17 de jan de 2014

Em um esforço conjunto para salvar os rinocerontes quatro ex-marines norte-americanos, do esquadrão de elite Seal, largam a aposentadoria e vão para a África do Sul combater o extermínio de rinocerontes. Luta pelos Rinocerontes, é uma minissérie/reality que mostra o que acontece quando o esforço pela conservação da natureza vai além do ambientalismo ou de ações de comando e controle das instâncias governamentais e ganha contornos de guerra militar, e estão dispostos a reverter esse quadro.

Luta pelos Rinocerontes (vídeo)

Juntos, com as autoridades sul-africanas, eles tentam acabar com o negócio sangrento que também custou a vida de centenas de defensores dos animais. Eles chegaram à África do Sul uma semana antes do início da temporada em que os rinocerontes ficam mais vulneráveis - quando a lua cheia aumenta a visibilidade dos caçadores durante a noite.

Precisamos salvar os rinocerontes da extinção. Se não agirmos, meus filhos não conhecerão estes animais majestosos. Não podemos permitir que este extermínio motivado pela ganância continue", afirma Rob. Não é só uma missão, tornou-se uma questão de honra depois das cenas terríveis que presenciamos. Os melhores soldados são aqueles que lutam com o coração - esta causa faz parte de mim", diz Saw.

A nova minissérie do canal Animal Planet não só tem um protagonista que é a cara do ator norte-americano Chuck Norris, como sua premissa é de uma verdadeira batalha.

A África do Sul abriga 80% dos indivíduos da espécie em todo o mundo, mas nos últimos quatro ano, mais de dois mil animais foram mortos para a retirada de seus preciosos chifres, que no mercado ilegal podem valer até US$ 500 mil, por conta de suas supostas propriedades medicinais que curariam até câncer — o que nunca foi comprovado pela ciência. Nesse ritmo, estima-se que eles podem ser extintos localmente em menos de uma década.

Com imagens belas e dramáticas, o programa mostra a ação a partir do momento em que os combatentes chegam à região, às vésperas da temporada de caça. Já no início, o líder do grupo, Craig Sawyer, de 50 anos, que lutou na primeira Guerra no Golfo, dá o tom da tragédia: “A primeira vez que vi um rinoceronte, foi um rinoceronte morto”. Uma fêmea, com o filhote choroso ao lado.

Em entrevista coletiva a jornalistas latino-americano, da qual o Jornal Estado participou, Sawyer conta como essa luta conservacionista requer habilidades militares de combate para lidar com caçadores ilegais que, segundo ele, “são criminosos que fazem qualquer coisa por dinheiro e vão matar quem cruzar o caminho deles”. Leia a seguir os melhores trechos

Se essas pessoas não respeitam nem mesmo os direitos humanos, como convencê-las de que é preciso proteger os direitos dos animais?
Neste momento, alguns países vizinhos à África do Sul têm uma política de uso de arma de fogo contra os caçadores. Assim, fazendeiros, rancheiros e guardas florestais podem atirar num caçador e deixá-lo ali mesmo. E os países que implementaram essa política não têm mais esse problema. Acho que há nisso uma importante lição sobre a natureza humana. Algumas pessoas respondem à diplomacia e às leis, outras não. Nesse caso, elas devem ser tratadas à força. A África do Sul precisa endurecer sua legislação e criar punições mais severas contra caçadores ilegais de modo que a recompensa, que pode chegar a meio milhão de dólares no mercado negro na Ásia,  não supere o risco. Porque hoje há muito pouco risco para os caçadores na África do Sul. Se eles são pegos, vão para a prisão, mas por pouco tempo.

Você já tinha alguma vez imaginado que usaria suas habilidades militares nesse tipo de batalha? Qual é a diferença de lutar em uma guerra convencional e numa guerra em meio  à vida selvagem?
Eu cheguei a pensar em usar minha experiência militar, mas só por alto. Sabia que havia agentes das Forças Especiais ajudando a proteger rinocerontes ao longo dos anos, mas não era uma campanha largamente divulgada. Quando fui convidado a ir para lá, tive minha chance de contribuir. E foi uma experiência muito gratificante. Parecia a coisa certa a fazer. Me senti fazendo uma coisa boa para fazer do mundo um lugar um pouco melhor. Para fins de comparação, em muitos momentos é como uma operação de contra-terrorismo, mas em outros parece mais uma ação policial. Nós atuávamos como guardas florestais ou polícia, já que estávamos simplesmente defendendo aqueles animais.  Não é que íamos atrás dos caçadores, chutávamos suas portas e matávamos todos. Estávamos tentando capturá-los e prendê-los, em vez de matá-los, mas vamos encarar isso: muitos desses criminosos estão chegando de outros países com (fuzis) AK-47. E a primeira coisa que eles vão fazer se encontrarem patrulheiros é atirar e matar. Então temos de lutar para nos defender. Mas estamos lá para prendê-los.

Luta pelos Rinocerontes é produzida pela Aquavision TV Productions e pela NHNZ (Natural History New Zealand) para o Animal Planet.

17 de jan de 2014
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