3 de nov de 2015

A triste história de Laika o primeiro ser vivo lançado ao espaço

(Vídeo) No dia 3 de novembro de 1957, a cadela Laika, foi lançada ao espaço, e se tornou o primeiro ser vivo a orbitar a Terra a bordo do foguete soviético Sputnik 2.
A triste história de Laika
A cachorrinha Laika era uma andarilha, foi capturada nas ruas de Moscou pelas autoridades soviéticas e promovida a cosmonauta. Dos 38 cães de porte pequeno capturados , Laika foi escolhida por seu temperamento calmo, sua obediencia e por sua inteligência durante o treinamento.

De todos os outros cães que também foram capturados, somente três foram escolhidos para passar por treinamentos mais intensos e estressantes de resistência a vibrações (simulador de voo), acelerações, cargas G em máquinas centrífugas, altos ruídos e permanência em compartimentos cada vez menores; Albina, Laika e Mukha. Elas foram colocadas em ambientes fechados e apertados por períodos de 15 a 20 dias. Os soviéticos tiveram bastante trabalho para adaptar o grupo de cães à apertada cabine do foguete.

A escolha de fêmeas se deu, entre outros fatores, pelo fato de que, ao contrário dos machos, elas não tinham a necessidade de ficar em pé e erguer uma perna para urinar, o que era impossível de ser realizado na pequena cabine pressurizada destinada ao cão dentro da nave. Dentre as três, Laika foi escolhida por sua personalidade tranquila e paciente.

Laika, recebia comidas em forma gelatinosa e foi acorrentada para que não se mexesse durante o lançamento. Havia um sistema de sucção de gás carbônico a bordo, com o objetivo de evitar o acúmulo do gás - assim como um gerador de oxigênio. Um ventilador era automaticamente acionado para deixar a cadela mais confortável. 

Moscou afirmava ao mundo que em poucos dias Laika retornaria numa cápsula espacial ou em um para-quedas. Mas apesar do que era divulgado, Moscou sabia, desde o início, que Laika não retornaria com vida de sua missão, pois o Sputnik 2 não possuía tecnologia para regressar à Terra.
Era uma viagem só de ida. Laika.  A cadela russa sofreu com o seu pioneirismo.

Fixada ao chão da nave com uma espécie de cadeira que a impedia de se movimentar e equipada com um recipiente para armazenar seus excrementos, Laika começa a uivar apavoradamente devido ao barulho ensurdecedor e às vibrações do lançamento. Seu ritmo cardíaco dispara e chega a três vezes acima do normal. As autoridades soviéticas contaram na época que Laika morreu sem sofrer nenhum trauma, cerca de uma semana após o lançamento do foguete.

Mas informações divulgadas recentemente garantem que a cadela morreu de calor e pânico, apenas algumas horas depois do início da missão. As novas evidências foram reveladas no recente Congresso Mundial Espacial, que aconteceu nos Estados Unidos, por Dimitri Malashenkov, do Instituto para Problemas Biológicos de Moscou.Sensores médicos inseridos no corpo de Laika mostraram que os seus batimentos cardíacos chegaram ao triplo do normal. A temperatura e a umidade da cápsula do Sputnik aumentaram muito após o lançamento do foguete.

Submetida a um cenário de pânico, um calor extremo e desespero, Laika finalmente morreu, entre cinco e sete horas depois do lançamento. A causa de sua morte, que só foi revelada décadas depois do voo, foi, provavelmente, uma combinação de estresse sofrido e o superaquecimento. 

Depois de algumas horas do lançamento, os soviéticos não receberam mais nenhum sinal de vida de Laika. Todos os outros 36 cães que os soviéticos enviaram ao espaço – tinham as mesmas caracteristicas que Laika.

O Sputnik 2 deu 2.570 voltas ao redor da Terra, carregando os restos mortais de Laika, até consumir-se na atmosfera no dia 14 de abril de 1958.

A deliberada morte de Laika, que foi o primeiro animal enviado ao espaço sem esperanças de ser recuperado desencadeou protestos e um debate mundial na época sobre o maltrato aos animais, e os avanços científicos à custa de testes com animais. Vários grupos protetores dos direitos animais protestaram em frente das embaixadas soviéticas.

Somente em 1988, após o colapso do regime soviético, que Oleg Gazenko, um dos cientistas responsáveis por mandar Laika ao espaço, expressou remorso por permitir a morte dela: "Quanto mais tempo passa, mais lamento o sucedido. Não deveríamos ter feito isso.... nem sequer aprendemos o suficiente desta missão, para justificar a perda do animal"..

O Dr. Vladimir Yazdovsky, um médico que trabalhou com cães espaciais da Rússia, descreveu Laika como "tranquila e encantadora." Ele a levou para casa para brincar com seus filhos na noite anterior, que ela foi colocada na cápsula.

"Eu queria fazer algo de bom para ela: ela tinha tão pouco tempo de vida."
 

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Bichos tristes em zoológicos inspiram livro infantil

Por que alguns bichos vivem soltos na floresta e outros ficam presos em zoológicos?

E os bichos domésticos, por que ficam dentro de casa?

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Divulgação, Pólen

Essas questões são um grande mistério para José, o protagonista de “José e o Mistério dos Bichos da Amazônia”, novo livro infantil da jornalista e professora universitária Liege Albuquerque, publicado pela Pólen Livros.

Para compor a obra, a autora se inspirou na filha, Catarina, hoje com a mesma idade do protagonista (sete anos), que queria entender por que os bichos de zoológicos pareciam tão tristes, assim como os cães e gatos abandonados nas ruas.

“Fui construindo a história com minha filha, nas noites de Sherazade, em que ficávamos conversando e inventando histórias antes de dormir. Aproveitei para romancear um pouco do ambiente mágico onde tive o privilégio de viver quando morei no interior do Estado, no interior do Amazonas”, conta a autora.

O livro conta como José descobre que existem pessoas más que “roubam” os animais da selva para vendê-los aos zoológicos. Triste, ele vai passar as férias na casa da tia, em Manaus, e então conhece os animais domésticos, que dependem do homem para sobreviver. Essa experiência faz com que ele compreenda que cada tipo de animal precisa de condições adequadas para viverem felizes.

O livro ainda conta com ilustrações primorosas de Carlinhos Müller, com quem Liege trabalhou por muitos anos no jornal “O Estado de S.Paulo”. As imagens reproduzem a grandiosidade da Amazônia, ajudando a contar essa história desse menino que quer espalhar para o mundo os segredos que ele descobriu.

“José e o Mistério dos Bichos da Amazônia”, de Liege Albuquerque, com ilustrações deCarlinhos Müller. Editora Pólen, 32 páginas, R$ 32,00.

Fonte: Blog do Aldo

30 de out de 2015

Declaração dos Direitos dos Animais

Animais tem direitos mesmo que as leis permitam sua exploração porque as leis humanas estão sujeitas aos interesses do legislador.

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As leis estão sujeitas ao espírito do tempo, à moral da época, aos limites geográficos, à cultura de cada povo e ao seu prazo de vigência.

Isso resulta que o que muitas vezes está na lei contraria o que parece ser razoável ou justo.

Conclui-se então que muitas vezes a legislação não goza de legitimidade.

Como diziam os romanos “non omne quod licet honestum est” (nem tudo o que é legal é honesto).

Animais devem gozar de direitos universais, embora nenhuma sociedade humana assim o reconheça.

Mural Animal, o blog à serviço dos animais - que são mais importantes do que a notícia.

23 de out de 2015

Caso Ursos Polares chega a CPI Maus Tratos de Animais

O caso dos ursos polares Aurora e Peregrino que se tornaram o símbolo do abuso da exploração de animais para o entretenimento humano será tema de audiência pública na CPIANIM - Comissão Parlamentar de Inquérito  Maus Tratos de Animais.

Cabe frisar que ‘exploração’ é também o termo que consta na designação de categoria junto aos órgãos públicos – “Atividade de criação e exploração econômica de fauna exótica e de fauna silvestre”.

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Entre a realidade dos fatos sobre a transferência e a origem desses ursos polares, e o que foi divulgado pelo aquário de São Paulo, existe uma névoa que encobre a dura realidade de outros 50.000 animais que hoje ‘pertencem’ aos zoológicos e aquários brasileiros.

Uma realidade que as emissoras de TV brasileiras fingem não ver, e que portanto colabora para que uma parte significativa da população não entenda a questão.

Esses ursos polares especificamente viviam há vários anos no Zoológico de Udmurtia, na cidade de Izhevsk/Rússia, onde o clima é muito similar ao seu habitat natural – neve no inverno e sol no verão, e como bem informou a Jornalista Tatiana Yan’Kova;

-“Infelizmente os ursos polares não são livres para decidir onde eles querem morar”.

O artigo no Jornal Evening Kazan, escrito pela jornalista relata que o diretor do zoo de Kazan confessa que esses ursos polares realmente viviam há muitos anos em Izhevsk, de onde saíram para vir ao Brasil - e que se trata de uma “viagem de negócios”, o que além de ser muito divergente do que foi divulgado, se constatado deverá ser devidamente tributado.

A importação de Girafas por um zoo de Santa Catarina, chegou ao Supremo Tribunal Federal depois que foi tributado, só foi revelado pelo jornal Valor Econômico.

No entanto a morte de uma das Girafas, depois de sua chegada ao Brasil não foi divulgada por nenhum outro jornal. Outra fato deturpado, é que isso originou-se da troca de Tucanos por Girafas com um zoo dos EUA.

Mas a verdade é que estas Girafas não vieram dos EUA, elas  vieram diretamente da África do Sul.

Temos então mais uma saga pela frente - apurar se essas girafas foram tiradas do meio selvagem ou se seus pais foram tirados da natureza, para assim ‘legalizar’ o nascimento delas em cativeiro.

Quando o escrevi o artigo informando que Aurora a fêmea de urso polar havia nascido livre no meio selvagem, e ela e sua irmã foram retiradas da natureza para nunca mais serem reintroduzidas, o aquário de São Paulo divulgou uma nota - já em tom de ameaça;

"Ursos polares não foram tirados da natureza", afirma Aquário de São Paulo –  foi o título da matéria no site do UOL;

"Qualquer afirmação pejorativa sem fundamento poderá sofrer medidas jurídicas",  foi o subtítulo na VejaSP.

Quanto a origem do macho de urso polar  Peregrino, ela ainda é um mistério, pois ele tanto pode ter nascido livre, como pode ter nascido em cativeiro, já que chegou ao Zoo Udmúrtia vindo do zoo de Moscou do qual as informações são contraditórias.

