2 de jan de 2012

Por volta das 2h da madrugada de 9 de março de 2005, três estudantes que estavam em um bar de Pelotas (RS) amarraram uma cadela no para-choque do carro Ford Ka de um deles e a arrastaram por cinco quadras, até a sua morte. Houve quem pedisse que eles não fizessem aquilo porque a cadela era mansa, que era amiga dos fregueses, que lhe davam sobras de carne. Mas foi em vão.

 

O animal morava nas ruas e era cuidada por moradores de Pelotas e especialmente pelos frequentadores de um trailer onde eram vendidos lanches.

Pela manha, vizinhos do bar encontraram o corpo dela despedaçado e o dos filhotes que estava gestando. A cadela Preta (foto acima) estava prenha e já havia interessados em ficar com os filhotes.

Ela foi arrastada por, ao menos, seis quadras, segundo testemunhas disseram à polícia.

Veja o vídeo da reconstituição

 

Os que cometeram a barbárie, eram na época jovens universitários.

O caso gerou comoção da população em todo o estado do Rio Grande do Sul e ganhou repercussão nacional ao ser noticiado no Fantástico, em rede nacional, do dia 17 de março de 2005, aparecendo posteriormente então em diversos jornais, revistas e programas de TV, fato que gerou protestos em vários outros centros para além do estado.

Alberto Conceição da Cunha Neto, além de ser o proprietário e motorista do carro que arrastou a cadela preta pelas ruas do Centro de Pelotas,  já tinha  antecedentes criminais. Em 2003, matou à tiros uma cadela Boxer na praia do Laranjal, estava respondendo processo por maus-tratos a animais e por porte ilegal de arma. Alberto Conceição da Cunha Neto,  recebeu a maior pena dentre os três acusados, sendo condenado em 2007 ,  pelo juiz José Antônio Dias da Costa Moraes, do Juizado Especial Criminal de Pelotas (RS), a um ano de detenção em regime aberto no Presídio Regional daquela cidade. Na sentença, o juiz não permite a reversão da detenção em pena alternativa, e estipula ainda o pagamento de uma multa.

A condenação dos acusados, ocorrida anos depois, trouxe o caso de volta à mídia, e teria se baseado no fato de que o assassinato do cão teria trazido prejuízos de ordem psicológica à população local.

Atualmente Alberto Conceição Cunha Neto é advogado e engenheiro agrícola, Marcelo Schuch (aluno de pré-vestibular) e Fernando Siqueira Carvalho ( engenheiro agrícola). Os outros dois outros estudantes,  apontados como participantes aceitaram a transação penal com o Ministério Público em 2005, e cumpriram um ano de trabalhos comunitários em instituições ligadas ao meio ambiente, além de pagarem – cada um – R$ 5.000,00 ao Canil Municipal, para reformas.

Durante a instrução, duas audiências com apresentação de testemunhas de dfesa e acusação foram realizadas no Foro de Pelotas. A defesa ainda não foi intimada sobre a sentença, o que será feito nos próximos dias, por publicação no Diário da Justiça Online. Após, haverá prazo para recorrer às Turmas Recursais Criminais, em Porto Alegre. (Proc. nº 2202266955).

Outro jovem – do mesmo grupo de amigos – também está respondendo a uma ação penal (nº 2202278133), acusado de ter prestado falso testemunho.

Em agosto de 2010, por decisão unânime, a 21ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul condenou Alberto Conceição Cunha Neto, 26, o dono do carro, a pagar a indenização de R$ 6.035,04 por danos morais coletivos. Não cabe mais recurso.

Em sua defesa, Neto se colocou como vítima. Argumentou que na época sofreu perseguição pública, inclusive por parte dos estudantes da universidade onde estudava, e da imprensa. Lembrou que teve de sair da Universidade Católica de Pelotas e mudar da cidade e que não teve da Justiça o benefício da isonomia: somente ele foi condenado à reclusão.

  

Na avaliação do desembargador Arminio José Abreu Lima da Rosa, o relator do processo, a isonomia não pôde ser aplicada porque Neto liderou o ato de crueldade, além de ele ter antecedentes criminais.O desembargador sentenciou que a violência contra a cadela Preta “ofende os sentimentos de compaixão e de piedade”

2 de jan de 2012
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