4 de mai de 2015

Desde que o casal de ursos polares Aurora e Peregrino foram apresentados a imprensa brasileira, e passaram a ser destaque na TV, nos jornais e nas revistas, que trataram de divulgar a ‘pauta’ que lhes foi apresentada, sem quaisquer outros questionamentos, como por exemplo - de que essa ‘história’ estava mal contada.
 
drama_ursospolares
 
A divulgação de que da Rússia até o Brasil, os ursos polares não foram sedados - e foram transportados em um ‘compartimento especial refrigerado’ chamou a atenção de diversos ativistas em defesa dos animais.
 
Esse ‘compartimento’, poderia ser usado para salvar Arturo, o urso polar mais triste do mundo, de morrer de calor na área do deserto Cuyo, onde fica o Zoo de Mendoza/Argentina.
 
As autoridades argentinas em resposta ao clamor mundial por Arturo, respondeu que ele não seria transferido porque não podia ser sedado.
 
E foi em busca do ‘compartimento refrigerado para transporte de urso polar’, que ativistas do Brasil, da Argentina, e do Canadá, saíram em busca de informações, afinal o ‘container’ havia passado por três grandes aeroportos em três países diferentes, em plena época do natal de 2014 – os ursos polares atravessaram o oceano atlântico, sem que ninguém percebesse– nem funcionários dos aeroportos e nem a imprensa internacional, já que nenhuma foto ou vídeo do ‘transporte dos ursos polares’ foi divulgado.
 
A busca da salvação para o urso polar Arturo,  chegou até a cidade de Kazan, local que conforme o noticiário, teriam vindo Aurora e Peregrino. Entretanto as informações que chegavam de lá, pareciam não fazer sentido com as informações divulgadas no Brasil – afinal o casal não vivia no Zoo de Kazan, conforme havia sido noticiado no Brasil.
 
Mas então de onde vieram e como viviam os ursos polares Aurora e Peregrino?
- A resposta não era assim tão simples, e veio composta de fotos, vídeos, reportagens e links,  que nos permite ter uma pequena visão de como o termo 'preservação', tem sido usado em detrimento da real situação em que vivem e morrem os ursos polares .
 
Aurora a ursa polar, não nasceu em cativeiro conforme divulgado na nota; -“…Estes ursos polares especificamente, não foram tirados na natureza. Aurora e Peregrino nasceram em cativeiro e viviam em um espaço muito pequeno em outro zoológico …”, pelo Aquário de São Paulo.
 
A ursa polar Aurora e sua irmã Victória nasceram livres no meio selvagem, numa região da Sibéria que faz parte do Circulo Polar Ártico. Em maio de 2010, a imprensa internacional divulgava o fato de que as duas filhotes de urso polar foram encontradas sem a mãe, que ‘provavelmente’ havia sido morta por caçadores, e omitiu o fato de que a região onde elas foram ‘encontradas’ – é rica em fazendas de peles de animais, bem como da extração de petróleo e minerais, que causa a perda de habitat e de alimentos para os ursos polares.
 
Notícias sobre a matança de ursos-polares adultos, não costumam ser publicadas pela imprensa, mas quando os filhotes órfãos são ‘retirados’ da natureza e enviados aos zoológicos, passa a ser noticiado como que os filhotes são ‘resgatados’ por esse ou aquele zoo.
 
Aurora e Victória foram então ‘resgatadas’ em 13/05/2010, por pescadores no lago Taymyr. Ambas tinham diversos ferimentos de mordidas de outros animais, e foram levadas num pequeno avião para a cidade de Krasnoyarsk, para ficaram aos cuidados do Zoológico Royev Ruchey, onde foi estimado que elas tinham em torno de 4/5 meses de idade.
 
Com poucos meses de vida, ao ser ‘retirada’ da natureza,  Aurora após o trauma de perder sua mãe e seu habitat - foi também retirada do convívio com sua irmã para ser enviada a uma outra cidade e outro zoológico.
 
Em Dezembro de 2011, Aurora chegou ao zoo de Udmurtia na cidade de Izhevsk, onde conheceu o urso polar Peregrino, que lá vivia desde abril do mesmo ano.
 
Peregrino é neto do casal de ursos polares Yukon e Amderma, que como Aurora  tinham nascido livres no meio selvagem. O filho do casal chamado de Permjak, se tornou pai de Peregrino, mas chegou a conhecerfilho. Peregrino nasceu em 7 de Dezembro de 2009 no zoo de Kazan, onde Permjak  morreu  com apenas 11 anos de idade, exatos 19 dias após o nascimento do filhote, que havia recebido o nome de Pim.
 