Já no caso das Girafas, o zoo brasileiro alegou ao STF, que é uma entidade que não tem fins lucrativos e que portanto está imune à tributação.

– A gente soube dessa tributação antes de os animais chegarem. Então, conseguimos na Justiça Federal uma liminar impedindo essa cobrança para conseguir a liberação deles na aduana – lembra o gerente do parque, Maurício Braun.

Dessa forma o zoo americano ficou no lucro, já que recebeu o seguro devido a morte da girafa e nem precisou devolver nenhum dos tucanos brasileiros que recebeu.

Para não correr o risco de serem tributados outros exploradores de animais não tem feito seguro de vida para o transporte internacional dos animais exóticos. Uma vez que as transferências são feitas em total segredo sem ninguém da imprensa divulgando, se o animal morre também ninguém fica sabendo e nenhuma autoridade investiga.

Afinal se um profissional cujo ordenamento exige que ele não deturpe, e nem falseie informações e siga um determinado código de ética, mas que ele opta por não seguir e mente  descaradamente sobre a origem de um animal, como garantir que ele não estará mentindo ao informar a causa da morte ao assinar o atestado de óbito do animal.

Por muitos anos os zoos tem alegado terem como missão a educação ambiental, no entanto os zoos particulares desrespeitam a  Lei 7.844/92 , a Lei Federal 10.741/03, e o Decreto 35.606/92 - que concede meia entrada para estudantes e idosos em estabelecimentos de diversões, eventos culturais,  e de lazer, pois não concedem o benefício.

Enquanto milhares de animais definham em instalações precárias dentro dos zoos brasileiros, o zoo de Santa Catarina disse que ainda nos próximos meses deve receber ainda mais alguns animais, entre eles três leões da Argentina, e um felino e um primata da Europa.

A lista de questões, dúvidas e imbróglios jurídicos, que envolvem essas importações e exportações de animais silvestres e exóticos são desconhecidas e ocultadas da população em geral.

Veja que o aquário ao divulgar que os ursos polares teriam vindo de um lugar pequeno e ruim, acabou provocando uma comoção nas pessoas, tanto para que elas ficassem favoráveis a permanência deles em São Paulo, não importando que no futuro esses animais podem além de ficar sem água e sem o ar-condicionado, nos apagões previstos devido a crise hídrica, e aumentando mensalmente a conta de energia elétrica de todo paulistano.

Resta agora apurar quais outras mentiras existem além da falsa história de Kazan, e de que eles teriam vindo em ‘caixas espaçosas e climatizadas’.

No último dia 8/10, através do requerimento Nº 82/15 – do Deputado Federal Ricardo Izar, que também é o presidente da CPI dos Maus Tratos aos animais, constou da pauta que; "requeiro, nos termos regimentais, que sejam incluídos convidados na Audiência Pública para esclarecer sobre o papel dos Zoológicos e Aquários, e sobre a importação de animais exóticos para tal fim, condições de bem-estar, manejo e maus-tratos, notadamente no que diz respeito à importação dos Ursos Polares, Peregrino e Aurora, provenientes da Rússia, para exposição no Aquário de São Paulo. Testemunhas/Denunciantes: 1 - Marli S. Delucca (Blogueira/Info-ativista); 2 - Adriana Khouri (Ativista, Química); 3 - Vania Tuglio - Promotora de Justiça do GECAP Investigados: 4 - Laura C. Reisfeld - Responsável técnica do Aquário de São Paulo".

Mas muito além de inventar uma triste história, tentando se passar por ‘salvador dos animais’, para assim atrair mais e mais visitantes, não será somente a equipe do aquário de São Paulo que terá que se explicar a CPI dos Maus Tratos de Animais.

Deverá ainda ser apurado qual órgão ambiental ou autoridade, autorizou que o Aquário de São Paulo expandisse suas instalações utilizando água do sistema alto tietê, já que o mesmo não possui poço artesiano – diante da maior crise hídrica na cidade, bem como infringir outras legislações.

Mas o maior engodo dessa história é dizer que esses ursos polares foram trazidos para a preservação das espécies – sendo que só o recinto que foi construído para eles utiliza mais de 15 condicionadores de ar - estão  contribuindo diretamente para a destruição do gelo no Ciclo Polar Ártico, e por conseguinte com para a morte de outros ursos polares.

Refrigeradores e condicionadores de ar liberam gases hidrofluorcarbonos (HFC), que podem ser milhares de vezes mais potentes do que o dióxido de carbono (CO2) em prender gases de efeito estufa na atmosfera, apontados como responsáveis pelo aquecimento global.

Receosos com as revelações na audiência,  a 'categoria' se uniu e pediu ao Sr. Goulart para participar da audiência na CPI, o qual através do requerimento Nº 95/15, solicitou que fossem incluídos como convidados;.

1- Mara Cristina Marques - Presidente da Sociedade Paulista de Zoológicos;

2- Yara de Melo Barros - Diretora Técnica do Parque das Aves, em Foz do Iguaçu (Sociedade Brasileira de Zoológicos);

3- Cristiane Schilbach - Membro da Comissão de Bem-Estar animal ;

4 - João Batista da Cruz (Fundação Parque Zoológico de São Paulo);

5 - Ricardo César Cardoso (Aquário de São Paulo)

Antes da votação, o Deputado Federal Ricardo Trípoli, relator da CPI de Maus Tratos aos Animais, pediu paridade entre as partes, e sua sugestão de que somente houvesse 3 expositores foi acatada por todos os outros deputados que deliberaram a favor do requerimento.

Restando apenas mais 10 dez dias para o término da CPI de Maus Tratos aos Animais, os deputados correm contra o tempo para apurar os temas que abrangem o maior número de casos de abuso e de crueldade contra os animais.

E se você compartilha desse sentimento de justiça e de direitos pelos animais, acompanhe a CPI nesse link http://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-temporarias/parlamentar-de-inquerito/55a-legislatura/cpi-maus-tratos-de-animais, ou com a hastag #CPIANIM .

Para saber mais detalhes sobre o caso dos ursos polares Aurora e Peregrino, veja os 10 Fatos sobre os Ursos Polares e o Aquário de São Paulo, ou acesse Facebook.com/FreeAuroraPilgrim (https://www.facebook.com/FreeAuroraPilgrim)

Além do casal, 50 mil animais cativos nos zoos e aquários precisam de você! (http://muralanimal.blogspot.com.br/2015/10/10-fatos-sobre-os-ursos-polares-e-o.html)

Uma grande parte da população não sabe o que acontece com os animais dentro dos zoológicos e dos aquários, e eles só vão saber se o caso chegar  à grande mídia, portanto compartilhe, copie e divulgue.

16 de out de 2015

Lobo-Guará em estado crítico é salvo por caminhoneiro

“É assim que se age com a natureza - é ajudando - não estragando, e nem matando os bichinhos igual vocês fizeram por ai não!”
lobo-guara
As palavras são de Milton Rodrigues, um caminhoneiro de coração, que essa semana salvou uma fêmea de lobo-guará da morte certa.
 
No vídeo postado em seu perfil no facebook, o caminhoneiro conta que o animal atravessou a estrada  enquanto ele trafegava e deitou exausto no acostamento. O caminhoneiro então  parou para tirar uma foto, quando então a fêmea de lobo-guará se arrastou para aproveitar a sombra que havia embaixo do caminhão.
 
Milton então percebeu que o animal estava morrendo de sede em meio a seca que assola o cerrado do Mato Grosso no qual a temperatura ele estima em 42 graus Celsius.
 
Com muita habilidade Milton colocou o animal para dentro do caminhão, molhou o animal e voltou a dirigir até encontrar um local mais fresco onde poderia tentar reanimar a fêmea.
 
Depois de percorrer 4 Km, Milton parou seu caminhão ao lado de uma mata na esperança de a sombra, o cheiro e a umidade oferecida pelas árvores, pudessem dar ao lobo-guará um motivo para viver.
 
E enquanto hidratava o animal dando-lhe pequenos goles de água, Milton além da lição de solidariedade sem a qual esse lobo-guará não teria sobrevivido, deu um recado a todos os covardes que maltratam animais, ao lembrar do caso da rara onça preta que foi morta a pauladas por homens de dentro do barco em um rio. (click aqui)
 
No vídeo Milton diz que não tem nada para dar de comer ao lobo-guará, mas depois de vários goles de água, os esforços do caminhoneiro são recompensados. A fêmea de lobo-guará se levanta, se estabiliza e entra mata adentro.
 
O que Milton Rodrigues e o Sebastião que filmou toda a ação não sabiam, é que eles não estavam salvando só uma fêmea de lobo-guará, eles salvaram toda uma região do cerrado, que também morreria se esse animal não tivesse sido salvo.
 
Apesar do nome, o lobo-guará assemelha-se mais a um cachorro tímido do que um lobo selvagem ou bravio. Apesar de comerem de tudo, o que eles mais gostam é de comer frutas, tanto que são chamados de “semeadores do cerrado”, porque suas fezes espalham as sementes e garantem que o cerrado continue vivo.
 
Sendo um animal de hábitos noturnos, mais ágil ao entardecer e ao amanhecer, os lobos-guarás preferem comer pequenos animais como roedores, como ratos, preá, e cobras
 
A preferida deles é a fruta da lobeira, uma planta nativa da América do Sul. As lobeiras e os lobos-guarás participam de uma relação chamada mutualismo, onde as duas espécies se ajudam: as lobeiras fornecem frutos que são consumidos pelos lobos, e os lobos liberam em suas fezes as sementes das plantas, ajudando para que germinem novas lobeiras por onde passam.
 
Entre suas frutas preferidas estão a fruta-do-lobo ou lobeira, o pêssego, maracujá, goiaba, etc. Além disso, é atraído por cheiros fortes, assim o avanço das cidades em seu território, faz com que o lobo-guará seja atraído para as lixeiras das pessoas.
 
Quando um macho encontra uma fêmea, eles se tornam um casal por toda a vida, e precisam de pelo menos 2.500 hectares de terra para sobreviver (equivalente a 2.500 campos de futebol).
 
Ao herói Milton Rodrigues, o caminhoneiro amigo dos animais e do meio-ambiente, nossos agradecimentos por ter salvado esse animal que está em risco de extinção mesmo que as autoridades não admitam.

Policiais se arriscam para salvar cachorro de forte correnteza após avalanche

As cenas são impressionantes, e quando tudo parecia perdido, a determinação, a coragem, e a solidariedade desses homens é que tornou possível o resgate do cão que se tornou depois o mascote da corporação.

