Elefantes’, no qual é impossível ficar indiferente a crueldade na qual os animais são submetidos. A mensagem subliminar repassada ao mundo, é a de que todos os circos com animais deveriam deixar de existir. Mensagem essa reforçada, após a comprovação documentada em vídeo de que - os elefantes usados no filme “Água para Elefantes”, foram verdadeiramente espancados e eletrocutados durante seu treinamento conforme divulgado pela ANDA.

Com o título ‘Hoje tem espetáculo’, Cacá Diegues, em sua coluna se declara ‘fascinado’ por circos - “O fascínio que eles exerciam sobre mim se reflete em meus filmes, nas referências de “Quando o carnaval chegar”, “Chuvas de verão” e “Tieta do Agreste”, além da homenagem de “Bye Bye Brasil” a uma daquelas caravanas nordestinas”. E acrescenta; ‘Sempre desconfiei da piedade escandalizada em relação aos animais de um circo. Eles têm casa, comida e roupa lavada, não precisam sair pela floresta correndo perigo e provocando a extinção dos outros, em busca de alimento. E, se por caso não se sentem satisfeitos, podem facilmente acabar com o domador e seus frágeis parceiros de espetáculo. A sobrevida dos circenses é a celebração dos animais.’

Mário de Andrade fez o seguinte comentário sobre o autor de ‘O Grande Circo Místico, "Jorge de Lima é um mundo de contradições por explicar e de dificuldades a resolver", e contradições não faltam na produção do novo filme de Cacá Diegues.

Em 1938 o poeta Jorge de Lima já denunciava a ineficácia das organizações mundiais na resolução dos conflitos: E nem o Sinédrio, nem os Conselhos, nem a Liga das Nações nada fizeram, nada resolveram, nada adiantaram. Diante de um mundo caduco, o poeta exclama: Estrangeiro, amigo, escrevamos para os nossos bisnetos fictícios, a história eterna do homem decaído e do mundo sem jeito.


“O circo ensina as crianças a rir da dignidade perdida dos animais”, a frase é Olegario Schmitt , Brasileiro, Poeta, Escritor, Fotógrafo, Editor e Web-Designer.

11 de dez. de 2014

Proteção dos Elefantes e Rinocerontes se torna ‘Projeto de Vida’ de Gigante do Basquete

(Vídeo) O gigante em altura e talento na NBA, o chinês Yao Ming, admite dar início ao seu maior projeto em vida, relacionado à proteção dos elefantes e rinocerontes no continente africano. Com 2,29m de altura, atuou na NBA - maior liga de basquete do mundo por oito temporadas e, três anos após anunciar a aposentadoria declarou; 

"Trabalhar pela proteção dos animais na África se tornou um estilo de vida para mim. Muitos rinocerontes e elefantes são caçados para terem o marfim extraído. Por isso tentamos persuadir as pessoas para que não comprem objetos feitos com esse material", explicou Yao Ming. "Toda vez que vejo uma peça de marfim fico triste porque sei o que existe por trás".

protecao elefantes-rinocerontes

Segundo estatísticas, no último ano foram abatidos cerca de 25 mil animais na costa oeste da África para a obtenção do marfim.

A estrela aposentada está usando sua fama internacional e seu estatuto nacional como uma das figuras públicas mais conhecidas da China, como um dos maiores heróis esportivos da nação servindo de mensageiro para tentar convencer os chineses para parar de comprar produtos feitos de marfim de elefante e de chifre de rinoceronte, na esperança de conter a demanda que está levando elefantes e rinocerontes perigosamente perto da extinção.

Conseguirá Yao Ming mudar a mentalidade do seu país? - Yao diz que a maioria dos chineses desconhecia a brutalidade com que o marfim era obtido, existia uma crença que o marfim vinha dos dentes dos elefantes, que caíam e que depois nasciam novamente. Agora com seu trabalho, a mentalidade do povo chinês vai mudar.

Ele também é o maior responsável por despertar o interesse dos mercados do Oriente acerca dos produtos da liga de basquete americana, a partir de sua transferência, Yao Ming teve a atenção atraída pela problemática da preservação dos animais na África. Muito embora seja uma marca cultural, o sacrifício de elefantes e rinocerontes vem se tornando cada vez mais comum nos últimos anos por conta da extração do marfim, material muito bem avaliado no mercado internacional.

