2 de jun de 2014

Resgatado durante a 2a. Guerra Mundial, Antis, o cão-radar, se auto-adestrou para salvar sua vida e de seus companheiros humanos. Depois de quase morrer sem ar ao se esconder dentro de um avião-bombardeio, os engenheiros então desenvolveram a primeira máscara de oxigênio canino sob medida que se tem notícias.

A História do Cão ‘Antis’

Em uma manhã de muito frio em janeiro de 1940, o aviador Theco Robert Bozdech e o piloto francês Pierre Duval estavam em uma missão de reconhecimento sobre as linhas inimigas quando um avião alemão os derrubou. Robert saiu praticamente ileso, mas Duval saiu ferido e foi arrastado por Robert e escondido em um monte de neve. Em busca de abrigo, Robert avistou uma fazenda ao longe, a cerca de 300 metros de distância.

Dentro, havia muito pouco: muita poeira, uma mesa de jantar de madeira, uma panela no fogão, e vidraças quebradas, mas Robert conseguia ouvir alguns fracos arranhões e um choramingar suave. Por um momento, ele congelou, tentando localizar a origem desses sons. O barulho parecia vir de trás de uma cadeira virada perto do fogão. Robert pegou sua pistola, lentamente se aproximou, e preparou-se para atirar.

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"Levantem as mãos", ele gritou. "Agora! Ou então! Apareça! Saia de onde estiver escondido! "

Robert ouviu as respirações suaves, e também algo que poderia ter sido um bocejo. Ele não podia acreditar. Que tipo de inimigo ou fugitivo poderia dormir nessa hora?

"Acorde, seu bastardo!", Disse Robert. "Levante-se e mostre-se!"

Mais uma vez, nada. Robert não tinha escolha. Rigidamente, ele mudou o seu caminho ao redor da cadeira, com o dedo no gatilho, pronto para atirar.

Então ele viu a sua ameaça, por assim dizer: uma pequena bola de pêlos, agora semi-acordado, lutando para conseguir ficar em pé, e caindo sobre si mesmo, em sua desastrada tentativa, de escapar do homem que gritava. Robert sentiu um pouco de vergonha, e depois se tornou seu protetor.

"Quem deixou você aqui, sozinho e com fome?", Disse Robert. Então ele pegou o cachorro em seus braços e colocou-o dentro de sua jaqueta.

Em "The Dog Who Could Fly:  A Incrível e verdadeira história do aviador da Segunda Guerra Mundial e o cão-herói que voou ao seu lado" (Atria Books), do autor Damien Lewis narra a incrível amizade - documentado no próprio manuscrito inédito do falecido Robert - entre o aviador de guerra e seu companheiro mais fiel.

Robert e Antis eram inseparáveis ​​na base, nas missões, nas refeições e também dividiam a mesma cama.

Robert  era filho único e sempre viveu em torno de animais. Em 1938, quando os nazistas invadiram a Tchecoslováquia, Robert perdeu amigos e familiares para os esquadrões da tortura e morte. Sozinho, ele infiltrou-se na Polónia. Ai tornou-se um membro da Força Aérea Tcheca, e juntou-se a força aérea francesa como um artilheiro

Naquele dia, em janeiro de 1940, Robert e Duval - que, apesar de uma perna gravemente ferida, se arrastou  para a casa da fazenda - esperou anoitecer.Em seguida, eles iriam fazer uma pausa.

Às 06:00, Robert despertou Duval que dormia. Eles olharam para o cachorro, fraco e faminto. Eles não podiam levá-lo junto – pois era muito arriscado – então eles o deixaram com a pouca água e pouca comida que tinham.

"Nós não podemos fazer mais do que isso", disse Duval a Robert. "Ele vai ter que contar com a sorte, juntamente como o resto de nós."