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Fortes chuvas na Colômbia desencadearam inúmeras inundações e um deslizamento de terra causou a destruição generalizada na cidade de Salgar.

Mas fora da devastação um incidente de uma vida salva está fazendo manchetes em todo o mundo.

Nas imagens divulgadas pela própria polícia da colômbia mostra o desespero do cão sendo arrastado pela forte correnteza do rio.

Enquanto os oficiais corriam ao longo da margem do rio para tentar alcançar o animal, o cão continuava a ser arrastado rio abaixo sem poder fazer nada, quando, finalmente, um oficial pulou nas águas furiosas e conseguiu pegar o cão.

Os policias imediatamente efetuaram os procedimentos de ressuscitação, que incluem a respiração boca-a-boca. E o cão que parecia sem vida, lentamente começou a acordar do terrível pesadelo, pelo qual havia passado.

Apesar das terríveis cenas mostradas no vídeo, o cachorro teria sofrido ferimentos leves depois de bater em várias rochas ao longo do rio.

A inundação repentina desencadeada pelas fortes chuvas foi o pior desastre da Colômbia desde 1999. Pelo menos 84 pessoas morreram.

 

15 de out de 2015

Ampara Animal lança petição com pedido liberação do UmaVet ao CRMV-SP

Apoie este Abaixo-Assinado. Assine e divulgue. O seu apoio é muito importante.

Campanha dirigida ao @crmv_sp #CRMV-SP libera #UmaVet #AmparaAnimal

Click aqui para assinar a petição criada pela Ampara Animal

umavet-amparaanimal

Os abaixo-assinados solicitam o registro e liberação urgente e imediata da Unidade Móvel de Atendimento Veterinário, a UMAVet, de propriedade da OSCIP AMPARA Animal, a fim de atender às necessidades da população que não dispõe de condição financeira e necessita que seus cães e gatos sejam esterilizados e recebam um pré atendimento veterinário, controlando assim a superpopulação de animais domésticos nas ruas, em comunidades e logradouros carentes.

Na certeza de sermos atendidos, encaminhamos esse documento.

Juliana Camargo
Presidente- AMPARA Animal - Associação de Mulheres Protetoras dos Animais Rejeitados e Abandonados
CNPJ 12.791.298/0001-84

Urso Polar levado para Santuário tem transporte invadido por imigrantes

O segredo do sumiço do filhote de urso polar acabou sendo revelado ao mundo quando imigrantes invadiram o caminhão em que ele era transportado.

Aos 22 meses de idade,  Nissan é o primeiro filhote nascido dentro de um zoológico russo a ser encaminhado para um santuário.

Urso Polar levado para Santuário

Nissan, foi o primeiro filhote de urso polar a nascer no zoo de Udmúrtia, cidade de Izhevsk na Rússia, mesmo local onde o casal Aurora e Peregrino viveram os últimos quatro anos de sua vida.

Enquanto Nissan foi mandado para um paraíso natural, o casal de ursos polares foi trazido para viver dentro de uma vitrine artificial.

Do nascimento de Nissan em 12 de dezembro de 2013, até que sua mãe Dumka o levasse para fora da toca, sua evolução foi toda filmada (veja o vídeo). Mas tão logo descobriu se que ele era do sexo masculino, seu destino tornou-se incerto. Os zoos russos como em todo mundo não tem interesse em manter animais que não podem procriar.

Veja o vídeo de como foi a preparação para o nascimento de Nissan, e conheça como era a vida do urso polar Peregrino na Rússia (click aqui)

E mesmo que na natureza os filhotes de urso polar costumam se alimentar de leite materno e ficar com suas mães em torno de até seus dois ou três anos. Os zoológicos russos tem por hábito cortar esse vínculo quando os ursinhos tem em torno de 1 ano de vida.

O triste destino dos ursos polares de vaguear de um lado para o outro em gaiolas minúsculas sobre recintos estéreis de cimento, não alcançará esse ursinho em especial. Conforme boatos o padrinho de mesmo nome do urso, depois de saber qual seria o destino de seu afilhado, utilizou-se de seus contatos e de sua influência para garantir que esse urso polar tivesse uma vida digna e em um ambiente similar ao que encontraria se estivesse em seu habitat.

E como de praxe, a saída de Nissan do zoo de Udmúrtia foi mantida em segredo, pois desde que a população russa ficou ciente da venda e do aluguel de ursos polares, pelos zoológicos russos para os zoos estrangeiros, a publicidade negativa com as manifestações contrárias e os abaixo-assinados  contra as transferências dos animais, tem ocasionado uma menor bilheteria e um aumento da conscientização das pessoas de que os zoológicos visam mais o dinheiro do que a preservação dos animais.

No entanto o segredo acabou sendo revelado ao mundo, quando imigrantes ilegais invadiram o caminhão em que Nissan estava sendo transportado.

Nissan foi transportado não sabe como (carro/avião da cidade de Izhevsk) para Moscou. Lá a caixa de transportes foi maquiada – e recebeu várias pinturas indicado que o urso polar era do zoológico de Moscou. De lá por via aérea até Frankfurt, de depois por transporte rodoviário e marítimo.

Leia também: 10 Fatos sobre os Ursos Polares e o Aquário de São Paulo

No porto de calais, local conhecido como canal da mancha que faz a ligação para o Reino Unido. Imigrantes ilegais abriram a porta traseira do caminhão para entrar e poderem se esconder e assim atravessar a fronteira.

Alguns imigrantes ao perceberem que havia um urso polar dentro da caixa de madeira, pularam do caminhão imediatamente, mas outros imigrantes mais corajosos ficaram ali dentro mesmo com Nissan rugindo. No entanto os imigrantes não contavam que o caminhão de Nissan estava sendo seguido por uma equipe do próprio santuário que vinha atrás monitorando e filmado a viagem do animal rumo ao seu novo lar. A equipe então avisou a polícia que parou o caminhão, retirou os imigrantes, e assim Nissan pode seguir com sua viagem .

Nissan, tornou-se o terceiro urso polar a morar no ‘Projeto Polar’ do Yorkshire Wildlife Park, um das maiores reservas para os ursos polares do mundo, e que funciona como um semi-santuário, já que há um rígido controle de público. A área tem o tamanho de dez acres com montes paisagísticos naturais, vales e  lagos com até 8 metros de profundidade de água.

Dois outros machos já moram no santuário,  Victor de 16 anos e Pixel de dois anos de idade.

O Projeto Polar, é centro para a conservação do urso polar, para o seu bem-estar. O Projeto está levantando fundos para ajudar outros ursos polares em quaisquer outros países.

Veja como foi o transporte do casal Aurora e Peregrino (click aqui)

Nissan faz parte do programa de melhoramento Europeu (EEP) e YWP desempenha um papel crítico neste segurando homens aposentados como Victor ou jovens do sexo masculino, como Pixel e agora Nissan que não estejam a ser necessários no programa de criação ..

O Projeto Polar foi concebido para replicar a tundra seu habitat no circulo polar ártico e com uma área de 10 acres dá-lhes o espaço que necessitam para que eles possam se comportar naturalmente. Os machos desfrutam da companhia uns dos outros na natureza, e por isso é muito natural em se manter machos juntos em cativeiro.

O zoológico de Izhevsk que recentemente entrou para a lista dos 25 melhores zoos da Europa, tem agora dois casais de ursos polares.

 

12 de out de 2015

10 Fatos sobre os Ursos Polares e o Aquário de São Paulo

Desde Abril desse ano a imprensa brasileira tem dado destaque ao casal de ursos polares Aurora e Peregrino. No entanto a verdadeira trajetória desses animais tem sido omitida e na maioria das vezes inventada.

ursos-polares-aquario

Mas os principais fatos que você precisa sobres os Ursos Polares no Aquário de São Paulo são;

1- Aurora e Peregrino vieram do Zoo Udmurtia na cidade de Izhevsk, onde viviam com muito espaço em um clima similar ao do seu habitat natural;

2- Esses ursos polares foram transportados em caixas sem nenhum tipo de refrigeração da Rússia ao Brasil, em uma viagem de aproximadamente mais de cinco dias;

3- Aurora nasceu livre na natureza, e a origem de Peregrino ainda é um mistério já que ele chegou a Izhevsk vindo do Zoo de Moscou;

4- O ‘recinto’ cenográfico fechado criado em São Paulo para abrigar o casal de ursos polares é similar ao que foi criado pelo Seaworld Orlando, onde dois ursos polares morreram; (click aqui para saber mais)

5- Para imitar o polo norte o ‘recinto’ cenográfico utilizou tinta, que pode conter altos níveis de chumbo, um metal tóxico que se acumula no organismo dos animais onde pode permanecer durante anos, causando doenças e morte;

6- O uso de condicionadores de ar liberam gases hidrofluorcarbonos (HFC), que podem ser milhares de vezes mais potentes do que o dióxido de carbono (CO2) em prender gases de efeito estufa na atmosfera, apontados como responsáveis pelo aquecimento global;

7. A água utilizada no aquário de São Paulo advém do Sistema Alto Tiete, e além dos 4 milhões de litros já captados, há ainda um consumo mensal de 40 a 50 mil litros;

8. Homologado como Jardim Zoológico, o aquário de São Paulo, não possui nem jardim, nem terra e nem vegetação natural dentro das vitrines onde são mantidas as 3000 espécies de animais que eles alegam ter;

9. Zoológicos alegam ser estabelecimentos educacionais – mas no Aquário de São Paulo não há venda de meia-entrada para estudantes e idosos;

10. Se não há benefício para os animais em serem expostos no Aquário de São Paulo, uma vez que não podem exibir seus comportamentos naturais por estarem um ambiente estéril e artificial, e se isso gera maléficos para o meio-ambiente, como pode ser chamado de educação-ambiental.

A História de Aurora e Peregrino

Aurora e sua irmã Victória nasceram livres na natureza. Em 13 de Maio de 2010, elas foram encontradas ‘sem a mãe’, e como a lei russa proíbe a caça e a captura de ursos polares, foi concedido uma licença especial para que elas fossem levadas ao zoológico Roev Ruckey em Krasnoyarsk na Sibéria, onde foi estimado que elas tinham entre 4 e 5 meses de vida.(click aqui para ver o vídeo das irmãs)

Aos dois anos de vida Aurora foi separada de sua irmã e levada de Krasnoyarsk em 14/11/2011, em um viagem de mais de 3 mil quilômetros de distancia para o Zoo de Udmurtia na cidade de Izhevsk, para se tornar a noiva do urso polar macho Peregrino cuja origem ainda é incerta.