Yao Ming foi convidado pela entidade WildAid - organização de proteção ao tráfico de animais selvagens, e para ir ao continente africano mostrar para os asiáticos, principais consumidores destes tipos de animais, os danos que esta prática causa às florestas. 

Na viagem que fez pela África filmou através de um documentário, as consequências do tráfico ilegal de elefantes e rinocerontes. Depois, o chinês seguiu para o norte do país africano, onde se deparou com diversos cadáveres de elefantes, com ferimentos graves na cabeça, causados pela extração do marfim.

A viagem do gigante à África, foi descrita por ele em um blog, onde ele descreveu seu primeiro encontro físico com dois dos últimos rinocerontes brancos, uma das espécies mais ameçadas de extinção de todo o mundo, Najin e Suni:

Estas são criaturas imensas e poderosas. Quando um deles me empurra, lembro-me da imensa pressão que eu costumava sentir quando eu tive que segurar Shaquille O'Neal.

Mas essa força não tem poder algum diante de uma bala ou armadilha de um caçador ilegal.[...]

É trágico conhecer esses animais impressionantes, que estão entre os últimos de sua espécie, só porque algumas pessoas acreditam que seu chifre, que é apenas queratina, como nossas unhas, tem propriedades curativas.

A transformação de jogador de basquete para ativista de vida selvagem começou em 2006, quando ele encontrou-se com membros da ONG WildAid, que rapidamente persuadiram-no a começar o seu trabalho como ativista na Shanghai Sharks, juntando-se à campanha para salvar tubarões através da pressão para que os chineses deixassem de consumir sopa de barbatana.

Bem relacionado na NBA mesmo depois de abandonar as quadras, Yao Ming agora embaixador da WildAid, reconhece que reestabeleceu contatos para divulgar o novo projeto. "Tem muitos jogadores da NBA que estão se unindo a nós nesta causa, aposentados ou não. Dwayne Wade, Jeremy Lin, Dikembe Motumbo e Joakim Noah foram alguns dos que já contribuíram. Eles propagandearam o projeto e fizeram um vídeo para convencer as pessoas a pararem de consumir o marfim", comentou.

O documentário foi dividido em vídeos, que podem ser vistos no canal Animal Planet.

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22 de set. de 2014

Dia Mundial do Rinoceronte

22 de setembro é o Dia Mundial do Rinoceronte (World Rhino Day). A data foi criada pelo WWF da África do Sul com o objetivo de destacar os esforços para a conservação das cinco espécies da família Rhinocerontidae encontradas no planeta, desmascarar os mitos e diminuir as demandas pelos cornos dos animais.

WorldRhinoDay

No twitter a campanha de conscientização se destaca com as hastags #WorldDayRhino e #SaveTheRhino.

Com tamanho avantajado, pele grossa e cornos poderosos, os rinocerontes são gigantes encouraçados que habitam as savanas da África e as planícies pantanosas da Ásia. Possuem uma dieta baseada em grama, caules, arbustos e folhas que são consumidos em grande quantidade todos os dias. Apesar de serem considerados agressivos – eles podem atacar para expulsar um intruso – geralmente são animais tímidos.

Infelizmente, seus cornos , compostos de queratina (mesma substância que encontramos em nossas unhas e pelos), são utilizados na medicina asiática tradicional há mais de dois mil anos para o tratamento de inúmeras doenças. No entanto, os raros estudos realizados ao longo dos últimos 30 anos, sobre as propriedades medicinais da estrutura, se mostraram inconclusivos. Recentemente os cornos também começaram a ser usados para a tratamento do câncer, mesmo sem artigos publicados que comprovem as propriedades anticancerígenas. Outro problema ocorre em alguns países do Oriente Médio, onde os cornos são usados na confecção de cabos ornamentados de adagas cerimoniais.