Depois com apenas um ano de vida Peregrino foi tirado dos braços de sua mãe Maleishka, e levado para um zoo na cidade de Novosibirsk, e depois de 12 meses foi novamente transferido para outro zoo dessa vez na capital da Rússia. E depois de 15 meses, saiu de Moscou e foi transferido para Izhevsk, onde passou 9 meses sozinho.
 
E foi nesse período que o zoo Udmurtia organizou o concurso para a escolha de um novo nome para o filhote de urso polar. As regras eram que o nome deveria ter as iniciais do nome de seus pais ‘P’ e ‘M’. E Pim virou Pilgrim que em língua portuguesa significa Peregrino.
 
O casal Aurora e Peregrino, que pareciam ter sidos feitos um para o outro; tinham a mesma idade, e ambos tinham sofrido muitas perdas de entes queridos, e entre idas e vindas para locais que eles não conheciam, poderiam agora juntos tentar esquecer os traumas do passado e aproveitar a piscina de 500 m³ do Zoo Udmurtia.
 
Em setembro de 2013, o serviço de imprensa do zoo, divulgou uma nota dizendo que haveria uma grande festa de casamento para os ursos polares. A mensagem dizia que a Aurora e Peregrino, juntos há 3 anos, estavam se preparando para o nascimento do primeiro bebê.
 
Aparentemente o bebê de Aurora nasceu morto, ou morreu depois de nascer, apesar de o zoo não falou mais no assunto. Entretanto meses depois numa reportagem detalhada sobre como viviam os animais do Zoo, a declaração da responsável pelos ursos polares Irina Fedorova chamou a atenção - o fato de que Peregrino foi colocado para ficar num recinto separado de Aurora; ‘Quando separamos Aurora do urso polar Peregrino, ele tentou demolir a grade que dividia os recintos’. Isso demonstra o quanto o casal está ligado e dependente um do outro.
 
E foi no Zoo de Udmurtia, que os ursos polares Aurora e Peregrino, viveram todos esses anos, até serem enviados para o Brasil.
 
No dia 18 de dezembro, o casal de ursos polares partiu da cidade de Izhevsk até Moscou, onde eles ainda tiveram que passar uma noite no aeroporto Domodedovo até entrarem no voo para Londres, e de lá é que voaram para São Paulo, onde chegaram no dia 22 de dezembro de 2014.
 
Curiosamente, não houve nenhuma cerimônia de despedida dos animais. A única referência que dois ursos polares saíram voando da Rússia para o Brasil, foi a nota emitida pelo Aeroporto em Moscou, informando que em 2014, o número de " cargas vivas", chegou a 5.500 animais, onde citou; ‘Menos frequentemente entre os "passageiros" foram vistos também animais exóticos: Lama, antílope, avestruz, búfalo, canguru, filhotes de leopardo das neves, bem como dois ursos polares, enviados para o Brasil’.
 
Todo o translado dos ursos polares que poderia render várias manchetes pelo mundo pela época, pela espécie e pela logística envolvida, conseguiu passar ‘despercebida’, de toda a imprensa internacional e nacional, que durante quatro meses não divulgou uma linha sequer, nenhuma foto e nenhum vídeo.
 
E na mesma semana que a imprensa brasileira deu destaque aos ‘ursos polares no aquário’, a mídia internacional dava destaque a morte do urso polar Taco aos 18 anos de idade, ocorrida num zoo do Chile, e que também não foi divulgada pela mesma imprensa que se dedicava ao parque marinho.
 
Os vídeos do recinto dos ursos polares no Zoo de Kazan disponíveis na internet são impactantes. As imagens de um grande urso polar com movimentos repetitivos e estereotipados, são de Malesihka, a mãe do urso polar Peregrino. Em alguns vídeos além de Malesihka aparece um filhote. O avó e a mãe de Peregrino foram obrigados a copular e geraram Yumki a meia-irmã de Peregrino que nasceu em 2012. 
 
Yumki aos 8 meses de vida também foi ‘transladada’ do zoo de Kazan para o zoo de Perm, onde teve seu nome trocado para Milka. Também Victória a irmã da ursa polar que está em São Paulo, teve seu nome trocado. Atualmente Victória está sendo chamada de Aurora .
 
Maleishka, a mãe de Peregrino é a ursa polar obrigada a viver na gaiola do zoo de Kazan para ‘fins de reprodução e conservação’. Em seus 20 anos de vida, ela já foi obrigada a copular com diversos machos, e já deu a luz a quatro filhotes.