Em Fevereiro de 2009, um filhote macho de urso polar chegou a Udmurtia, no qual o zoo em seu site informava que ele teria vindo do zoo de Kazan, para a escolha do nome foi aberto um concurso onde as condições era de que ele deveria ter as letras ‘P’ e “M’ em seu nome, em homenagem a seus pais o macho Permjak e a fêmea Maleisha.

Alguns meses depois esse urso polar ‘desaparece’ de Udmurtia, e depois novamente um filhote macho aparece e a informação na imprensa é que ele teria vindo do zoo de Moscou.

O recinto para abrigar ursos polares no zoológico de Udmurtia foi construído em 2008.

A área do recinto principal mede 40 metros de comprimento e 25 metros de largura com uma piscina de 500 m³ equivale a 5000 mil litros.

A área do recinto extra também ao ar livre, tem 22 metros comprimento e 18 metros de largura de 18 m e a piscina de 150 m³.

As duas piscinas tinham sistema de aquecimento, isso porque a cidade de Izhevsk tem um clima marcante entre o verão e seu inverno.

Click aqui para ver o vídeo do recinto do zoológico de Udmurtia.

Nos últimos anos as temperaturas no verão oscilaram em uma média de 20° C à 25° C , no qual os ursos polares aproveitavam para tomar longos de banhos de sol, isso porque sob os pelos aparentemente brancos, existe uma pele escura de cerca de 12,5 cm de espessura  sob a pele do urso polar que serve como isolamento térmico que absorve a luz do sol, fornecendo ao animal a quantidade de calor suficiente para sentir-se confortável. Além do que sem a radiação ultravioleta (tipo de energia emitida pelo sol), os ursos polares não tem como absorver a vitamina D é um nutriente produzido pela pele através da absorção dos raios solares, que é essencial tanto para o desenvolvimento quanto para manutenção da integridade óssea dos ursos polares.

No inverno quando as nevascas baixam a temperatura drasticamente, as piscinas são aquecidas pois a água a menos de + 7 ° C começa a congelar.

Em 16 de Novembro de 2013, o zoológico fez uma festa de casamento para Aurora e Peregrino (click aqui para ver o vídeo)

A polêmica criada pela imprensa brasileira

Há 500 A.C Sidarta Gautama o Buda, erigiu, como primeiro preceito, o respeito e a proteção da vida dos animais não-humanos e humanos.

Desde então o Budismo ensina que devemos ter respeito pelos animais e que são seres sencientes. Ao longo dos séculos, ilustres personagens da história mundial como  Pitágoras, Leonardo da Vinci, e Charles Darwin levaram a uma reviravolta no debate sobre a questão animal,  do bem-estar, à difusão do conceito dos direitos animais e ao surgimento de um movimento abolicionista, em favor do fim do uso de animais pelos seres humanos.

São Francisco de Assis considerava os animais como nossos irmãos menores, e o Papa Francisco por meio de uma Carta Encíclica,  condenou o sofrimento aos animais (veja aqui). “O poder humano tem limites e é contrário à dignidade humana fazer sofrer inutilmente os animais e dispor indiscriminadamente das suas vidas.

E para os céticos que só acreditam na ciência, existe a Declaração de Cambridge, formulada a partir da descoberta de que um ser mesmo impedido de falar e de movimentar é uma das mentes vivas mais brilhantes dos tempos atuais. Há trinta anos uma doença degenerativa impede o renomado físico Stephen Hawking, de falar e de se movimentar. Desde então aparelhos que detectam seus pensamentos tem permitido que sua mente possa ser ouvida. Há alguns anos o cientista Philip Low com a ajuda de Hawking desenvolveu um scanner cerebral chamado de IBRAW. A tecnologia reconhece a atividade cerebral e a transforma em palavras. Com o IBRAW foi possível verificar que atividade cerebral dos animais não-humanos; sensibilidade , consciência , subjetividade , a capacidade de experimentar ou sentir , a vigília , ter um senso de individualidade , e do sistema de controle executivo da mente era idêntica aos seres humanos. A declaração da consciência em animais não-humanos", assinada por diversos cientistas foi durante conferencia em memória de Francis Crick, co-descobridor da molécula de DNA, que apregoava que“O cérebro é a alma. E a alma é um ser vivo, dotado de razão e livre-arbítrio.”

Enquanto a imprensa estrangeira elucida a população mundial dos abusos e das crueldades as quais os animais são submetidos ao serem retirados de seu habitat natural, para serem exibidos em circos, zoológicos e aquários em condições análogas a sua biologia, a imprensa brasileira tem se mostrado inapta e tendenciosa, optando por exaltar alguns pontos ao mesmo tempo que omite as questões fundamentais.

O “merchandising”, que é o aparecimento em entrevistas, na Tv, no rádio, revistas, jornais, e artigos publicados inseridos nos meios de comunicação em massa que estamos acostumados, que, a pretexto de ventilar novidades, se presta, na verdade, a veicular inverdades, iludindo o público acerca do verdadeiro objetivo da reportagem é considerado ato ilícito pelo ordenamento jurídico Brasileiro.

Duas grande emissoras de TV produziram animações para convencer os espectadores que o casal de ursos polares haviam sido transportados em ‘caixas espaçosas e climatizadas’, sendo que a verdade foi que a fêmea foi transportada em uma caixa de madeira e o macho em um container de metal. Para que os ursos polares pudessem respirar foram feitos diversos buracos nas caixas, conforme pode ser visto nas fotos e no filme divulgado pela imprensa russa, que sem saber o que era falado em português, reproduziu o palavrão com que os ursos foram recepcionados no aquário de São Paulo (click aqui para ver o filme)

Para o transporte do casal de ursos polares não foi feito seguro de vida. O seguro de vida feito para a transferência de Girafas gerou uma cobrança de impostos e uma dor de cabeça para um certo zoológico brasileiro, o caso está sendo julgado pelo Supremo Tribunal Federal.

Vivendo no zoo em Izhevsk, os ursos polares foram colocados nas caixas sem refrigeração para uma viagem de mais de 1.200 Km de distância até Moscou, uma média de 20 horas de viagem, dado idêntico ao que foi informado por Alexander Malev ao jornalista Marcelo Duarte do Guia dos Curiosos. Se eles tivessem saído de Kazan como afirmado por Malev a viagem seria em torno de 12-13 horas.  Malev ainda diz ao jornalista;

“Lá ficaram esperando por uma noite até entrarem num voo até Londres, que durou outras quatro horas e meia. Depois foram mais 12 horas de Londres a São Paulo e uma hora no caminhão no trajeto de Guarulhos até o aquário, no bairro do Ipiranga.

No entanto pelas normas da IATA (sigla da "International Air Transport Animals), o regulamento é que para a família ursidae (ursos), os animais não podem ficar mais de três dias dentro das caixas que devem ser do tamanho que comporte que os animais deem uma volta completa dentro dela. No caso de Aurora e Peregrino nem uma coisa e nem outra, depois de quase dois dias dentro das caixas ele embarcaram no avião no dia 18 de dezembro e aterrissaram no Brasil no dia 22, e ainda resta esclarecer onde de fato eles aterrissaram visto que os aviões de carga tendem a descer no Aeroporto de Viracopos em Campinas, e de que forma foram transportados a São Paulo.

Se os entrevistados tivessem suas trajetórias averiguadas, uma das perguntas poderia ter sido porque Ivan Ezhov, que diz trabalhar no Zoológico de Kazan há 6 anos, não consta na página dos funcionários da própria instituição.

Uma outra pergunta seria que tipo de veterinário defende uma tese na qual o excedente de ursos dos zoológicos devem ser enviados para áreas onde eles podem ser caçados e mortos, bem como induzir através de hormônios as fêmeas a procriarem mais filhotes para o mesmo fim. Para saber mais sobre o polêmico Dr. Alexander Malev, click aqui.

Isso sem contar de que é um paradoxo que o russo tenha instruído profissionais no Brasil bem como tenha efetuado qualquer recomendação, sendo que em sua gestão há mais de 20 anos no zoológico de Kazan, nenhuma melhoria foi feita no recinto dos ursos polares que visassem o bem estar dos animais.

Quando escrevi o artigo que Aurora havia nascido livre na natureza, o aquário emitiu uma nota em sua página - já em tom de ameaça, que foi reproduzida pela Revista VejaSP, e pelo site do UOL, e que depois foi deletada da página no facebook.

"Ursos polares não foram tirados da natureza", afirma Aquário de São Paulo –  foi o título da matéria no site do UOL;

 "Qualquer afirmação pejorativa sem fundamento poderá sofrer medidas jurídicas",  foi o subtítulo na VejaSP.

E para reprimir as manifestações de ambientalistas que estavam ocorrendo em frente ao estabelecimento, pessoas e entidades contrários a exibição dos animais nas vitrines. O aquário de São Paulo impetrou duas ações na justiça para impedir um direito garantido pela Constituição Federal, art. 5º, inciso V e XVI, e o art. 220, também que  determinam:

"IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;

XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização,…

"Art. 220. A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição".

Alguns jornalistas depois de verificarem que as alegações dos ambientalistas eram verdadeiras questionaram o aquário, que tentou remendar o que havia apregoado até então.

“O zoológico de Izhevsk pediu que Kazan [zoo onde inicialmente ficavam os ursos e que é responsável por eles] tirasse os dois de lá porque não tinha mais espaço. Izhevsk estava com seis ursos e eles não podiam conviver", disse o presidente do aquário, Anael Fahel ao Jornal Folha de São Paulo em Maio de 2015. Curiosamente a reportagem omitiu o sobrenome do professor da USP que elogia os esforços dos zoológicos. José Luiz Catão-Dias, tornou-se um nome muito conhecido quando em seu mandato como diretor do zoológico de São Paulo mais de 100 animais morreram (click aqui para saber mais), e até hoje não foram apontadas as causas e nem os culpados e o processo foi arquivado.

Enquanto que outros jornalistas chegaram até a usar vídeos da internet que dariam ao espectador a impressão de as filmagens eram dos ursos Aurora e Peregrino no zoo de Kazan, click aqui para ver.

A rádio Estadão entrevistou a bióloga responsável pelo aquário de São Paulo, a respeito das manifestações, click aqui para ouvir e ver o conteúdo da entrevista.