Quase tão logo eles deixaram a casa da fazenda, flashes luminosos irrompeu das linhas francesas e alemãs. Eles estavam no meio do fogo. Foi então que eles ouviram o primeiro uivo, um longa e angustiante som, seguido por um segundo uivo

Ele e Duval se entreolharam. Eles sabiam o que tinha que ser feito. "Espere aqui", disse Duval. "Eu estarei de volta em um minuto."

E Robert voltou a casa da fazenda, e quando ele abriu a porta e viu o animal correr para seus braços, e como ele era magro e fraco, o colocou dentro da jaqueta e disse "Tudo bem, garoto", disse Robert. "Você também vai se salvar"

Naquela noite, os três foram resgatados por soldados franceses, que transportaram Duval a um hospital e Robert para um campo de pouso, onde um avião monomotor estava esperando. Robert subiu na cabine, segurando o animal.

"Robert sentiu uma onda de orgulho em seu novo cargo", Lewis escreve. "Como ele, este pequeno cão parecia nascido para voar."

De volta à base aérea, os companheiros de Robert ficaram loucos com o cão. Ele era um pastor alemão com uma faixa preta ao longo de sua coluna vertebral - o sinal de um puro-sangue e um guerreiro, que eles pensavam. Os homens o chamaram de ‘Antis’, depois de mesmo nome dado a um avião bombardeiro.

Os homens os mimaram com comida e com carinho, e Antis retribuia todo esse amor, esperando por eles quando retornavam das patrulhas e oferecendo sua pata como um  sinal de bem vindo ao lar.

Quando Robert dormia, Antis deitava ao pé da sua cama. Quando Robert dava-lhe uma ordem - sentar, ficar, buscar - Antis obedecia.

Então veio a primeira vez que Antis não o obedeceu, o cachorro ficou no meio da base aérea, com as orelhas erguidas, e com os olhos fixos em um ponto a distância.

Levou um momento para Robert perceber o que estava acontecendo, e ele gritou para Antis para vir ao seu lado.

Quando as bombas caíram, Robert também correu para seu cão, agarrou-o e ambos mergulharam em uma trincheira, ele agarrando Antis tão apertado, que ele podia sentir o coração do cão batendo. Ficaram assim por duas horas, até que o bombardeio parou.

Antis ficou conhecido como o protetor mais infalível do esquadrão: mais rápido e mais preciso do que o radar. Ele nunca deixou de prever um ataque inimigo e, como Lewis escreve: " A palavra do cão radar - que estava mais em sintonia com os perigos da aproximação dos aviões alemães, do que os sistemas de rastreamento sofisticados que os cientistas britânicos inventaram - se espalhou como rastilho de pólvora."

Pouco antes do Natal, o posto avançado francês foi atacado por cima de novo. Antis, foi o único a prever os momentos de ataque que viriam. Mas antes que os homens se abrigassem, uma bomba explodiu, separando todos eles.

Robert não tinha idéia de quanto tempo ficou desacordado após o bombardeiro, mas quando ele acordou - ele e seus homens milagrosamente estavam apenas com escorriações – Mas Robert estava em pânico. "Alguém viu o meu pastor alemão?", Ele gritou. "Alguém viu Antis? Ele está bem? "

Companheiros de Robert tentaram acalmá-lo. Disseram-lhe Antis nunca abandonaria seu amigo e salvador. Mas Robert procurou, e não o encontrava. Antis não estava no abrigo, não estava sob os escombros na base ou em ruínas próximas. Duas noites se passaram, e ele mal dormiu, atormentado pela idéia de que o animal estava lá fora, sozinho e sofrendo.

No terceiro dia, dois mecânicos encontraram um Antis cambaleando em direção à base. Todo o esquadrão assistiram o reencontro emocionante, quando Robert correu, e levou o cão traumatizado, em seus braços para a enfermaria, onde ele foi limpo e alimentado e os cortes em suas patas foram tratados.

Robert depois seguiu os rastros de Antis para descobrir o que tinha acontecido. O cão havia ficado preso a uma cratera, e ele percebeu Antis tinha sido arremessado com a explosão, caindo nesse buraco, que foi coberto por detritos.