Com o objetivo de impedir a ação dos caçadores, algumas reservas cortam os cornos dos rinocerontes (eles demoram dois anos para crescer novamente). Os críticos dizem que a prática deixa os animais vulneráveis a predadores naturais. Os defensores alegam que a ausência da estrutura afasta os caçadores e reduz a quantidade de rinocerontes mortos por ferimentos em disputas por territórios e parceiros.

Segundo a IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês), três espécies são consideradas criticamente ameaçadas de extinção, uma vulnerável e a outra quase ameaçada. Nada mais justo do que um dia para lembrar da importância desses gigantes para o planeta.

O WWF destaca-se na luta pela conservação dos rinocerontes com o Programa Rinocerontes Africanos (African Rhino Programme) e com estratégias de conservação para os rinocerontes asiáticos. Clique nos links e ajude a salvar estes gigantes encouraçados.

7 de mar. de 2014

1º. Decreto Islâmico é emitido para a Proteção dos Animais na Indonésia

Invocando o Alcorão, o principal órgão clerical da Indonésia emitiram uma “Fatwa” (decreto islâmico), proibindo o Tráfico de Animais Silvestres e a Caça Ilegal de Animais em Risco de Extinção

Este é um passo sem precedentes no país com a maior população muçulmana do mundo, para a proteção dos animais.

fatwa

Para muitos, a palavra "fatwa" é desconhecida. Mas a fatwa em si é apenas uma chamada à ação. Invocando passagens do Alcorão, a fatwa, é acreditado para ser o primeiro de seu tipo no mundo.

A fatwa diz a 200 milhões de muçulmanos da Indonésia para terem um papel ativo na proteção e conservação de espécies ameaçadas de extinção, incluindo tigres, rinocerontes, elefantes e orangotangos.

"Este fatwa é emitida para dar uma explicação, bem como a orientação, a todos os muçulmanos na Indonésia sobre a perspectiva da lei em questões relacionadas à conservação animal", disse Hayu Prabowo, presidente do Conselho do Meio Ambiente de Ulama e corpo recursos naturais.

A fatwa complementa a lei indonésia existente. "As pessoas podem escapar regulamentação governamental", Hayu disse, "mas eles não podem escapar da palavra de Deus."

As criações de Allah

A fatwa foi inspirado em setembro de 2013 por uma viagem de campo para Sumatra por líderes muçulmanos co-organizado pela IndonésiaUniversitas Nasional (TANU) , WWF-Indonésia , ea sede no Reino Unido Aliança de Religiões e Conservação . Ministério do Ambiente e da Indonésia HarimauKita (o Tiger Conservation Forum Indonésio) ofereceu consulta adicional.

Durante um diálogo com a comunidade, com representantes da aldeia para discutir os conflitos entre os moradores e os elefantes de Sumatra e tigres, alguns dos aldeões perguntado sobre o estado no Islã de animais como elefantes e tigres.

Os líderes muçulmanos respondeu: "Eles são criações de Deus, como nós somos É haram para matá-los e mantê-los vivos faz parte da adoração a Deus.".

Hayu enfatiza que a fatwa se aplica não só aos indivíduos, mas também para o governo, observando que a corrupção pode ser um problema quando animais selvagens, florestas, e os interesses de setores como o negócio de óleo de palma entram em conflito.

A fatwa chama especificamente ao governo para rever as licenças emitidas para as empresas que agridem o meio ambiente e tomar medidas para conservar as espécies ameaçadas de extinção.

A fatwa vem em um momento em que o crime transnacional vida selvagem atingiu níveis sem precedentes, com encargos especiais sobre países como a Indonésia, que ainda são ricos em vida selvagem e plantas raras ou incomuns.

Ele vem em um momento, também, quando os governos estão lutando para criar leis e pagar para agentes para combater o tráfico de animais selvagens sindicatos criminosos que estão cada vez mais sofisticada e violenta.

O Conselho de Ulama espera que sua fatwa, que preenche a lacuna entre a lei formal e crime e dá uma forte orientação para os muçulmanos da Indonésia, ajudará a reduzir o tráfico de animais selvagens.

Ação da Indonésia é uma resposta à preocupação com os ecossistemas do país, em vez de quaisquer práticas islâmicas que envolvem a vida selvagem. Ainda assim, ao longo da história, a religião tem um papel importante como um motorista no consumo de espécies de animais, algumas agora criticamente em perigo.