Para conseguir impedir os protestos, as ações foram recheadas de imagens publicadas na imprensa dois anos atrás de vandalismo e atribuídas ao grupo dos Blacks Blocks. Também as fotos antigas dos ativistas que resgataram os beagles usados como cobaias pelo Instituto Royal foram incluídas, incutindo ao tribunal a mensagem de que o aquário poderia ser invadido, depredado e destruído. E desta forma obteve na justiça acordos garantindo que algumas pessoas e a entidade que protestava, fossem impedidos até de se manifestarem contrárias ao aquário até nas redes sociais.

E a imprensa brasileira que nos últimos anos mostrava-se imparcial ao cobrir as manifestações públicas, omitiu-se como naquele ditado que diz;  “Quem cala, consente.”

Desde que me deparei com as diversas disparidades entre o foi divulgado pelo aquário de São Paulo e  a realidade dos fatos, me senti na obrigação de ajudar esses animais, e primeiramente escrevi ao Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal – IFAW, entidade criada pelas Organizações das Nações Unidas – ONU. A resposta que recebi do IFAW foi a de encorajar o governo Russo a criar Santuários para os Ursos Polares.

Em seu twitter a Fundação Brigitte Bardot escreveu: “Gostou de #Blackfish? Você precisa assistir isso: https://www.youtube.com/watch?v=HaOySJxJcxI #Brazil #SeaWorld #PolarBear @Marli_Delucca

No entanto enquanto alguns fatos diziam respeito a legislação protetiva dos animais, outros fatos diziam respeito a legislação tributária, bem como a idoneidade de certas pessoas. Em busca de uma orientação de como eu deveria proceder legalmente diante de tantas questões, busquei orientação no gabinete do Deputado Estadual Fernando Capez, atual presidente da Assembleia legislativa de São Paulo, Mestre em Direito e Procurador de Justiça licenciado, quando então optamos por encaminhar o caso ao Grupo Especial de Combate aos Crimes Ambientais e de Parcelamento Irregular do Solo Urbano (GECAP),  órgão  do Ministério Público do Estado de São Paulo, o qual consta no ato de criação: "Os crimes contra o meio ambiente e os parcelamentos Irregulares do solo urbano produzem significativos prejuízos sociais, conspirando contra o ecossistema, o desenvolvimento sustentável e o crescimento ordenado do município de São Paulo".

Ao continuar escrevendo e postando vídeos sobre a origem de Aurora e Peregrino, e as condições em que esses animais estão sendo mantidos, haja visto que comportamentos repetitivos chamados de estereotipados estão em todas as reportagens veiculadas na imprensa e nos vários vídeos postados no youtube pelos visitantes do aquário, e divulgando os fatos, bem como apontando diversas irregularidades na legislação e na fiscalização dos zoológicos e aquários,  disponibilizados especialmente na página Free Aurora Pilgrim, uma denúncia anônima chegou ao Ministério Público Federal, que solicitou que o aquário de São Paulo enviasse os documentos que permitiu que eles trouxessem os animais da Rússia e as autorizações do IBAMA.

Diante dos documentos apresentados e sem outros dados além dos elencados na denúncia anônima, o Promotor de Justiça, então, analisa os elementos de prova do inquérito e pode decidir por: i) denunciar o indiciado; ii) pedir novas diligências; iii) pedir arquivamento do inquérito.

Tão logo o promotor pedir pelo arquivamento, o aquário de São Paulo, me enviou uma notificação extrajudicial, na qual eles requeriam a retirada de todas as postagens  e imagens incluídas na página Free Aurora Pilgrim e no blog Mural Animal, num prazo de 24 horas sob pena de que não o fazendo serem tomadas as medidas judiciais cabíveis.

Mas o pedido de arquivamento, feito pelo Promotor de Justiça do Meio Ambiente, vai ser analisado pela 4ª Câmara de Meio Ambiente e Patrimônio Cultural do Ministério Público Federal, que decidirá se insiste na promoção de arquivamento ou se entende que a denúncia deve ser oferecida, caso em que designa outro Promotor para o caso.

Ocorre que o direito à imagem não prevalece sobre o da liberdade de imprensa quando da divulgação da notícia de interesse público. Como é sabido, nenhum direito é considerado ilimitado, havendo ressalvas estabelecidas em nosso ordenamento jurídico. Assim o uso ainda que não autorizado da imagem não constituirá em ato ilícito em determinadas hipóteses;

- Se a pessoa retratada no caso for pública/famosa, é livre a utilização de sua imagem para fins somente informativos, ou seja, que não tenham fins comerciais.
-Neste mesmo sentido é permitida a utilização da imagem realizada com objetivo eminentemente cultural, haja vista que a informação deve prevalecer sobre o interesse particular do indivíduo.
-Essas excludentes tornam a utilização da imagem, ainda que se realizem sem o consentimento do retratado, em atos lícitos.

Na verdade, se a liberdade à informação for de relevante interesse social, o direito à vida privada (inclusive pessoas jurídicas – grifo meu), deve ser afastado em detrimento do interesse público-social dessa liberdade de informação plenamente definida e delimitada. (Maria Fátima Vaquero Ramalho Leyser - Promotora de Justiça – SP)

A descoberta das questões  que envolvem o casal de ursos polares Aurora e Peregrino, também revelaram outros fatos preocupantes e que dizem respeito aos outros 50 milhões de animais que hoje são mantidos no zoológicos e aquários. Alguns fatos eu já publiquei e outros fatos são impublicáveis.

As controvérsias em torno das questões que envolvem  o casal ursos polares são tantas, que o Deputado Ricardo Izar, fez um requerimento para que fosse incluído na CPI dos Maus Tratos de Animais,  Audiência Pública para esclarecer sobre o papel dos Zoológicos e Aquários, e sobre a importação de animais exóticos para tal fim, condições de bem-estar, manejo e maus-tratos, notadamente no que diz respeito à importação dos Ursos Polares, Peregrino e Aurora, provenientes da Rússia, para exposição no Aquário de São Paulo, requerimento esse aprovado em 08/10/2015.

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Por ora a conhecida imprensa brasileira continua a não divulgar nada que se oponha ao aquário de São Paulo.

Por ora o que posso dizer as vocês é que em muitos aspectos da tal ‘polêmica’, tem muita similaridade com a verdadeira origem da fama do urso polar Knut, que a maioria dos ativistas desconhece.

Leia também: Knut o urso polar que ficou famoso a partir de uma mentira enquanto sua família sofria
( http://muralanimal.blogspot.com/2015/10/knut-o-urso-polar-que-ficou-famoso.html#ixzz3oObkFodB)

11 de out de 2015

ANIMAIS EXPOSTOS EM VITRINE SÃO PROIBIDOS EM SÃO PAULO DESDE 1987

É proibida a utilização ou exposição de animais vivos em vitrinas, a qualquer título, diz o artigo 32 da lei N° 10.309, de 22 de abril de 1987, que durante anos vem sendo ignorada pelas autoridades do município de São Paulo.

animais-vitrine

No começo do ano os brasileiros comemoraram e depois se decepcionaram com a Resolução CFMV 1.069/2014 que entrou em vigor em 15 de janeiro de 2015.

A normativa causou polêmica e confusão. Enquanto a maioria da população acreditou que havia uma proibição a exposição de animais como  cães, gatos e outras espécies em vitrines e gaiolas (o que acabou gerando uma série de denúncias), tanto o SINDILOJAS quanto o CRMV trataram de explicar que a exposição de animais não estava proibida, mas somente o contato direto com os animais, entre outras  questões.

Mas o fato é a cidade de São Paulo desde 1987, tem legislação que proíbe a exposição de animais vivos de quaisquer espécies em vitrines, devido a um triste episódio ocorrido nos anos 80 que muitos desconhecem.

Em 1985, duas fêmeas  de botos-cor-de-rosa da espécie Inia geoffrensis, na qual uma era a mãe e sua filhota, foram capturadas no Rio Formoso, no Estado de Goiás.

Ambas foram trazidas para serem expostas em uma vitrine de uma loja chamada Exotiquarium, no térreo do Morumbi Shopping, localizado na cidade de São Paulo.

Dentro da vitrine construíram um tanque com cerca de quatro metros de profundidade e a largura até hoje é desconhecida.

Os responsáveis pelos animais; donos do estabelecimento, biólogos, veterinários,  desconheciam a biologia da espécie, assim como nunca haviam lidado com golfinhos em cativeiro.

A  fêmea adulta foi chamada de "Bia" e a fêmea filhote de "Tiquinha". A vitrine do shopping passou a ser o picadeiro do circo de vidro, no qual para se adentrar ao corredor e ver os animais era cobrado o valor de 25 cruzeiros.

Apesar do protesto de várias entidades ambientalistas, para as condições impróprias e totalmente artificiais a que os animais estão expostos, várias ‘personalidades’ da época se posicionavam a favor da exploração dos animais pela vitrine-circo do Exotiquarium.

Em Agosto de 1986, o caso chegou ao Congresso Nacional, onde a denúncia do Grupo TUCUXI de Proteção ao Boto foi lida em plenário, ela continha uma carta enviada ao chefe de gabinete da SUDEPE, resposta à denúncia quanto à exploração comercial da espécie Inia Geoffrensis, animais de alto grau de raciocínio, cuja espécie é devidamente respeitada e protegida em países desenvolvidos o suficiente para tal, cabe-nos dizer:

Nos Anais da Câmara dos Deputados seguem transcritas as denúncias que consta que os referidos animais se encontram em condições inadequadas, em cativeiros privados, para exposição, com objetivo lucrativos, em um dos maiores shoppings de São Paulo, o Morumbi.

Não se trata de uma questão menor ou exótica. Realmente, devemos indagar as consequências do tipo de desenvolvimento econômico, orientado pelos interesses dos grandes grupos, que desprezam determinados valores da vida, aniquilando até mesmo espécimes raras. E os órgãos públicos, ao invés de tomarem medidas que visem à proteção de nossos recursos naturais, dão cobertura a esse processo predatório de nossa fauna e flora.

Solicito mais uma vez  medidas efetivas no sentido de proibir que tais grupos econômicos prossigam com essas atividades ilegais…

Os relatórios de trabalhos realizados nada dizem a respeito do estado psicológico dos animais, além do que carecem de fundamento científico não sendo sequer inéditos.

No dia 14-6-86, a imprensa (Jornal da Tarde e Folha de S. Paulo) informava que a firma Exotiquarium Promoções e Comércio LTDA era inaugurada e que um casal de botos-rosa seria captura do para exposição.