"Sem espaço para se mover, ele deve ter sentido a terra, que o estava  pressionando-o como se fosse seu túmulo", Lewis escreve.

"As marcas nas suas patas indicam que ele arranhou um caminho para a superfície. Como ele ficou vivo lá por dois dias inteiros Robert não conseguia  imaginar. . . mas a vontade de Antis 'em viver era mais forte – e era a coisa mais preciosa que eles tinham em comum ".

Por um tempo, Robert foi transferido para Liverpool, onde ele estava infeliz. Ligeiramente ferido em um acidente de carro, ele foi obrigado a ficar na reserva. Uma noite, durante uma caminhada com uma enfermeira chamada Pam, Antis começou a rebelar-se, andano para trás e para frente, lamentando o tempo todo.

"Não se preocupe, rapaz", disse Robert. "É o cheiro do cais. Estamos seguros o suficiente aqui. "

Depois vieram os tiros, as explosões e o som da aeronave. Sem ter para onde correr, Robert agarrou Pam e puxou-a para o chão. Antis então pulou em cima de Robert, protegendo-o com seu próprio corpo.

Assim que o bombardeio parou, Antis foi para o local, farejando os escombros. Naquela noite, Antis arranhava por sobre tijolos e o concreto e farejou seis sobreviventes, incluindo uma criança. Depois da meia-noite que eles terminaram Robert carregou em seus braços seu cão de volta à base, suas patas estavam machucadas e sangrando. E mais uma vez, eles foram direto para a enfermaria.

Então chegou o dia em direção ao final de junho, Robert preparando-se para um ataque a Alemanha, quando Antis desapareceu. Robert tinha que decolar e enviou um outro soldado para encontrar Antis, sem sucesso.

E depois de 20 minutos que Robert estava em pleno voo, que ele percebeu o que aconteceu: Lá, na barriga do avião, estava o seu cão, com falta de ar.

Rapidamente, Robert tirou a máscara de oxigênio e colocou-o sobre o nariz e a boca de Antis. Eles estavam a 16.000 pés de altitude, e prestes a começar o bombardeio, e só então o piloto percebeu o que estava acontecendo.

"Que diabos?", Disse. "Mantê-lo por perto das suas pernas." Robert e Antis se revezaram com a máscara de oxigênio. Após o ataque, os dois tiveram uma recepção de herói - mesmo que fosse contra as regras da Royal Air Force, um animal estar em qualquer lugar perto de um ataque aéreo, e muito menos dentro de um.

E foi assim que o cão Antis tornou um verdadeiro cão de guerra, os engenheiros então desenvolveram  uma máscara de oxigênio canino sob medida para todas as missões que ele estaria voando com seu protetor. Ele acabou sofrendo duas lesões em ação, mas Robert só descobria quando eles desembarcaram.

"Ele não se lamenta, ele não entra em pânico, ele apenas fica aos meus pés", disse Robert mais tarde. "Ele mostra uma coragem que talvez muito ser humano não poderia demostrar."

Em 1945, quando a guerra terminou, Robert voltou para sua Checoslováquia, e levou Antis a reboque. Lá, ele se casou e teve um filho. Mas quando os comunistas começaram a invadir, em 1948, ele foi forçado a fugir.

Com medo pela sua segurança dos seus, e de serem pegos com ele, Robert deixou sua esposa e o filho de 7 meses. Mas ele não estava sozinho: Antis o acompanhava, e ao tentar várias passagens fronteiriças perigosas, Antis sempre farejou o inimigo, guiando-o em segurança para a liberdade.

Os dois se mudaram para a Inglaterra. Em 1949, Antis foi condecorado com a Medalha Dickin, uma honra concedida aos animais que mostraram bravura excepcional, lealdade e sacrifício.

Antis morreu em 1953, aos 13 anos. Robert, que morreu em 1980, aos 67 anos, ele nunca se permitiu ter um outro cão, dizia: “Que ele sempre seria somente de Antis” 

Fonte: New York Post

2 de jun de 2014
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