Um funcionário do zoo Udmurtia, comentou que a burocracia para a transferência definitiva de animais de um zoo para outro zoo era muito extensa, e que a transferência temporária às vezes é a única opção. E que o motivo do zoológico não poder manter o casal que foi enviado para o Brasil, era o fato de que Izhevsk, estava recebendo outros filhotes que nasceram em outros zoológicos russos, bem como recebendo outros filhotes órfãos da natureza.
 
O drama dos Ursos Polares
 
Se o fato da ursa polar Aurora ter nascido no meio selvagem e mesmo assim acabar sendo transferida de um zoo Russo para o Brasil - apesar do Governo Russo considerar a espécie ameaçada – foi ocultado ou resumido pela imprensa brasileira, nunca saberemos, mas chega a doer até na alma dos mais leigos – ouvir que os ursos polares que foram trazidos ao Brasil, estão andando de lá para cá (movimentos repetitivos), porque na natureza eles andam vários quilômetros a procura de comida!
No entanto, toda essa movimentação dos filhotes de ursos polares, é taxada pelos ‘especialistas’ de ‘preservação’ (que significa: ação de se conservar o que já existe, e procurar levar o que esta se conservando o mais próximo da realidade, e impedir que se destrua).
 
O que chama atenção é o fato de que esses especialistas, mesmo sem ter onde hospedar novos filhotes; não levam em consideração nem o básico que é o tempo de amamentação dos filhotes.
 
- Na natureza os filhotes de ursos polares costumam ficar com suas mães em torno dos 2/3 anos de idade.
 
- Na natureza a idade de acasalamento dos ursos polares é em torno dos 6/7 anos. Como os humanos na adolescência eles tem a capacidade de se reproduzir antes, mas não o fazem naturalmente.
 
- Na natureza a neve não é um brinquedo para o urso polar. Tal como os elefantes que usam a terra para hidratar sua pele, os ursos polares usam a neve para secar seus pelos. A grossa camada de gordura que aquece e protege os ursos polares do frio, transforma a neve próxima a pele em água. Quando se sentem molhados, ou depois de um mergulho os ursos polares se esfregam na neve para que ela absorva gradualmente a água de seus corpos .
 
O parque marinho em São Paulo, anda divulgando que existe uma possibilidade da ursa polar Aurora estar grávida. Nos parques marinhos e zoos, além do fato de que raramente as fêmeas dão a um luz a mais de um filhote, e que a incidência de casos onde os filhotes são rejeitados pelas mães chega a 80% do número de nascimentos - também não é levada em conta pelos ‘especialistas’ – que mesmo sabendo que filhotes órfãos, ao se tornarem mães não sabem como proceder. No entanto os ‘especialistas’ continuam a procriar animais sem instinto próprio – o que na prática é como lhes tirar a alma e a vontade de viver.
 
Os sinais da criação de vários ‘SeaWords’ - parques marinhos brasileiros são claros. Além de São Paulo, mais estados prometem esbanjar a água que falta na torneira dos brasileiros –  Mais três parques marinhos estão sendo construídos no Rio de Janeiro, no Mato Grosso do Sul, e em Fortaleza.  O dinheiro para a construção vem de várias fontes; como do próprio governo, dos empresários e de empresas privadas como a Coca-Cola, que está na mira dos ativistas internacionais devido a rumores que ela patrocinaria a vinda de mais ursos polares para serem exibidos já nas Olímpiadas de 2016.
 
O que não parece muito óbvio é porque diante da série crise de água que é a fonte da matriz elétrica brasileira – seja permitido a construção de enormes parques marinhos – se as autoridades brasileiras não conseguem garantir o abastecimento de água e eletricidade para os humanos o que dirá dos animais não humanos que estão sendo trazidos para o Brasil, e que também dependem da água e da eletricidade para o ar condicionado para poderem sobreviver.
 
Mas afinal o que estamos preservando?

Arturo o urso polar mais triste do mundo, já foi jovem como Peregrino, e como ele com o passar dos anos foi enviado a outro zoo para procriar, e o resultado foi que sua companheira Pelusa teve 8 filhotes que ou nasceram mortos ou morreram no cativeiro. Em 2015 Arturo fará 30 anos. Como Peregrino ele foi retirado dos braços de sua mãe, nunca soube como era seu habitat natural, nunca caçou – e há muitos anos, alguns seres humanos se empenham em preservar seu sofrimento.
 
Arturo está cego, sofre de artrite e de calor, e mesmo com todos os apelos mundiais, estes não foram ouvidos pelas autoridades da cidade de Mendoza na Argentina, como também os apelos por melhores condições de vida para Taco não foram ouvidos pelas autoridades Chilenas.
 