No dia 27-8-86, a revista Manchete publicava um "salvamento de botos no rio Formoso (que provocou a morte de vários animais), feitos por um tal Antônio Martins de Souza, O qual levou os botos para as cidades de Sete Lagoas, Lagoa da Prata e Pará de Minas. Por incrível que pareça, participou da "aventura" um tenente da Polícia Florestal da PM de Minas Gerais, Gilberto Nunes de Paiva.

A Associação dos Biólogos de Minas Gerais e a Associação Mineira em Defesa do Ambiente repudiou tal procedimento.

No dia 8-11-86, o Sr. Nuno Vecchi, um dos proprietários do Exotiquarium, aparecia na imprensa dizendo ter "salvo" duas fêmeas de Inia Geoffrensis (boto-rosa) da morte, em um canal de irrigação da Coperjava (empresa que cultiva arroz e soja em Formoso do Araguaia) e as estava expondo no subsolo do Morumbi Shopping, a CZS 25,00 a entrada, houve a contestação de várias entidades ambientalistas de São Paulo.

No dia 26-2-86, participei com a Sr' Cacilda Lanuza, do Grupo Seiva, de um debate na TV Cultura, no programa Palavra de Mulher. participando também (antagonicamente) o pessoal do Exotiquarium. Nele, o Sr. Vecchi afirmou publicamente que os dois animais expostos eram objeto de pesquisa científica da qual também participava uma dona Roxanne Kremer, do PARO, entidade americana sediada na Flórida, EUA, e o professor Godofredo Genofre, biólogo da USP. Esse professor afirmou publicamente que, segundo pesquisas científicas, os botos da Amazônia prejudicavam a pesca humana.

Enquanto as denúncias contra a exploração e a exposição dos animais pelo Exotiquarium se propagavam e o Ministério Público Federal entrou com uma ação cível, Tiquinha a filhote de golfinho não resistiu ao cativeiro cruel.

Sem conseguir respirar, Tiquinha afundava na vitrine, enquanto sua mãe Bia, tentou por várias vezes leva-lá a superfície da vitrine. Bia nadava por baixo da filha, e suspendia o corpo de Tiquinha. Fez isso várias vezes em vão.

Em 29 de maio de 1987, Tiquinha, morreria com pneumonia crônica, e somente com sua morte as pessoas se conscientizaram que Bia precisava ser libertada.

Em 15 de dezembro de 1987, o tribunal deu ganho de causa a ação do MP e ordenou a liberação do animal em seu habitat. Em julho de 1988, "Bia" foi levada ao Rio Formoso para sua soltura. Rapidamente dois machos de boto cor-de rosa, foram avistados e escoltaram Bia para a liberdade na natureza. Em 1994 durante a soltura de outro grupo de botos, no mesmo local agentes do IBAMA avistaram BIA

A vitrine do Exotiquarium no shopping foi então fechado.

Passados quase 30 anos desse triste episódio que culminou na mobilização de várias entidades e da criação da lei municipal  N° 10.309, outro circo de vidro e água se instala na cidade de São Paulo, com a anuência das autoridades?

Os golfinhos, foram substituídos pelo peixe-boi, e agora tamanduás, tucanos, primatas e diversos outros mamíferos estão expostos em vitrines decoradas com pinturas e muito plástico que imita vegetação, tanto para os animais aquáticos como para os terrestres que também não direito a pisar na terra e são obrigados a pisar no concreto.

José Truda Palazzo Jr., fundador do projeto Baleia Jubarte e ex-membro da Comissão Internacional das Baleias, diz que admitiria aquários bem administrados de visão conservacionista. E reclama do Aquário de São Paulo exibir um peixe-boi solitário. "Essa espécie de mamífero aquático é ameaçada de extinção e exemplares em cativeiro deveriam fazer parte de um programa de reprodução e reintrodução na natureza", afirma ele

Truda afirma que essas espécies são originalmente provenientes de um ambiente natural impossível de ser reproduzido num tanque, "tanto em tamanho físico, como em acústica, o que é seu mundo sensorial."."As informações ecológicas transmitidas empalidecem diante do volume de comportamentos artificiais e mecânicos nos "shows" com cetáceos."

Laerte Levai, promotor de Justiça em São José dos Campos (SP), especializado em direito ambiental, cita que "muitos cetáceos recém-capturados não se conformam com o cativeiro e se batem nas paredes dos tanques". Ele ressalta, que o Ibama tem o poder de autorizar que animais nascidos em cativeiro participem de exibições públicas.
Esses animais também morrem prematuramente no cativeiro, argumenta Cristiano Pacheco, diretor do Instituto Justiça Ambiental.

Para além das questões comportamentais dos animais expostos em vitrines, existe um risco iminente de morte dos animais devido a contaminação por chumbo. Uma vez que todas as vitrines dos animais contém o a vegetação, e que várias marcas de tintas para paredes vendidas no Brasil contêm altos níveis de chumbo, que é um metal tóxico para o meio ambiente e para a saúde animal. O contato com o chumbo através das micro partículas liberadas pela simples fricção pode causar convulsões, coma, nanismo, abortos e a morte do animal.

Enquanto cães e gatos estão protegidos pela  lei municipal 14483/07, que instituiu, que esses só podem ficar expostos por, no máximo, até seis horas. Os animais silvestres e exóticos exibidos em vitrines ficam expostos de segunda a segunda por mais de 12 horas por dia, e também podem ser incomodados em visitações noturnas.

Como os animais não podem falar eles dependem das pessoas para que não sejam explorados e exibidos em condições artificiais. Eles dependem de pessoas e de entidades que se mobilizem contra esse abuso.

Se você é uma dessas pessoas, mobilize-se compartilhe, divulgue, manifeste-se agora!.

 

Leia abaixo a integra do texto da Ação Civil Pública que culminou na libertação de Bia. 

Ação Civil Pública No. 9.787.372

Autor: Ministério Público Federal

Res.: Exotiquarium - Centro de Estudos de Organismos Aquáticos S/C Ltda. e SUDEPE - Superintendência do Desenvolvimento da Pesca.

O Ministério Público Federal propôs a presente Ação Civil Pública, alicerçado na Lei 7.347/85 - contra a Exotiquarium Promoções e Comércio Ltda., primeira ré, que posteriormente passou a se chamar Exotiquarium Centro de Estudos de Organismos Aquáticos S/C Ltda. e contra a SUDEPE - Superintendência do Desenvolvimento da Pesca, segunda ré, ambas qualificadas na inicial, visando a ver restituído a seu habitat dois exemplares de Inill Geoffrensis, "botos cor-de-rosa", cuja captura teria sido autorizada pela SUDEPE para fins científicos de pesquisa. Diz o Ministério Público Federal que, entretanto, a autorização fora dada para captura de um casal e terem sido aprisionadas duas fêmeas.

Aduz, ainda, não ser a primeira ré instituição científica oficial ou oficializada, tampouco seus técnicos serem cientistas, conforme preceitua o art. 14 da Lei 5.197/67; ainda mais, de tal fato está sendo causado dano ao meio ambiente.

Formula, afinal, os seguintes pedidos: com relação à primeira ré:

(1) a reintrodução dos animais na natureza, com todos os cuidados necessários e, inclusive, cominando-se multa diária;

(2) alternativamente, se possível a solução (dependendo, de conseguinte, de pareceres e laudos técnicos) - a entrega dos animais a instituições científicas; no tocante à segunda ré, SUDEPE, seja compelida a fiscalizar todo o plano de reintrodução, cominando se-lhe também multa diária até o implemento da obrigação.

Acompanha a inicial o Processo n? 003.167 da Procuradoria Geral da Justiça (Coordenação das Curadorias de Proteção ao Meio Ambiente) fls. 10/138.

Determinada a citação das rés (fl. 139). Neste entretempo, o Ministério Público Federal informou a morte de um dos animais, quando requereu fossem seus restos necropsiados e permanecessem à disposição do Juízo.

A ré Exotiquarium Centro de Estudos de Organismos Aquáticos S/C Ltda., em sua contestação de fls. 148/151 argui, em síntese: ter agido em estrito cumprimento da lei e ter registro de aquicultor profissional desde 15 de junho de 1985; ter a captura dos botos sido executada em consonância com a autorização concedida pela SUDEPE - Superintendência do Desenvolvimento da Pesca, segunda ré (fl. 17); ter capturado os botos no Rio Formoso e não no Amazonas por ter tido ciência de que, naquele local, existiam animais "encalhados"; ter, efetivamente, salvado duas fêmeas, cujo salvamento encontra-se demonstrado em filme de toda a operação; diz que a volta do boto (um já havia morrido antes da contestação) após dois anos de cativeiro seria inviável.

De seu turno, a SUDEPE - Superintendência do Desenvolvimento da Pesca, segunda ré, contesta invocando a preliminar de ilegitimidade de parte, por entender que agiu sob a lei e, portanto, não poderia ser colocada no polo passivo da demanda; diz, no mérito, que a proibição de pesca no Rio Formoso partira da própria Superintendência e "quem pode proibir, pode, também, permitir"; diz, ainda, ter a lei federal atribuído-lhe a possibilidade de legislar (si c) sobre a pesca; que a primeira ré, Exotiquarium, iria realizar pesca científica, pois se dedicaria a trabalhos científicos; além do mais inexistiria qualquer dispositivo legal proibitivo para a SUDEPE; destarte, fulcra-se no art. 153, § 2? do Diploma Básico - para afirmar que a não proibição por lei expressa implicaria autorização; em suma, qualquer ato, em desconformidade com o ordenamento, praticara para sujeitá-la ao polo passivo da demanda; acostaram-se os documentos de fls. 165/188 à resposta.

O Ministério Público Federal, autor, arguiu estar a contestação da SUDEPE fora de prazo (fl.189), o que foi informado pela certidão de fll96.

A fl. 190 requereu, o autor, a requisição do processo administrativo, a exibição de fitas cassetes em audiência, inspeção judicial do estabelecimento da ré Exotiquarium, a rumo de o próprio Juízo ter melhores condições para a instrução e julgamento. Saneador à fl. 198, onde foi reconhecida a legitimidade das partes e deferidas as provas requeridas. Os quesitos da ré Exotiquarium foram anexados à fl. 205/206, bem como a indicação de seu Assistente-Técnico, o Dr. Godofredo da Câmara Genofre Neto. Documentos anexados à fls. 208/209 pela primeira ré.