Em 2005, o Dalai Lama chamou seus seguidores para acabar com o tráfico de animais selvagens . Recentemente, os homens de Nazaré Batista (Shembe) Igreja da África do Sul, uma igreja tradicionalista Zulu,começou a usar peles do leopardo do falso em suas cerimônias religiosas. Como mostrado na National Geographic "Adoração do Marfim da revista , "budistas na Tailândia e na China, assim como os católicos em todo o mundo, que recolhem estátuas religiosas em marfim continuar a desempenhar um papel no tráfico e consumo ilegal de marfim de elefante.

Fonte: National Geografic

17 de jan. de 2014

Luta pelos Rinocerontes (VÍDEO)

Em um esforço conjunto para salvar os rinocerontes quatro ex-marines norte-americanos, do esquadrão de elite Seal, largam a aposentadoria e vão para a África do Sul combater o extermínio de rinocerontes. Luta pelos Rinocerontes, é uma minissérie/reality que mostra o que acontece quando o esforço pela conservação da natureza vai além do ambientalismo ou de ações de comando e controle das instâncias governamentais e ganha contornos de guerra militar, e estão dispostos a reverter esse quadro.

Luta pelos Rinocerontes (vídeo)

Juntos, com as autoridades sul-africanas, eles tentam acabar com o negócio sangrento que também custou a vida de centenas de defensores dos animais. Eles chegaram à África do Sul uma semana antes do início da temporada em que os rinocerontes ficam mais vulneráveis - quando a lua cheia aumenta a visibilidade dos caçadores durante a noite.

Precisamos salvar os rinocerontes da extinção. Se não agirmos, meus filhos não conhecerão estes animais majestosos. Não podemos permitir que este extermínio motivado pela ganância continue", afirma Rob. Não é só uma missão, tornou-se uma questão de honra depois das cenas terríveis que presenciamos. Os melhores soldados são aqueles que lutam com o coração - esta causa faz parte de mim", diz Saw.

A nova minissérie do canal Animal Planet não só tem um protagonista que é a cara do ator norte-americano Chuck Norris, como sua premissa é de uma verdadeira batalha.

A África do Sul abriga 80% dos indivíduos da espécie em todo o mundo, mas nos últimos quatro ano, mais de dois mil animais foram mortos para a retirada de seus preciosos chifres, que no mercado ilegal podem valer até US$ 500 mil, por conta de suas supostas propriedades medicinais que curariam até câncer — o que nunca foi comprovado pela ciência. Nesse ritmo, estima-se que eles podem ser extintos localmente em menos de uma década.

Com imagens belas e dramáticas, o programa mostra a ação a partir do momento em que os combatentes chegam à região, às vésperas da temporada de caça. Já no início, o líder do grupo, Craig Sawyer, de 50 anos, que lutou na primeira Guerra no Golfo, dá o tom da tragédia: “A primeira vez que vi um rinoceronte, foi um rinoceronte morto”. Uma fêmea, com o filhote choroso ao lado.

Em entrevista coletiva a jornalistas latino-americano, da qual o Jornal Estado participou, Sawyer conta como essa luta conservacionista requer habilidades militares de combate para lidar com caçadores ilegais que, segundo ele, “são criminosos que fazem qualquer coisa por dinheiro e vão matar quem cruzar o caminho deles”. Leia a seguir os melhores trechos

Se essas pessoas não respeitam nem mesmo os direitos humanos, como convencê-las de que é preciso proteger os direitos dos animais?
Neste momento, alguns países vizinhos à África do Sul têm uma política de uso de arma de fogo contra os caçadores. Assim, fazendeiros, rancheiros e guardas florestais podem atirar num caçador e deixá-lo ali mesmo. E os países que implementaram essa política não têm mais esse problema. Acho que há nisso uma importante lição sobre a natureza humana. Algumas pessoas respondem à diplomacia e às leis, outras não. Nesse caso, elas devem ser tratadas à força. A África do Sul precisa endurecer sua legislação e criar punições mais severas contra caçadores ilegais de modo que a recompensa, que pode chegar a meio milhão de dólares no mercado negro na Ásia,  não supere o risco. Porque hoje há muito pouco risco para os caçadores na África do Sul. Se eles são pegos, vão para a prisão, mas por pouco tempo.