Os apelos mundiais pela internet conseguem mobilizar uma grande quantidade de pessoas, entretanto as autoridades locais – os políticos que podem colaborar para ‘libertar’ um animal do cativeiro, só se preocupam em agradar seus eleitores, e infelizmente para que isso aconteça, os animais necessitam da presença de um grande número de pessoas – para dar voz ao animal.
 
Talvez o interesse dos especialistas seja somente o de preservar o DNA do urso polar - porque mesmo que amanhã conseguíssemos reduzir a emissão dos gases responsáveis pelo aquecimento global, que causa o derretimento das calotas polares, os ursos polares continuariam a morrer de fome nos próximos meses, porque não existem estimativas de tempo para a recomposição do gelo no circulo polar ártico.
 
A imprensa costuma mencionar que os ursos polares estão em extinção, e que a ‘estimativa’ dos especialistas é de que existem entre 20 a 25 mil ursos polares em estado selvagem, e que o tempo médio de vida deles na natureza é de 25 anos – mas raramente destaca que esses números são ‘palpites’, e que apesar da extinção ser eminente; a legislação internacional não protege os ursos polares da extinção;
 
   1. Apesar de todas as evidências mostrarem que os ursos polares estão morrendo de fome – o fator principal que os levará a extinção – devido a matança de focas (mais de um milhão);
  • A Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção – CITES, incluiu a espécie do urso polar listado no apêndice II - que inclui as espécies que não estão necessariamente ameaçadas, mas podem se tornar, no futuro, se a negociação destes animais para fins incompatíveis com a sua sobrevivência não é estritamente proibida.
  • Somente as espécies listadas no Anexo I - é podem ser comercializadas em casos excepcionais e desde que se garanta que isso não afetará a sobrevivência da espécie.
   2.  O palpite dado pela PSBG, para estimar a quantidade de ursos polares em estado selvagem não é real – estimativa de 95% – é o texto do cabeçalho da tabela;
  • O método utilizado para a ‘estimativa’, é conhecido como “relação entre espécie e área”. Determina-se o número de espécies encontradas em certa área e depois é realizada uma estimativa de como este número aumenta quando a área se expande. Em seguida, o cálculo é feito de maneira reversa numa tentativa de estimar quantas espécies sobrariam se a quantidade de terra/gelo diminuísse por causa das mudanças de hábitos ou climáticas.

   3. Nos últimos 10 anos somente 8.606 ursos polares foram avistados pelos pesquisadores, conforme a mesma tabela da PSBG.

    4. O tempo de vida do urso polar na natureza é de até 40 anos, afirma a Sociedade Geográfica Russa, fundada em 1895, data em que passou a observar à espécie.

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A questão sobre a retirada de filhotes órfãos de ursos polares da natureza, que são enviados aos zoológicos e parques marinhos, acontece nos 5 países que compõem o Ártico. Isso porque ainda não existe no mundo, nenhum santuário onde os filhotes  de ursos polares, possam ser cuidados e reintegrados a natureza.

O Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal - IFAW,  que tem um santuário para ursos negros de acolhimento e reintrodução a natureza foi contatado, para sugerir formas de coibir que outros órfãos de urso polar, como Aurora se tornassem propriedade de zoológicos e parques marinhos, e que depois acabam sendo transladados ao redor do mundo, durante sua vida.
 
A resposta do IFAW, foi a de que encorajassemos o governo russo a criar santuários para os órfãos. Quem quiser colaborar com os órfãos envie mensagem ao Presidente Vladimir Putin, através do twitter  @PutinRF_Eng com as hastags #PolarBearSOS #NoMoreZoos #EmptyTheTanks.
 
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O Fundo Mundial para a Natureza (World Wide Fund for Nature WWF) , e o Greenpeace, possuem várias campanhas e projetos no Ártico, mas nenhuma dessas entidades possui um centro de reabilitação de ursos polares órfãos, e nem projetos para alimentar os ursos polares que estão morrendo de fome.
 
Os seres humanos sempre foram os únicos predadores dos ursos polares. O dinheiro que você gasta para ver animais cativos – é o mesmo dinheiro que pode ser usado para manter os animais vivos na natureza. Reflita sobre isso, pois mesmo sem saber os ursos polares vão te agradecer!
 
 
 

Nota: O dossiê em forma de blog com as informações sobre Aurora, Peregrino e dos ursos polares, só foi possível de ser escrito graças a colaboração dos ativistas Soy Pipi da Argentina, Dawn W. Flann do Canadá e Vlad Latka da Rússia.

Fonte: Urso Polar Aquário

4 de mai de 2015
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