O laudo referente à morte de um dos animais encontra-se às fls. 212/213 e o do Instituto Adolfo Lutz, relativamente à análise da água do aquário, à fl. 215. A ata da inspeção judicial realizada está acostada às fls. 220/221. O rol de testemunhas da ré encontra-se às fls. 225/226. Traslados das cópias de relatórios apreendidos na inspeção judicial às fls. 228/293. A fl. 294 foi efetuado o traslado das sentenças proferidas nas Medidas Cautelares (de produção antecipada de prova e necropsia do animal morto). Quesitos suplementares do Ministério Público Federal às fls. 306/308 e rol de testemunhas. Nova juntada de documentos pela primeira ré, Exotiquarium, às fls. 311/333. Determinação judicial (fl. 334) do traslado de peças do processo administrativo.

Audiência de Instrução e Julgamento atermada às fls. 335/338; nessa audiência, foram vistos dois filmes, o da captura, produção da Exotiquarium e o da TV Brasil Central, de Goiânia, reportagem especial sobre o problema de captura de botos e, até mesmo, de contrabando no local.

Os depoimentos dos representantes legais da Exotiquarium e da SUDEPE foram prestados (fls. 335/339). Agravo Retido da SUDEPE à fl. 341 do sa- 174 neador - que rejeitou sua preliminar. Determinada à fl. 348 a extração de peças da carta sem número, também apensa ao processo. A audiência em continuação encontra-se atermada à 349/365 e trasladadas as peças determinadas pelo Juízo fls. 366 usque fl. 495). Os laudos do Assistente-Técnico do Ministério Público, do Perito Judicial e do Assistente Técnico da ré Exotiquarium encontram-se à fls. 504/516, 517/524, 532/534 e 538/567, respectivamente. Agravo Retido da Exotiquarium à 526 por alegada inversão na ordem de produção de provas. - Indeferido pedido de esclarecimentos do Perito Judicial em audiência, formulado a destempo pelo Ministério Público Federal.

A Audiência de encerramento de instrução está atermada às 572/573, os memoriais às fls. 574/584 do Ministério Público Federal, às fls. 585/593, da ré Exotiquarium e às fls. 594/502 da ré SUDEPE.

RELATADO. PASSO A DECIDIR 1. Verifico, preliminarmente, a questão de legitimidade da SUDEPE, segunda ré, por ter sido ·objeto de Agravo Retido e não estar devidamente fundamentado o saneador de fl. 198. O problema da legitimidade está intimamente imbricado com um dos problemas a enfrentar para composição desta lide.

As duas questões a serem solucionadas atinam com as respostas às seguintes formulações: (1) A licença (ou autorização) outorgada pela SUDEPE teria sido validamente concedida? (2) Pode o animal, que ainda sobrevive, voltar a seu hábitat natural? (3) Houve dano ecológico e/ou ao patrimônio da União? 1.1. Claro está que a primeira indagação liga-se estritamente também à segunda ré, SUDEPE, razão por que a ilegitimidade não poderia - e de forma alguma - ser conhecida no saneador. Deveras, a permanência da SUDEPE no polo passivo era indispensável, pois da sentença lhe poderiam advir reflexos diretos. 2. Doutra parte, houve Agravo Retido no curso da instrução por ter sido recusada a pretensão - das rés de que a produção da prova oral somente fosse iniciada depois da entrega dos laudos. Este Juízo, ao pretender imprimir celeridade à instrução pela própria natureza da ação proposta, e porque várias provas foram deferidas, houve por bem, por não vislumbrar qualquer prejuízo para as partes, tomar os depoimentos pessoais e testemunhais após à exibição dos filmes, bem como da inspeção judicial. Assim procedeu, enquanto o Sr. Perito Judicial e os Srs. Assistentes-Técnicos concluíam seus laudos. 2.1. Os Fundamentos, que servem de suporte à decisão, encontram-se na audiência atermada à fi. 335 verso, nos seguintes termos: "( ... ) Ao proferir o despacho saneador de fi. 198, não ignorava este Juízo a ordem das provas estabelecidas no Código de Processo Civil. Entretanto, lembro frase feliz do ilustre Jurista, Professor Sérgio Ferraz, que, ademais de ilustre jurista, é batalhador das questões ecológicas. Diz aquele jurista: '0 Juiz não serve o Código de Processo Civil, mas sim se serve do Código de Processo Civil'. Frase feliz sem sombra de dúvida, pois um servilismo ao Código de Processo Civil, nesta causa sub judice, em que certamente por ser ação civil pública, um tipo de ação que merece atenção especial, tanto que o Ministério Público pode e deve propô-la, e que ao Juiz cabe, nos termos do art. 7~, inclusive encaminhar peças ao Ministério Público, para ensejar a propositura de dita Ação Civil, •• não seria crivei e transcenderia qualquer limite da lógica do razoável. que se delongasse a instrução" , a fuo de, apenas e tio-somente, cumprir a ordem da c0- lheita de provas, como estabecida no CPC. Claro que se a inversão desta ordem puder acarretar danos às partes, o juiz, com seu poder de direção do processo não deverá assim proceder. Porém, não é a hipótese destes autos. ( ... )." (Grifos nossos).

2.2. Realmente, entendeu o Juízo que a celeridade processual recomendava a produção de prova oral, totalmente independente da pericial, exclusivamente técnica. Não Houve, pois, qualquer prejuízo ou cerceamento de defesa. 3. Passo, em seguida, para a destrinça do ato da SUDEPE, licença ou autorização. Digo licença ou autorização, pois, ora encontro a primeira expressão, nestes autos, ora a segunda. Duas as principais alegações da SUDEPE: (1) que a pesca no Rio Formoso havia por ela própria sido proibida, portanto, a proibição poderia ser cancelada a qualquer tempo; (2) que por nio haver proibição expressa nas leis poderia conceder - como de fato concedera -licença para captura do casal de botos". 3.1. Cabem, aqui, várias disquisições. Primeira: o oficio Sudepe n~ 6/86/CoreglSP, fi. 27, refere-se à captura e transporte de um casal de botos (lnia Geoffrensis), que seria feita na AmazOna e transportados para São Paulo, com fmalidade de exposição e promoção de cursos, palestras etc. (fi. 101, pedido formulado pela Exotaquarium).

No despacho Defop n~ 549/85 de 18 de outubro de 1985, há a afmnação da inexistencia de legislação regulamentadora da matéria (captura de cetáceos), embora já em andamento Projeto de Lei especifico. Vê-se, ainda, a seguinte assertiva da segunda ré, SUDEPE, à fi. 43: "( ..• ) Por outro lado, os animais destinar-se-io, também, para exposições e aulas a serem ministradas aos alunos ligados ao setor pesqueiro". ( ... )." Destarte, nos termos do despacho de fi. 45, de n~ 125/85, ato administrativo da licença concedida, recebeu a primeira ré, Exotiquarium, a permissão ofIcial- de captura e transporte de um casal de botos da Amazônia -, conforme solicitado. 4. É certo que o pedido de captura dos b0- tos não havia ainda sequer sido referido pela segunda ré, SUDEPE, conforme se verifica de telex de fi. 29, quando a captura foi efetivada. Até mesmo o representante legal da primeira ré, Sr. Nuno Vecchi, confessou em depoimento pessoal ter sido deferida a licença a posteriori. E, assim mesmo - quando deferida - o foi nos termos do pedido inicial, "captura e transporte de um casal de botos da Amazô- nia, conforme solicitado". 5. Doutra parte, se há de verÜlcar que tal licença foi concedida contrariando pareceres técnicos e contra legislaçio expressa (fi. 494). 175 Diz a SUDEPE que inexistia legislação especifica. Se isso fora verdade, como autarquia que é, como entre público, não poderia desconhecer estar no exercício da função administrativa. E que função é significado de dever, de competência em vista da finalidade escolhido pela norma.

Não poderia esquecer que, no exercício da função administrativa - de conseguinte, fun- ção pública - só pode fazer a Administração o que expressamente a lei autorizar. E que somente ao particular é dado praticar tudo aquilo que a lei não proíba. Que a "relação de administração" , no dizer do ilustre Cime Lima, é aquela que se trava sob o influxo de uma finalidade cogente. Portanto, se não encontrasse norma proibitiva para prática de determinado ato, para praticá-lo deveria - isto sim - encontrar norma expressamente autorizativa.

Em outro falar: a Administração só age em estrita conformidade com a lei. "Administrar é aplicar a lei de ofício" na frase feliz e sempre lembrada do eminente Seabra Fagundes. 5~1. Somente para tomar mais claras as assertivas até agora expressadas, trazemos à c0- lação nosso conceito de função administrativa, expressado no Curso de Direito Administrativo, Celso Antônio Bandeira de Mello e outros, fl. 120: "( ... ) "Função administrativa é a atividade-dever do Estado, ou de quem quer que lhe faça as vezes, 'de dor cumprimento fiel, no caso concreto, aos comandos constitucionais e normativos' , de maneira geral ou individual sob regime prevalcnte de Direito Público e sujeita ao contraste do Poder Judiciário. Digo autoridade-dever do Estado, onde está atrelada a idéia de função, que é sempre desempenho de alguma coisa em benefí- cio de alguém e, portanto, se traduz num dever." ( ... )" Entretanto, a legislação existente induz, às claras, a probição da outorga de dita licença.

A uma, pelo art. I'? da Lei 5.197/67: "Art. I'? Os animais de quaisquer espécies, em qualquer fase do seu desenvolvimento e que vivem naturalmente fora do cativeiro, constituindo a fauna silvestre, bem como seus ninhos, abri- 176 gos e criadouros naturais são propriedades do Estado, sendo proibida a sua utilização, perseguição, destruição, caça ou apanha." A duas, pelo próprio Decreto-Lei 221/67, especifico sobre a proteção e estímulo à pesca, quando diz em seu art. 2'?: "Art. 2'? A pesca pode efetuar-se com fins comerciais, desportivos ou científicos. ( ... ) § 3'? Pesca cientifica é a exercída unicamente com fins de pesquisas por instituições ou pessoas devidamente habilitadas para esse fim." E à derradeira, o art. 3'? da suso citada Lei afirma: "São de dominio público todos os animais e vegetais que se encontrem nas águas dominiais" . De conseguinte, os botos, lnia Geoffrensis, se são de domínio público constituem bens públicos.

E os bens públicos não podem ser doados, cedidos, transferidos, "emprestados", ou como se queira denominar, a não ser em hipóteses especificas e expressamente autorizadas por lei. Não se diga que a pretensa utilização dos animais em pesquisa caracterizaria a "pesca científica", posto que esta é exercida unicamente com fins de pesquisa. Constitui, inclusive, crime a causação de dano ambiental. 6.