Você já tinha alguma vez imaginado que usaria suas habilidades militares nesse tipo de batalha? Qual é a diferença de lutar em uma guerra convencional e numa guerra em meio  à vida selvagem?
Eu cheguei a pensar em usar minha experiência militar, mas só por alto. Sabia que havia agentes das Forças Especiais ajudando a proteger rinocerontes ao longo dos anos, mas não era uma campanha largamente divulgada. Quando fui convidado a ir para lá, tive minha chance de contribuir. E foi uma experiência muito gratificante. Parecia a coisa certa a fazer. Me senti fazendo uma coisa boa para fazer do mundo um lugar um pouco melhor. Para fins de comparação, em muitos momentos é como uma operação de contra-terrorismo, mas em outros parece mais uma ação policial. Nós atuávamos como guardas florestais ou polícia, já que estávamos simplesmente defendendo aqueles animais.  Não é que íamos atrás dos caçadores, chutávamos suas portas e matávamos todos. Estávamos tentando capturá-los e prendê-los, em vez de matá-los, mas vamos encarar isso: muitos desses criminosos estão chegando de outros países com (fuzis) AK-47. E a primeira coisa que eles vão fazer se encontrarem patrulheiros é atirar e matar. Então temos de lutar para nos defender. Mas estamos lá para prendê-los.

Luta pelos Rinocerontes é produzida pela Aquavision TV Productions e pela NHNZ (Natural History New Zealand) para o Animal Planet.

15 de nov. de 2013

Rinoceronte Negro foi extinto em 2006

O Rinoceronte Negro (Diceros bicornis longipes), foi oficialmente declarado como extinto pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) esta semana. No entanto a ONG Salve o Rinoceronte, adverte que esse informe já ocorreu dois anos atrás, em 2011.

A IUCN tinha provas suficientes para declarar os rinocerontes negros extintos em 2006, mas o grupo de conservação normalmente espera cinco anos antes de fazer uma alteração no status das espécies ameaçadas, caso haja novas evidências em contrário.

rinoceronte-negro

A última vez que os rinocerontes negros foram vistos na natureza, foi no ano de 2003, de acordo com a Save The Rhino.

Os ultimos rinocerontes negros foram confinados a uma pequena região em Camarões e foram mortos por caçadores ilegais.A caça ilegal é a principal razão para a sua extinção e continua a ameaçar as três subespécie restantes do rinoceronte preto (o preto oriental, o preto centro-sul e no sudoeste preto). 

Consumidores na Ásia, principalmente do Vietnã, cobiçam os rinocerontes quase que exclusivamente por seus chifres, por dois motivos; como símbolo de status e também acreditam ser a cura para o câncer e para ressacas, de acordo com a ONG Save The Rhino.

"Imagine um animal andando por aí com um chifre de ouro, é isso que os caçadores veem, que é o dinheiro que eles conseguem por um chifre, por esse motivo é necessário segurança máxima com os rinocerontes", Simon Stuart, presidente da Comissão de Sobrevivência de Espécies da IUCN, disse a BBC Notícias em 2011, quando a organização fez o seu primeiro anúncio público da extinção do rinoceronte negro ocidental.

Stuart ainda teria dito de 25 por cento de todos os mamíferos na terra estão em risco de extinção, de acordo com o mesmo artigo.

Matar animais como o rinoceronte negro ocidental por esporte ou seus chifres aumentaram em 5.000 por cento desde 2007, de acordo com o Planeta Verde.

Se a caça ilegal continua no mesmo ritmo, o número de rinocerontes negros e brancos é estimado que a população entre em declínio entre 2015-2016 – isso significa que mais rinocerontes serão mortos ou vão morrer de causas naturais (rinocerontes podem viver até 50 anos de idade, de acordo com to One Green Planet) mais do que rinocerontes irão  nascer, de acordo com a Save The Rhino.

Fonte: University Herald