A alegação da segunda ré, SUDEPE, que a licença, por ser ato administrativo tem presunção de legitimidade, só é alicerçada na melhor doutrina, caso se complete a afirmação e se diga, presunção juris tantum. A presunção de legitimidade dos atos administrativos é exatamente para que possam ditos atos ter eficácia de logo, sem exame preliminar do Judiciário.

E, ademais, respaldada no princípio da legalidade, a Administra- ção só poder agir sub legem. Entretanto, se contestados em Juízo os atos administrativos, como a ninguém se pode pedir a prova negativa, o ônus da prova fatalmente se inverte. A Administração deve provar que agiu ao abrigo expresso da lei, em sua conformidade. 6.1. É dizer: ao expedir determinado ato administrativo, respeitou seus requisitos de va- lidade, tais sejam: compet@ncia, pressuposto de fato ou motivo, causa, fllD e fmalidade legal. Logo com relação ao primeiro dos requisitos, se há de verificar que, embora seja a SUDEPE o órgão competente para expedir licen- ças de pesca, Dio tinha compet@ncia para possibilitar a captura de animais de dominio pú- blico para serem "exibidos comercialmente" .

Quanto ao pressuposto de fato ou motivo do ato, verifica-se que o pedido versava para captura de um casal de botos da Amazônia para exibição, cursos, etc .. Ademais do objeto do pedido ser ilícito, pois sem respaldo legal, nem o ato praticado o foi em consonância com o pedido. Tampouco se verifica a causa do ato administrativo, tal seja, a relação da pertin&lcia ló- gica entre o motivo, o ato praticado, em vista da fmalidade postulada pela norma, no dizer de Celso Antônio Bandeira de Mello. Quer se verifique, pois, por quaisquer dos pressupostos do ato administrativo, é este eivado de nulidade. E, o é, já a partir do primeiro dos pressupostos: a compet@ncia legal.

O próprio representante legal da primeira ré, Exotiquarium, afll1ll0U em seu depoimento pessoal (fi. 337): "( •.. ) que no pedido feito à SUDEPE para captura dos botos, partindo de quem partiu, de uma empresa comercial' , estaria implícito que haveria exposição dos b0- tos, pois inclusive já havia um tanque no local; e que a captura dos botos foi anterior à licença da SUDEPE emitida em II de novembro de 1985". De conseguinte, não havia a amparar o ato administrativo o pressuposto fático (motivo) a validá-lo.

A exposição comercial de espécimes da fauna é proscrita. E, se assim é, sequer havia, como já aflJ'- mado, causa do ato administrativo, a relação de adequação entre o ato emanado, o motivo e a fmalidade legal. A fmalidade da lei, quando possibilita a expedição de licenças, é bastante clara. Possibilita nlo para locupletaçio de entes privados, porém-para a evolução cientifica.

Aliás, o Estado não pode dispor do indisponível, nlo pode distribuir benesses a quem quer que o seja, pois é gestor da coisa pública (res publica), do patrimônio indisponível. 7. De conseguinte, por qualquer ângulo que se procure olhar o indigitado ato administrativo, se há de verificar sua invalidade. Posto isso, o ato da SUDEPE, substanciado no despacho de n~ 12S/8S, deve ser anulado, como de fato o é, por este Juizo. Não tem suporte de legalidade. Agride o ordenamento jurídico. Descumpre as normas da função pública.

7.1. Anulando-se o ato, resta verificar a conduta da primeira ré, Exotiquarium. Teria esta colaborado com a prática do ato descompassado do ordenamento juridico? Sem sombra de dúvida. E Dio apenas isso. "Mascara" a exploração comercial com uma pseudo pesquisa que lá se realizaria.

Em Juizo, o representante legal da Exotiquarlum, Sr. Nuno Vecchi (fi. 337 verso), disse que o Sr. Célio Padial está a preparar sua tese de mestrado. Ora, o próprio Sr. Célio Padial, depondo em Juizo, às claras, "diz que não faz curso de mestrado" , - que é professor de primeiro e segundo graus. Vejamos suas próprias palavras (fi. 3S4): "( ... ) que é professor e tem vínculo empregatício com o Externato Rio Branco, em São Bernardo do Campo, em curso de Biologia, nível ginasial e colegial; que "não está fazendo curso de pós-graduação". ( ... )." (Grifos nossos). De conseguinte, se sequer está fazendo curso de pós-graduação, como pode fazer "tese de mestrado"? Somente mesmo leigos na matéria, sem qualquer formação acad@mica, poderiam aceitar ou fazer tal afll1llação. Salvo se "deliberadamente pretendessem induzir o Ju(zo em erro". Não se encontrou no material "apreendido" pelo Juizo na inspeção judicial realizada qualquer relatório com caráter de maior cientificidade. Ou, qualquer espécie de relatório de autoridade científica, que trabalhando os dados dos "relatórios-informações" dos mergulhadores, estivesse a contribuir com o progresso da ci@ncia.

Há de se dar inteira razão ao Ministério Pú- blico Federal, quando afll1lla em seu memorial (fi. S81): 177 "( ... ) Evidentíssimo que este plano de pesquisa jamais existiu, quer no momento da solicitação da captura, quer após. ( ... )" Apenas para encerrar o tópico referente à pesquisa que se realizaria no estabelecimento da ré Exotiquarium, o Assistente-Técnico do Ministério Público, Professor Arif Cais, ao quesito de n~ 5, do próprio Ministério Público, abaixo transcrito, respondeu:

"5 - O pretenso trabalho científico pode, como dizem os autores, contribuir para a sua preservação na natureza?

Resposta - Se considerarmos os objetivos propostos (comportamento alimentar, estudo da fisiologia do mergulho e comportamento sexual), as condições de execução dos trabalhos (alimento congelado) e os resultados obtidos (comunicações à Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e Sociedade Brasileira de Zoologia), considera nula as contribuições para a preservação da espécie na natureza.

" E o Perito Judicial assim se manifestou, à fi. 522: "( ... ) Portanto, qualquer experimento que tenha sido ou venha a ser realizado no Exotiquarium, no tocante à fISiologia do mergulho da espécie em questão, não deve se trazido ou poderá trazer nada de novo ou inédito. As técnicas modernas de telemetria (lDlplantação de transmissores para registro à distância) demonstram que vários resultados obtidos através de experimentos realizados em cativeiro estão superados. em função das condições artificiais impostas." ( ... )" (Grifos nossos).

8. Finalmente, adentramos à segunda questão a enfrentar, tal seja: "tem o boto possibilidade de retomo a seu hábitat natural?"

Respon!1eu o Perito Judicial (fi. 528): "( ... ) A reintrodução do animal na natureza tanto pode ser muito problemática ou não." ( ... )"

O Assistente-Técnico do Ministério Público Federal, Dr. Arif Cais, foi peremptório (fls. 510/511): "( ... ) 2 É possível aclimatar-se o b0- to, objeto desta ação, para reintroduzi-lo na natureza? Resposta - Sim.

3 - Quanto tempo duraria essa aclimatação? Resposta - É 178 difícil estabelecer a duração para a reaclimatação do espécime em questão, mas creio não ser superior ao período de aclimatação em cativeiro ou do início de sua dieta - 5 dias.

4 - Quais os cuidados científicos necessários para a sua reintrodução na natureza? Resposta - (a) readaptação às condições de turbidez, Te pH da água; (b) readaptação de seus há- bitos alimentares, administrando-lhe peixes de água doce e, se possível, vivos para o reestabelecimento do comportamento predadorpresa.

5 - Qual o rio indicado para recebê- lo? Resposta - O de origem, constando ao assistente tratar-se do Rio Formoso, da Bacia do Araguaia - 00.

O Assistente-Técnico da primeira ré, Exotiquarium, Dr. Godofredo Genofre Netto, diz que não seria impossível reintroduzir o animal na natureza (fi. 548): "( ... ) A aclimatação do Inia geoffrensis para reintrodução na natureza, embora não seja impossível, seria bastante difícil. Para um animal habituado às condições de cativeiro e à presença do ser humano, dele recebendo alimento por doi anos, seria certamente um trabalho bastante árduo restituir-lhe a capacidade competitiva, tão importante no meio selvagem, bem como fazê- lo voltar a ter medo do homem. ( ... ).

" Posto isso, e em face de todas as provas carreadas a este processo, Julgo Procedente a presente Ação Civil Pública e, por assim o fazer, determino: (a) que a primeira ré, Exotiquarium - Centro de Estudos de Organismos Aquáticos S/C Ltda., da mesma forma e com os cuidados devidos, reintroduza o exemplar da Inia geoffrensis a seu hábitat natural, o Rio Formoso, no prazo de 15 (quinze) dias, contados da intimação desta sentença, sob pena de multa diá- ria de CzS 200.000,00 (duzentos mil cruzados), nos termos do art. 11 da Lei n~ 7.347/85; (b) que antes da reintrodução, faça a readapta- ção do animal na forma preconizada pelo Sr. Assistente-Técnico do Ministério Público, Dr. Arif Cais; (c) que documente em fIlme a reintrodução do animal, fllme este a ser entregue em Juízo; (d) que a segunda ré, SUDEPE - Superintendência do Desenvolvimento da Pesca, por seu órgão fiscalizador, acompanhe to- da a operação e apresente ao Juízo, ao depois, no prazo de 5 (cinco) dias, relatório circunstanciado da dita reintrodução; (e) que o animal morto permaneça na Faculdade, auxiliando o ensino e a pesquisa, a fIm de seu sacrifí- cio não ter sido em vão. As rés deverão arcar com as custas processuais, bem como com os honorários do Sr. Perito Judicial, que arbitro em Cz$ 250.000,00 (duzentos e cinqüenta mil cruzados), equivalente a 478,02 OTNs, honorários do Assistente-Técnico do Ministério Público, que arbitro na mesma proporção pela excelência do trabalho desenvolvido que em muito auxiliou ao Juízo.

Considerando a urgência e o recesso próximo deste Fórum, determino que as intimações sejam feitas pessoalmente, por mandado, publicando-se, posteriormente para ciência de terceiros. Fica esclarecido, entretanto, que o prazo recursal, bem como para o cumprimento das obrigações, passam a correr do dia imediato à intimação. Outrossim, intimem-se as rés para o depósito dos honorários periciais em 5 (cinco) dias. Publique-se e Registre-se. São Paulo, 15 de dezembro de 1987. Lúcia Valle Figueiredo Collarile, Juíza Federal – 16.Vara.

 

Fontes:

http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/rda/article/viewFile/45427/47647

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/turismo/fx3009201007.htm

http://imagem.camara.gov.br/Imagem/d/pdf/DCD20AGO1986.pdf